ATENÇÃO:  SESSÕES DA CÂMARA DE VEREADORES DE TORRES - ASSISTA AQUI ON LINE - SEGUNDAS  FEIRAS - 16.00 h 

Estas sessões, gravadas, ficarão rodando na TV DIGITAL durante toda a semana e, posteriormente, arquivadas no ícone barra superior TORRES/Câmara de Vereadores

OUTUBRO, 18/19

 

                   DEMOCRACIA COMO DIVISÃO DE PODERES

Paulo Timm . Especial A FOLHA,Torres RS – Oct ,19

 

“Não há nada mais fecundo em maravilhas do que a arte de ser livre, mas não há nada mais duro do que o aprendizado da liberdade”.

Alexis de Toqueville

 

 

Eduardo Galeano,  ensaísta uruguaio, frasista ímpar, é um dos meus escritores de cabeceira. Obra vasta, da qual retiro esta pérola:

-“Os cientistas dizem que somos feitos de átomos e células, mas um passarinho me contou que somos feitos de histórias”.

Concordo com ele e, por isso, sempre permeio minhas crônicas de conjuntura, que nem ouso chamar de literatura, com passagens pessoais. É uma maneira de (tentar) transmitir minha sensibilidade ao tema que trato. E de lhes dar um mínimo de humanidade.

Vamos ao feito.

Continuamos surfando na maré da histórica e confusa decisão do Supremo Tribunal Federal que devolveu ao Poder Legislativo, segundo diversas instâncias, a última palavra sobre o julgamento de seus membros. O mundo desabou. Todo mundo caiu de pau, pedra e flechas contra o Supremo que teria claudicado em sua função de Salvador da Pátria: -“Devolveu às raposas a guarda do galinheiro”. O primeiro resultado disso, todos já sabem: Ontem, dia 17 de outubro, o Senado, por larga margem das forças situacionistas e três ausências do PT/PcdoB desautorizou as   medidas restritivas do Supremo no affair Aécio Neves. A estas alturas o Menino do Rio já deve estar lépido e faceiro balançando vantagens da tribuna daquele Casa, preparado para mais uma balada nas noites do Leblon.

Não sou douto em assuntos jurídicos. Leio, apenas. E me guio pelo bom senso, combinado com minhas inclinações ideológicas e valores, iluminados, ambos por experiências vividas.

Defendo incondicionalmente a democracia, não apenas como um suporte da convivência civilizada, mas como único meio capaz de manter e aprofundar esta convivência em liberdade. Na verdade, aí a grande consigna da modernidade: Democracia ou Barbárie. Aprendi, de resto, que a Política é lugar nas atividades humanas onde a democracia nasceu e viceja, a partir da instituição da Lei e seu suporte, o Estado, sem os quais a força deita e rola. Por isso mesmo, como sede de todos os Poderes o Estado, com o monopólio da coerção em suas mãos,  mesmo preservando sua unidade ontológica e sua hierarquia, instituída pelo Ser Social, deve subdivir-se em uma infinidade de instâncias, de forma a evitar excessos internos  que conduzam à reconstituição  do poder absoluta de uma área sobre outra, que acaba desembocando no despotismo. A democracia, enfim, é um complexo sistema de freios e contrapesos, no qual a liberdade de um é cerceada pela liberdade do outro, portanto, socialmente limitada. Montesquieu nos brindou com a divisão horizontal entre Executivo, Legislativo e Judiciário, aos quais formos adicionando agências de controle interno e externo. Outro autor, Carlo Cattaneo (1801, Milão, Itália . 1869), menos conhecido,  sublinhou a divisão vertical, ensaiada pela jovem nação americana e que desembocou na doutrina do federalismo, hoje acentuado pela criação de regiões autônomas dentro de Estados unitários ou confederados. Outro filósofo, Hegel, abriu nossos olhos para a divisão entre Estado propriamente dito e sociedadecivil, abrindo caminho para a necessidade de fortalecimento desta  na proliferação de direitos sociais e individuais no século XX (que acabram conformando o salto da democracia liberal para as democracias avançadas do Wellfare State).  Importante, também, fortalecer a autonomia da Política como reino da opinião, blindando-a contra os tentáculos  possessivos das corporações econômicas, da grande mídia, das religiões e até mesmo do inteligência. Mais recentemente esta luta pela autonomia da Política se estende à quebra do monopólio dos Partidos no processo representativo, abrindo-o crescentemente às candidaturas avulsas.

A democracia, enfim, não se resume ao voto direto, secreto e universal, que define o direito da maioria de governar, mas um sistema em que os ocupantes de funções públicas são permanentes vigiados. Para compreendê-la em sua amplitude há que se abrir várias opções de interpretação, procurando, inclusive, mesmo onde nada  se vê . Parte-se, desde um certo Lord Acton, da ideia de que o Poder corrompe e o Poder absoluto corrompe absolutamente. Olho “nelles”!

Resta, entretanto, neste sistema supostamente equilibrado de liberdades/limites, definir como se estabelece a solução de conflitos aparentemente insanáveis no âmbito do Estado ou em suas relações com a sociedade. Já na Grécia e em Roma os antigos viviam este desafio e para solucioná-lo inventaram o instituto da ditadura, no qual um escolhido assumia o Poder por um período de tempo, dentro de regras pré-determinadas para evitar que se convertesse num tirano. Contemporaneamente, nos Estado Modernos, se os três poderes são autônomos e independentes, quem tem a última palavra em caso de conflito?

Aqui inicia-se um controvérsia que se arrasta sobre nossos dias.

Devo dizer que esta questão não é bem tratada pela esquerda para quem o Estado é menos uma entidade metafísica do que uma máquina de administração reduzida ao caráter de classe de quem a comanda. Doutrinariamente, porém,  ela tem em Rousseau seu baluarte, que vê no Legislativo a sede da soberania popular, aceita por Robespierre como justificada  tirania das massas. Daí, em grande parte, a defesa, em princípio, da intangibilidade dos mandatos eletivos.

 Já o liberalismo, que alimenta ideologicamente a direita, costuma dar ao Poder Judiciário, sendo falível,  o direito de errar por último. O clássico defensor brasileiro desta posição foi Ruy Barbosa, oportunamente registrada pelo Ministro Celso de Mello em seu voto na citada sessão do Supremo.

Uma saída de conciliação a essa discórdia, ao longo do incorporação ao sistema político ocidental no século XX,  de diversas correntes de direita e de esquerda, resultou,  no acordo de que o Supremo sempre tem a última palavra mas os mandatos legislativos são inimputáveis, vale dizer, sagrados na sua vigência.

Foi isso, enfim, que (des)orientou a Ministra Carmem Lucia, ao final do julgamento da semana passada. Ela quis ser fiel à defesa do mandato parlamentar e votou pela remessa dos autos de indiciados à suas respectivas casas. Como ressaltou o Ministro Relator da matéria, Facchin   , defensor, com o Ministro Barroso, do papel saneador do Judiciário: - Mas a Senhora não está votando comigo!. Não estava mesmo.Dado, porém, o clima de tensão vivido pelo país, de verdadeira excepcionalidade quanto à venalidade dos membros de Casas Legislativas no país - só no Senado cerca de 40 de seus membros estão nas malhas da Justiça-  a posição da Presidente do Supremo foi tomada como claudicação.

Eu, porém, temo grandes inovações institucionais, odeio unanimidades e vou louvar a atitude de Ministra. Não cabe ao Judiciário fazer renovação política no país, e sim aos seus concidadãos. Mesmo essa já longa história da LAVAJATO não vai mudar a politica no Brasil. Até o implacável Juiz Moro, em recente entrevista na Globonews o admite. Quando muito, vai  deixar um ou duas centenas de picaretas à beira de suas piscinas privadas com tornozeleiras. Esperemos as eleições de 2018 para comprová-lo.

Guio-me, pois, neste sentido, pelo que vi e vivi: Sou contra o foro privilegiado, salvo para os Presidentes dos Três Poderes mas a favor das salvaguardas aos mandatos legislativos.  No ano de 1968, por exemplo, quando o país em transe parou para ouvir os discursos de um franzino deputado por São Paulo, Mário Covas, em defesa do direito de outro oposicionista ao regime militar, Marcio Moreira Alves, não ser processado, em decorrenca de discurso no qual criticava as forças armadas. Alívio, o Congresso não autorizou. O sagrado mandato do Marcito, porém, duraria até ele ser cassado. Mas aí já era sob os Anos de Chumbo, sob o amparo do famigerado AI – 5. Capituamos à barbárie, mandando “às favas os escrúpulos”-  Reproduzo o episódio, para lembrança dos leitores mais jovens:

“Em setembro de 1968, fez um discurso na Câmara protestando contra a invasão da Universidade de Brasília (UnB) pela Polícia Militar. O tom radical de seu discurso e a não aceitação da Câmara do pedido de cassação de seu mandato, encaminhado pelo Supremo Tribunal Federal, teriam servido como estopim para a edição do Ato Institucional Nº 5 (AI-5), em dezembro daquele ano.

Cassado pelo AI-5, deixou clandestinamente o país ainda em dezembro de 1968, e só voltou em 1979, com a anistia. Com o fim do bipartidarismo, em novembro daquele ano, e a posterior reformulação partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e, nessa legenda, concorreu a uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro.

http://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/marcio-moreira-alves/index.html

Lamento, portanto, que figuras públicas do “porte” de Aécio Neves protagonizem a política em nosso país, tendo sido, não só candidato à Presidência, como sendo Presidente de um importante Partido, o PSDB. Mas penso, no episódio, que se cumpriu a Constituição. Não será fácil fazer a ansiada renovação política que o país necessita, mas não adianta recorrer a atalhos, muito menos ao autoritarismo. O único caminho é a prática da democracia para salvar e aprofundar a democracia. A saída ou será Política ou anti-política, portanto, anti-democráticas. Outros povos, diante destes impasses, vão às ruas e forçam uma solução. Até um bloco férreo como a antiga União Soviética, depois de 70 anos de uma gloriosa Revolução, mas envolta nas suas malhas burocráticas e despóticas, cedeu lugar a novos tempos. É disso que precisamos: Assumir a responsabilidade pelos nossos destinos, sair às ruas, clamar por uma saída democrática, exigir eleições livres e irrestritas já. Lutar por isso. E teremos um futuro melhor, com políticos melhores, com um sistema político mais eficiente e decente.

Para concluir, duas últimas observações aos que vêem na Lavajato um avanço institucional no Brasil..

Meu amigo Eduardo Aydos, por exemplo,  condena a remessa da última palavra sobre punições judiciais a parlamentares às suas respectivas casas. Defende o judicialismo e critica a ideia do estado de exceção, tão ao gosto da esquerda, reafirmando sua convicção de que a Lavajato contribui para o aperfeiçoamento institucional do país.

É verdade que vem crescendo na Filosofia Crítica, leia-se, sobretudo  G. Agamben, a ideia de que entramos numa nova etapa das democracias ocidentais, que  se assemelha ao ESTADO DE EXCEÇÃO . Ainda tenho minhas dúvidas sobre isso, mas não tenho a menor dúvida, isso com base em R.Dahl, N. Bobbio e tantos outros autores, que estas democracia estão em crise, conspurcadas pela perda da autonomia da política. Logo, dificilmente consigo ver, nos ultimos tempos, APERFEIÇOAMENTO INSTITUCIONAL, seja no Brasil, seja no resto do mundo. Vivemos uma era de desconstrução de direitos e de retorno ao começo do século XX, este sim, o SÉCULO DOS DIREITOS, peça fundamental  do salto de um CAPITALISMO LIBERAL vitoriano  para uma DEMOCRACIA AVANÇADA, na qual se combinam em uníssono direitos civis, direitos políticos e direitos sociais, inclusive ambientais. 

Li, com atenção , também, sua argumentação de que o  Legislativo pode até SUSTAR mas não REVOGAR um procedimento judicial contra um de seus membros. Oressa, quem leva traz e quem susta revoga.Portanto, salvo nos casos explicitos na Constituição, o Legislativo tem a última palavra no tocante aos mandatos parlamentares.

 

Anexo: 

 http://www.bresserpereira.org.br/

2017. Manifesto que um grupo de brasileiros preocupados com a crescente divisão da sociedade brasileira 

 

OUTUBRO, 16

UNANIMIDADE… (?). Me incluam fora dessa lista…

                   Paulo Timm – Especial para REPORTER INDEPENDENTE . out 17


Há muito tempo não via tamanha unanimidade de pensamentos no país, contrariando aquela máxima de Pinheiro Machado de que “ideias não são metais que se fundem”. Todo mundo grita contra a decisão do STF,  sublinhando decepção diante das vacilações de sua Presidente, semana passada,  ao transferir para o Congresso a avaliação dos casos de julgamento de parlamentares. Lava mãos….  Contudo, desconfio das unanimidades. Esquerda, direita, jornalistas "clássicos", jurisconsultos eméritos, até militares da linha dura que clamam pela intervenção militar, juntos? Desconfio também do excesso de adjetivos na crônica nacional, com exceção do insuspeito Reinaldo Azevedo e do diligente Marco Aurelio Nogueira,  sem o substantivo aprofundamento que os ampare, seja dos princípios do liberalismo ou da crítica que o estigmatiza. No Brasil escandalizamo-nos com a corrupção, com a concentração de renda, com o suposto populismo, ou alegado autoritarismo, mas pouco se discute, como faz no resto do mundo, sobre a natureza e perspectivas de própria democracia. Há algo de errado aí…

Então, eu me lembro do meu filósofo de cabeceira : A UNANIMIDADE É BURRA.

Lembro-me, porque fui testemunha, daqueles dias tortuosos de 1968 quando delirávamos com a defesa de Mário Covas, na CÂMARA DOS DEPUTADOS, em defesa do mandato do Marcito Moreira Alves, ameaçado de julgamento porque havia feito um discurso candente contra os militares. Ficaram, estes, tão melindrados que, afinal, no fatídico dia 13 de dezembro daquele ano decretaram o AI-5, preâmbulo dos Anos de Chumbo, tão ao gosto dos bolosonaros…

Continuo, pois, como bom mineiro que nunca fui, onde sempre estive: Defendendo, civilmente, a supremacia do SUPREMO como árbitro derradeiro no sistema de poderes independentes - o que erra por último, segundo R.Barbosa, citado por Celso de Mello - , mas também, a inviolabilidade do mandato parlamentar, a partir do conceito rousseuaniano de soberania popular.  Minha maior crítica é, em primeiro lugar, ao esvaziamento do CONGRESSO como fonte de Poder, à mercê de um Executivo podre, de um federalismo de ocasião, com raízes em 1977, de um bicameralismo retórico, oneroso e inútil  e da judicialização da política que lhe dá sequência. E por que não condenar a morosidade do SUPREMO no julgamento de políticos, independentemente de autorização para tanto? E por que não condenar essa jaboticaba do foro privilegiado que transforma o SUPREMO em Foro de julgamento de batedores de carteira? E por que não se discute, a fundo, a Reforma do Judiciário com a descartelização do bacharelismo que lhe acompanha desde o Império? Qual outra corporação profissional no país tem tantos privilégios junto às cortes do que os advogados com sua excelsa OAB, pérola do corporativismo? Quando acabaremos com as decisões monocráticas de juízes sobre processos que deveriam ser julgados por um coletivo, com a participação da sociedade civil,  para evitar o viés pessoal?

E last but not least_ Quando voltaremos às ruas para desempatar o imbroglio em que estamos metidos e paramos de assinar manifestos na INTERNET de protesto contra a indesejável situação do país?

Como dizia o imortal poeta condoreiro: A PRAÇA É DO POVO COMO O CÉU É DO CONDOR. É O LUGAR ONDE A LIBERDADE CRIA ASAS EM SEU CALOR. Vamos para a rua, "ONDE MORA O ACONTECIMENTO"..., antes que algum aventureiro, com armas na mão, o faça.

 

 

 Outubro, 13

Um dia, um gato…

                Paulo Timm – Especial A FOLHA, Torres, RS – 12 out.


"Hoje, Senhores, a moral dos homens públicos vai sendo a daquele deputado, que, estranhando um amigo vê-lo sustentar o Governo Hermes, com rara felicidade lhe respondeu: «Não sou eu quem sustento o Governo: êle é que me sustenta». "(Riso
)

Ruy Barbosa – Discurso 1914, Obras Completas Tomo III

“A falta de clareza de Cármen Lúcia dificultava tudo. Fez-se uma redação genérica, de modo a aplacar seus embaraços. Bem ou mal, Aécio continua senador. Esperem-se os embargos de declaração.

Marcelo Coelho, Jornalista FSP -  Outubro 2017

 

                                                    *

O título acima, não o inventei. Recolho-o no meu baú de memórias de um belo filme tcheco dos anos 1960, que bem ilustraria o poema “O Espelho”, de Mário Quintana, no qual me chama a atenção sua comparação com o velho pai: “Como pude ficarmos tão iguais”…Pois assim é a vida. Tão dessemelhante para cada um, tão igual para todos. Sempre seguindo seu errático curso, sempre nos ensinando, sempre nos levando a errar de novo…

É o passo do unau, das nossas preguiças, do emblemático bradypus, o disforme tardígrado, privilegiado nas unhas e na calaçaria, que, seguro pelas garras, dorme tempos esquecidos paparriba, dependurado ao galho da árvore onde treçou.

Ruy Barbosa

A cada dia que passa eu aprendo alguma coisa. Quando, aos púberes 18 anos varava como vendedor viajante, profissão extinta há décadas, a linha Xanxerê/SC – Francisco Beltrão/PR, aprendi que nunca se perde um cliente. Se ele, decididamente, não fechar a compra, restava-me sempre a derradeira pergunta, que podia me garantir o dia de trabalho para pagar a diária do Hotel Dalla Vecchia, onde me hospedava: - “ Quem sabe o Senhor me indica algum amigo ou conhecido que poderia se interessar por este produto?” Dito e feito. Lá ia eu e, não raro, me dava bem…Ontem, dia 11 de outubro (2017) nas 14 horas do julgamento do TSE sobre uma arguição de incontitucionalidade a respeito da competência julgadora sobre detentores de mandato parlamentar, aprendi muito. Revisitei argumentos sobre a grande polêmica jurídica contemporânea, que divide jurisconsultos, estudiosos do Direito, entre “punitivistas”, a favor da Lavato, do Juiz Moro e do ido Procurador Rodrigo Janot, e “garantistas”, que os vêem com reservas, em função dos direitos consagrados pela Contituição, revi a grandeza republicana de  Ruy Barbosa em defesa do Supremo como dono da última palavra, embora não infalível, mas estratégica ao jogo democrático,  no voto  do Ministro Celso de Mello, e percebi a importância dos sofistas pré-Sócrates que sempre diziam: “Em tudo neste mundo há o justo e o injusto e ambos são igualmente justificáveis”. Daí eu sempre insistir que até a melhor das razões falecem diante da falsa premissa, do excesso de argumentos e, principalmente, da falta de jeito. A verdade não é só filha do tempo, mas também dos processos, das narrativas, dos argumentos, do timing… Finalmente, me dei conta que até os doutos Ministros discordam internamente e que a própria Presidente da Corte Suprema tem engasgos: Ela teve dificuldade em cumprir sua louvável e, a meu juízo frustrada, tentativa de arredondar arestas com um voto de desempate que refletisse não o antagonismo do 5 x 5, mas uma virtuosa média de opiniões. Durou uma hora o imbroglio, com todo mundo dando  pitacos, passando, até por uma polêmica sobre a palavra correta que deveria ser registrado no Acórdão final a ser remetido à jurisprudência: A respectiva casa legislativa, da qual algum membro tenha sido atribuída pena pelo Juiz correspondente, deveria “ratificar” ou “analisar” a decisão judicial? Não consegui, honestamente, ver clareza na resposta. Aguardemos a publicação do dito Acórdão e, sobretudo, sobre aplicação, já em vista no próximo dia 17, quando o Senado Federal se debruçar sobre as medidas alternativas, tal como a proibição de sair à noite, que recaem sobre o Senador Aécio Neves.

De todo o debate de ontem, um relato, muito bem resumido neste artigo, que reproduzo , e minha conclusão:

MARCELO COELHO
COLUNISTA DA FOLHA - 11/10/2017

Quais são as acusações contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG)? Segundo o Ministério Público, ele recebeu mais de R$ 60 milhões de propina. Um primo de Aécio recolheu dinheiro vivo dos emissários do grupo J&F. Haveria sinais de lavagem de dinheiro também.

Dito isto, é possível prender Aécio Neves?

Não. As investigações ainda estão em curso. Nem réu ele é. E, pela Constituição, só pode haver prisão de parlamentar em casos de flagrante em crime inafiançável (tortura, tráfico de drogas).

Por três votos a dois, a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que, mesmo sem ser preso, Aécio poderia ser atingido por "medidas cautelares": o afastamento do cargo, a proibição de que saia de casa à noite, de que se ausente do país e que entre em contato com outros investigados.

A decisão entrou nesta quarta-feira para análise do plenário do STF.

O caso era complicado. Se considerarmos que Aécio sofreu punição semelhante à pena de cadeia, o princípio da imunidade parlamentar estaria sendo rompido.
Para Edson Fachin, relator do caso, não se trata disso. Importa zelar pela continuidade das investigações, sem que se esteja com isso condenando Aécio. As medidas decretadas são ações a que todo cidadão está exposto.

Exposto, sim, pelo Código de Processo Penal, concordou Alexandre de Moraes. Mas nada pode prevalecer sobre a Constituição.
Seu voto recebeu apoio exaltado de Gilmar Mendes.

Suspende-se um juiz, disse Gilmar, só quando há denúncia formalizada. Vamos suspender um senador sem nem mesmo haver denúncia?
Muitos parlamentares já são réus, e não foram afastados. Fazer isso contra Aécio seria arbitrariedade. Direito constitucional da malandragem, bufou.

Veio o contra-ataque de Luís Roberto Barroso. Temos de romper com um "pacto oligárquico", disse ele, voltado a "saquear o Estado".
Ele resumiu as suspeitas contra Aécio; seus associados já estavam presos. Como permitir que o senador leve a vida "como se nada tivesse acontecido"? Frequentando "baladas, festas..."?

Se era para não parecer arbitrário, Barroso ia seguindo um mau caminho.
Mas ele fortaleceu o argumento. Na eventualidade de um parlamentar agredir a mulher, teremos de aplicar a Lei Maria da Penha, determinando que ele se distancie da agredida... Vale imunidade num caso desses?

Rosa Weber concordou com Barroso. A Carta protege o mandato, não a pessoa do parlamentar. Disciplina, ademais, a perda do cargo -e não um mero afastamento.
Seria preciso, acrescentou Luiz Fux, que a Constituição proibisse explicitamente a aplicação de medidas como as tomadas contra Aécio. Se a Carta silencia, o STF está autorizado a impô-las.

Para outros ministros, o raciocínio é inverso. Se a Constituição só admite prender o parlamentar numa hipótese precisa, nada se pode fazer fora disso.
Foi esta a linha seguida por Dias Toffoli, acompanhando Alexandre de Moraes, e citando apesar disso os casos de "superlativa excepcionalidade" em que o afastamento de parlamentares se impôs.

Com uma fita do "outubro rosa" na lapela, Ricardo Lewandowski também votou a favor de Aécio. O contexto, avançou Gilmar Mendes, é o das pressões organizadas pelo ex-procurador geral, Rodrigo Janot. Sabe-se lá "quais lambanças" em matéria de provas e indícios foram feitas. Haveria um "transe" acusatório no país, com ajuda de uma "mídia opressiva".

O 5 a 4 veio com Marco Aurélio Mello, recusando o que chamou de "punitivismo" contra o senador.
Celso de Mello empatou de novo: para ele, as medidas contra Aécio não são punitivas, e não podem ser revogadas pelo Congresso. O STF, frisou, fecha a questão.
Responsabilidade que coube à presidente da Corte, Cármen Lúcia. Depois de falar bastante a favor de Fachin, e contra a "impunidade", ela terminou sem jeito.

Aceitou algumas "medidas cautelares", mas não a que afasta Aécio do seu cargo desde já. Só com autorização do Senado isso será possível.
Ora, disseram outros ministros, qualquer das outras medidas -como o recolhimento noturno- também traz embaraço ao exercício do mandato. É "afastamento indireto", atacou Alexandre de Moraes.

Cármen Lúcia não queria chegar a tanto. Seu desconforto, sua confusão e seus engasgos eram nítidos. Queria evitar o afastamento, sem negar as outras medidas. Que, na prática, atingem o mandato de Aécio também.

A falta de clareza de Cármen Lúcia dificultava tudo. Fez-se uma redação genérica, de modo a aplacar seus embaraços. Bem ou mal, Aécio continua senador. Esperem-se os embargos de declaração.

 

Conclusão:

O julgamento de ontem revela não só a complexidade da controvérsia jurídica mas a complexidade da própria conjuntura nacional. Estamos irremediavelmente divididos em posições polarizadas e  antagônicas, com evidente erosão do centro para se oferecer como alternativa histórica. A vacilação da Presidente Carmem Lúcia é expressão histórica deste evaporação de alternativas: Garantistas x Punitivistas, expressando as alternativas de defesa do sistema institucional em garantir a democracia, de um lado, e punitivistas, acreditando mais na mão de ferro em nome da Lei, como saída da crise. No extremo do garantismo, o Ministro Marco Aurélio, num suspiro de fé no liberalismo agonizante. No extremo oposto, o Ministro Barroso, acreditando possível fazer justiça com as próprias mãos, ainda que enluvadas pela Lei. No meio, uma voz surda e rouca em busca de um destino. No fundo, o velho conflito, clássico, entre o espírito da Lei e a letra da Lei. Fico com a o primeiro, ainda que com a ressalva de que, se às vezes eu me engano, por que não também neste caso…

 

 

 

 

Outubro, 08

 

Autoritarismo, Medo e Violência no Brasil

Paulo Timm – Especial para Reporter Independente, Brasilia

                  "Estamos sob ataque de grupos que professam sua fé na violência como forma de governar e de, paradoxalmente, pacificar a sociedade, em uma espécie de vendeta moral e política que parece cada vez mais ganhar adeptos",

 Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do FBSP, Pesquisa Datafolha sobre Violência -2017

 

                                                           *   

Crescemos com a ideia de que o Brasil era uma Terra da Promissão onde Deus nos havia poupado de graves traumas da mãe natureza e, ainda por cima, nos brindado com uma cordialidade que encantava todos os que aqui chegavam. Não faltaram obras que alimentaram esses mitos. Terra da Promissão, aliás, é o título de um livro de uma famosa atriz de Holywood, nos áureos anos 50 da década passada, encantada com a Região de Anápolis e que acabou trazendo para esta cidade uma plêiade de anarquistas e intlectuais que pontualizaram a vida da cidade naquela época com profundas discussões sobre a diferença entre o drama e a tragédia nos clássicos gregos, bem como sobre os destinos da humanidade. Deles descendem meu Editor Franck Soudant, da Paralelo 15 e o velho amigo, já falecido, Paulo Bertran.  Recentemente, outro  best seller levado às telas, enaltecia o homem brasileiro: “Comer, amar, rezar…” Pois bem, Deus parece que se cansou de tanta bondade conosco. Talvez tenha se cansado de sua própria obra. Os últimos anos vêem castigando o Brasil com  56 milhões de nordestinos secularmente mergulhados na pobreza, com uma seca inclemente, as tempestades vêem açoitando os sulistas, a Amazônia sendo devastada , a recessão econômica colocando no desemprego cerca de 13 milhões de brasileiros, o narco-tráfico, que já tomou conta do Rio de Janeiro e daí espalhando-se para o país inteiro com base no vício e a violência que mata 50 mil brasileiros por ano, mais do que a Guerra na Síria, maior parte deles jovens de 18-25 anos, negros e pobres. A harmonia política já cedeu lugar, há tempos,  à polarização intolerante e, com tudo isso, cresce o medo na sociedade. Coroando o inferno astral, um vice-Presidente, eleito numa chapa de esquerda, assume o Governo e implementa  o mais conservador plano de austeridade do mundo, cortando históricos direitos sociais e recolocando o Brasil no Mapa da Fome. Assim,  o medo, que é mau conselheiro, ainda que inerente à condição humana, se transforma em pavor e toma conta da sociedade. Resultado: Sinistrose. Pânico diante da crise. Muitos fogem para o exterior, os que ficam querem se mudar para áreas menos conflagradas, outros querem se armar. Até os Agentes de Trânsito querem, agora, o direito de usar armas…Todos clamam pela Polícia, mas Polícia não há. Então gritam por mais autoridade e acabam na vala comum do autoritarismo.

Adeus democracia!

Mais da metade dos cariocas, segundo recente Pesquisa,  quer deixar o Rio, marca, aliás que vem sendo registrada há dez anos, mas que vem piorando, diante dos tiroteios nas favelas. Sete em dez moradores da cidade afirmam que se mudariam se pudessem, pois um terço deles já presenciou algum disparo  e 67% dos entrevistados dizem ter ouvido tiros.

2017 - http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/10/1925156-7-em-10-moradores-do-rio-quererem-deixar-a-cidade-por-causa-da-violencia.shtml

2006    http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI965335-EI316,00-Mais+da+metade+dos+cariocas+quer+deixar+o+Rio.html

 Outra Pesquisa, divulgada na semana passada, aponta  para este regime de terror que tomou conta dos brasileiros: Preferem o autoritarismo, reacendendo o aventureirismo de alguns generais saudosos da ditadura militar, quando as denúncias de corrupção eram silenciadas nas salas de tortura, quando não um candidato à Presidência em 2018 com este perfil. Pior: a Pesquisa demonstra profundos preconceitos da população contra os pobres, tomados como preguiçosos, e gays, identificados como criadores de problemas.

 

       “Tendência para o autoritarismo é alta no Brasil, diz estudo

(…). 

 Esta é uma das conclusões do estudo (Datafolha) "Medo da Violência e Autoritarismo no Brasil", realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), uma entidade sem fins lucrativos, que elaborou no país um inédito Índice de Propensão ao Apoio de Posições Autoritárias. 

 (…)

 Os enunciados se filiam a três categorias: "submissão à autoridade", "agressividade autoritária" e "convencionalismo". A que apresentou médias de propensão ao autoritarismo mais altas foi a primeira —"submissão à autoridade". O resultado pode ser relacionado a traços reconhecíveis da cultura política do país, como o prestígio de lideranças fortes e personalistas —à direita, mas também à esquerda, como ressalta Fernando Abrucio, professor da FGV

 

(…)

Verificou-se que a tendência autoritária é mais acentuada entre os menos escolarizados, os de menor renda, os mais velhos, os pardos, aqueles que habitam municípios menos populosos e os que vivem no Nordeste. 

 

Na curva etária, chama a atenção que a faixa de 16 a 24 anos se mostre mais inclinada ao autoritarismo do que as duas subsequentes (25 a 34 e 35 a 44 anos). 

 

Para Sérgio de Lima, tal inclinação justificaria o esforço nas redes sociais de grupos de jovens conservadores para exercer influência nas eleições de 2018. Quanto a classes e regiões, a maior adesão entre os de menor renda e no Nordeste sugere "um pedido de socorro". Os pobres estariam frustrados com recuos sociais e seriam mais reféns do medo da violência

 

Eis suas percepções e conclusões:

 

 

COMO FOI FEITA A PESQUISA
O índice foi construído pelo grau de concordância dos entrevistados frente às afirmações:

 

Convencionalismo
7,36
"A maioria de nossos problemas sociais estaria resolvida se pudéssemos nos livrar das pessoas imorais, dos marginais e dos pervertidos"
"Se falássemos menos e trabalhássemos mais, todos estaríamos melhor"
"Deve-se castigar sempre todo insulto à nossa honra"
"Os crimes sexuais tais como o estupro ou ataques a crianças merecem mais que prisão; quem comete esses crimes deveria receber punição física publicamente ou receber um castigo pior"
"Os homossexuais são quase criminosos e deveriam receber um castigo severo"
"Às vezes, os jovens têm ideias rebeldes que, com os anos, deverão superar para acalmar os seus pensamentos"
"Hoje em dia, as pessoas se intrometem cada vez mais em assuntos que deveriam ser somente pessoais e privados"

 

Submissão a autoridades
8,08
"A ciência tem o seu lugar, mas há muitas coisas importantes que a mente humana jamais poderá compreender"
"Os homens podem ser divididos em duas classes definidas: os fracos e os fortes"
"Um indivíduo de más maneiras, maus costumes e má educação dificilmente pode fazer amizade com pessoas decentes"
"Todos devemos ter fé absoluta em um poder sobrenatural, cujas decisões devemos acatar"
"Pobreza é consequência da falta de vontade de trabalhar"

 

Agressividade autoritária
6,50
"O que este país necessita, principalmente, antes de leis ou planos políticos, é de alguns líderes valentes, incansáveis e dedicados em quem o povo possa depositar a sua fé"
"A obediência e o respeito à autoridade são as principais virtudes que devemos ensinar às nossas crianças"
"Não há nada pior do que uma pessoa que não sente profundo amor, gratidão e respeito por seus pais"
"Nenhuma pessoa decente, normal e em seu são juízo pensaria em ofender um amigo ou parente próximo"
"O policial é um guerreiro de Deus para impor a ordem e proteger as pessoas de bem"

 

 
 
 

 Fonte:Editoria de Arte/Folhapress

       

 

 

Daí destes dados o  que chamo sinistrose, que é a potenciação psicológica do trauma: Os brasileiros estão inclinados à uma reversão autoritária na vida pública do país, sem perceber que este retrocesso aprofundará ainda mais as perdas  de direitos sociais arduamente conquistados na Constituição de 1988. Vi a mesma coisa em 1964 quando as ruas se encheram com “Marchas por Deus, Família e Liberdade”, como as vi, no Chile, em 1973, sob o título de “Marcha com Deus pela Pátria e Liberdade#. A diferença é que, naquela época, a Igreja Católica respaldava um clamor de uma classe média temerosa do “avanço vermelho”. Hoje nem existe Guerra Fria, nem ameaça comunista. O medo também mudou de lugar, concentrando-se nas classes de renda mais baixa, pouco ilustrada, moradora nos subúrbios das grandes cidades e fortemente influenciadas pela mensagem neopentecostal e moralista das Igrejas Evangélicas. Mas o resultado é o mesmo: A ilusão autoritária, na sua versão peso pesado, à la Mourão, peso dissimulado, à “Doré”, ou simulado, à la Bolsonardo.  Triste.  

 

Outubro, 05

 NOSSAS DIFERENÇAS

“A alternativa progressiva seria fazer com que os ricos contribuam mais para a redução da desigualdade. Essa foi uma falha dos governos do PT. Demoramos muito para enfrentar o problema. Corrigir esse erro é o caminho a seguir, além de ser perfeitamente compatível com o combate à corrupção.”

NELSON BARBOSA in Cada país tem a desigualdade que escolhe? FSP 29/09/2017  

 

                                                       *

A última pesquisa DATAFOLHA de preferência eleitoral à Presidência  ouviu 2.772 pessoas nos dias 27 e 28 de setembro  e  mostra Lula/PT, na ponta, com 36%, seguido de Bolsonaro/PSC e  Marina Silva/Rede  ambos em torno de 15% , seguindo-se João Dória ou Governador Alkmin, pelo PSDB, com 8% e assim por diante.

 Diante disso, tenho ouvido uma pergunta recorrente? Como Lula, com todas as denúncias e processos a que responde ainda tem tantos admiradores? Será isso um efeito seita, muito próprio do PT, através do qual seus militantes ficam obliterados à outras alternativas, mantendo lealdade incondicional ao Partido em qualquer situação? Afinal, o PT ainda é o maior Partido no triste cenário partidário da vida pública nacional. Até pode ser. Creio, etretanto, que devemos pesquisar melhor as origens das preferências eleitorais, a partir de algumas clivagens sociais.

 A sociedade brasileira é muito dividida. E não são apenas segmentos de renda, mas de cultura, de moradia, de expectativas, inclusive de vida. Os mais pobres vivem, em média, 55 anos, os mais ricos, mais de 80. Jovens de 18 a 25 anos, negros e pobres são as maiores vítimas de homicídios. Isso contribui, junto com outros fatores sociais, para a menor expectativa de vida dos mais pobres. Temos pouco mais de 100 milhões de brasileiros que ganham até 1 Salário Mínimo, dos quais 60% não tem acesso à INTERNET; cerca de 40 milhões que ganham entre 1 e 5 Salários;  e uma vigorosa classe média, de outros 40 milhões, de nível internacional, que tem casa e carro próprios, filhos em escola privada, acesso à TV a cabo e INTERNET rápida e confortáveis planos de saúde para toda a família. Ora, é muito difícil imaginar um Partido e um candidato que não só lidere toda esta fraturada sociedade, extremamente desigual, como seja capaz de formular uma política de Governo que satisfaça a todos. Haja líder! De resto, as últimas décadas trouxeram à tona das cidades o protagonismo de grandes massas suburbanizadas, com vínculos trabalhistas precários, as quais têm se sensibilizado com o discurso neopentecostal conservador das igrejas evangélicas. Antigamente, na era industrial, essas grandes massas ficavam à mercê do discurso político, de maior densidade ideológica, transmitido por sindicatos e partidos populares. E a vida urbana era dominada pelos filhos das elites que faziam , à sua menaeira, a Hiatória. O Brasil, enfim, hoje,  é  outro. Trata-se de  uma sociedaade em pleno movimento e que se mobilizou muito depois da Constituição de 1988, a qual estendeu amplas garantias de expressão e organização aos novos agentes da sociedade civil.

O que isso significa em termos de preferência eleitoral?

As grandes massas , eminentemente urbanas, constituem metade do eleitorado brasileiro. Elas se dividem entre a memória secular a um Governo que lhes entregou inequívocas melhorias, bastando ver isso no aumento do Salário Minimo na era petista, de 80 dólares para 300 dólares, desconhecendo as implicações de Lula com a Lei, e uma outra parte, mais influenciada pela mística religiosa, leal a rígida hierarquia conservadora dos evangélicos e que se volta para uma candidatura popular com a qual melhor se identifica, neste caso Marina Silva. Este grupo tem a grande vantagem de ser facilmente mobilizável sendo capaz de dar disso demonstrações ao longo do processo eleitoral, numa réplica do que foram, na década de 60, as Marchas com Deus, Família e Liberdade. Um e outro até pode optar pelo voto num militar que promete o punho de ferro da era da ditadura, como o Capitão Bolsonaro, ou num voto de confiança no neoliberalismo tucano, mas isso são excessões. A preferência por estas duas alternativas, que aliás, não chega a 30%, corresponde exatamente aos extratos mais altos da sociedade brasileira que não só nada devem à era lulo-petista, como com ela se escandaliza, influenciada pela torrente de notícias sobre supostos desmandos de seus líderes.

Em resumo, a esquerda hegemonizada pelo PT não foi capaz de estender sua influência ideológica às bases que pretendeu apoiar, levando, inclusive, ao paroxismo da consigna “Nós (os pobres) contre Elles (os ricos ou mais ricos).” Esta base foi corroída pelo cotidiano e gris da suburbanização empobrecida através do trabalho sistemático dos pastores evangélicos. Enquanto o PT se preocupava com Brasília, os evangélicos ocupavam a medula da pobreza. Deu no que deu. A eleição de Marcelo Crivella , para a Prefeitura do Rio, é um preâmbulo do que pode acontecer no país em 2018.  Ou seja, Marina vai crescer. Se Lula não concorrer, ela já é a líder das pesquisas…

  

Setembro, 30

A ILUSÃO AUTORITÁRIA

                                          Paulo Timm – Especial para REPORTER INDEPENDENTE, Brasília 

"Quando os partidos perdem força, a personalização vira a condição da política"
PERRY ANDERSON in A Berlusconização da Politica.

 

“…a máquina do mundo se entreabriu

para quem de a romper já se esquivava

e só de o ter pensado se carpia.”

Drummond de Andrade , in A máquina do mundo.

 

 

 “Freud sabe que o amor não é apenas o nome que damos a uma escolha afetiva de objeto. Ele é a base dos processos de formação da identidade subjetiva a partir da transformação de elementos libidinais em identificações”.

Vladimir Safatle in " O circuito dos afetos" , Autentica, SP,2015, pg. 61 

                                                                    * 

A humanidade não tem mesmo jeito. Quando a gente pensa que vai entrar num novo patamar de paz e prosperidade para todos os povos, sobrevém um tsuname e arrasa com tudo. Aí é pau, é pedra, é um espinho no pé e nem sempre um lugar pra esperança no coração…Isso teria acontecido em escala internacional, na Modernidade, no Congresso de Viena, em 1815 –

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiageral/congresso-viena.htm ,

que pôs fim às tropelias napoleônicas que  repercutiram até aqui na América Latina. Devemos nossas independências a este lapso da dominação colonialista.  Com efeito,  houve uma certa tranquilidade até 1848, quando a Europa inteira foi sacudida por violentas irrupções sociais, que advertiam para a entrada em cena de um novo protagonista político alimentado pelas ideias da Revolução Francesa: as massas urbanas famintas e  enfurecidas. O fantasma do comunismo, como disse Marx no Manifesto Comunista publicado naquele ano.  E de novo o pau, a pedra, o espinho no pé… e sangrenta repressão. Mas  fez-se a paz, a ferro e fogo.  Pouco mais de um século depois, no fim da II Grande Guerra, em 1945, o mundo, embora destroçado e com uma passivo de 50 milhões de mortes, respiraria novos ares coloridos pelas películas holywoodianas, num suspiro auspicioso, contudo contido pela Guerra Fria. Mas esta geopolítica tinha fronteiras e os supostos inimigos se respeitavam sob o horror do holocausto nuclear. O desmantelamento da União Soviética, em 1991, ainda impulsionaria a ideia de chegáramos ao fim da História. O liberalismo americano, pontificava, então, triunfante, como a única alternativa possível no sendeiro da civilização.  Durou pouco. Em 2001 um novo cenário, anunciado pelo atentado às Torres Gêmeas avisava que nem tudo era tão pacífico como se pensava. Pau, pedra, espinho no pé, o velho refrão. O novo protagonista não era o filho bastardo do iluminismo, o comunismo, mas o brado voluntarista da fé jihadista: “Ou crê ou morre!”, num eco tardio das Cruzadas medievais. Um passo atrás. Ódio não só às potências colonais mas à civilização ocidental. E, pouco depois, mergulhamos na grande crise financeira de 2008 da qual o planeta inteiro ainda não se recuperou. Nem há garantias de que o faça, sem profundas mudanças no sistema econômico cada vez mais devorado pela ganância financeira. Mais pau, mais pedra, mais espinho no pé e muito vidro quebrado em manifestações violentas mundo afora.

Gradualmente, vamos nos dando conta de que nem só por crises econômicas somos abalroados. Pairam sobre nós  outros cavaleiros do apocalipse: A ameaça nuclear, retomada pela entrada da impertinente Coréia do Norte no Clube Atômico, num preciso momento em que a grande nação do Norte se encontra nas mãos de um impetuoso e destemperado Presidente. Mas também a degradação ambiental, cujo capítulo mais devastador é o efeito estufa que empurra ciclones cada vez mais aterradores sobre a Terra. Mas há ainda mais o curso da anarquia e das guerras intestinas na África e Ásia Menor, cujo episódio mais visível são os milhares de refugiados que invadiram a Turquia, que já abrigou cerca de 4 milhões de sírios , iraquianos e afegãos, e a Europa – só na Alemanha teria chegado um milhão deles. Pior do que tudo isso: a constatação que a renda, a riqueza e o prestígio são cada vez mais concentrados no mero 1% da população mundial, apontando para uma inevitabilidade dos tempos: Serão eles os beneficiários do salto na espécia de Homo Sapiens para Homo Deo. Ou seja, só uma estreita minoria da humanidade terá acesso aos avanços da engenharia genética que os capacitará a ocupar um lugar ativo no futuro sistema tecnológico. Com isso, chegamos à ficção científica prenunciada por Arthur Clark em “A cidade e as estrelas”…

Daí a pergunta: Como entrentar estes desafios que ameaçam a sobrevivência da civilização nas bases  que conhecemos?

Aqui a indagação se volta à dúvida: Não há uma resposta racional e científca  a todos estes problemas. A sinarquia, como Governo de sábios, tão ao gosto de Platão é uma pista falsa. As respostas terão que ser alimentadas pela Política, que é o reino das opiniões desencontradas à espera de um discurso hegemônico, onde nem sempre educação ou informação ajudam muito. A alma fala mais alto. Veja-se o exemplo da Alemanha,  um país altamente desenvolvido já em 1933 e que, não obstante,  mergulhou, compactamente, na ilusão autoritária do nazismo e que, mesmo depois da comprovada barbárie deste regime, agora o repõe no Parlamento, graças a 13% dos votos de seus eleitores. E de nada adianta chorar, como vi, em imagens, alguns jovens alemães lamentando o fato. Não vamos tão longe na geografia e na história: Um certo general da ativa, semana passada, defendou a intervenção militar como solução para o Brasil. Saudades do autoritarismo…E nem será punido, num flagrante descumprimento do Regulamento Disciplinar do Exército e em verdadeiro atentado à Constituição.

Se temos dúvidas sobre os caminhos do mundo e do Brasil em particular, melhor, mesmo, é consultar o coração, que abriga nossos princípios e valores. Não chegaremos jamais a qualquer consenso, nem com o recurso à burrice generalizada, como pretendia o grande Nelson Rodrigues, mas, pelo menos, ficaremos em paz com nossas consciências. Um certo americano ,Monty Roberts, ensinou ao mundo a doma racional, diria melhor, amorosa, como maneira adequada de domar cavalos. Virou um belo filme. Trata-se de  um homem doce, que acredita em mediações afetivas como criterio da dominação do homem sobre a natureza.

https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwiKqsu4qcDWAhWGD5AKHZbCC18QtwIIJzAA&url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3Dp_0q4HMjirs&usg=AFQjCNHaeLzWJ0T8RO8rwTbElJ28ccl9bg

Mas ainda assisto, aqui, e acolá, vejo gente chicoteando suas montarias, não sem alguma pitada de sadismo. Como há muita gente prometendo resolver os problemas da humanidade na porrada, como se tudo se resumisse à palmatória.

Nas sociedades humanas, inevitalmente marcadas por algum tipo de dominação, emergem justas ou injustas disrupções. Frente a elas duas atitudes: há gente que acha que falta chicote, que cultivam o ódio como fermento do ativismo político e  há,  felizmente, outros, que  acreditam na dialética  da persuasão, ainda que seus resultados  demorem mais. Regem-se, estes, por duas britânicas inspirações: O reconhecimento do playground afetivo como aquarela da relação  entre humanos e a obediência ao fairplay, tal como proposto por Pierre de Coubertain . http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI6938-15294,00-COMO+SURGIRAM+OS+JOGOS+MODERNOS.html  -  ao retomar, em 1896,  as competições olímpicas, a saber:  o respeito às regras, o respeito ao outro e o respeito ao público. Nada mais adequado como fórmula da convivência social.  Sempre haverá competição de interesses e ideias, nunca o pleno entendimento. Haverá sempre distintos valores informando diversas opiniões que desembocam em decisões  políticas. Neste tortuoso sendeiro pululam  prudentes e destemperados. Torço para que não caiamos na tentação autoritária. Ela tem muitas caras, da esquerda à direita, todas transitórias, invocadas pela personalização que costuma acompanhar as crises políticas. Para isso é preciso coragem e a convicção de que tanto as vitórias quanto às derrotas são igualmente importantes à experiência humana. O pacifismo, a propósito,  não significa covardia nem fuga aos problemas que nos afligem. Ele alimentou os mais bravos líderes do século XX: Luther King, Gandhi, Mandela.   A coragem, de outra parte, emerge como determinação, longe da bravata, a todo momento. Um um certo Cel. Stanislav Petrov, por exemplo, em 1983, incognitamente falecido a 19 de maio deste ano, quando, responsável pelo acompanhamento eletrônico do espaço aéreo soviético, com poder de responder com mísseis nucleares a qualquer invasão recusou-se a apertar o botão quando inesperadamente constatou no radar coisas estranhas que pareciam uma invasão. Preferiu imaginar  que também poderia ser apenas um mau funcionamento das máquinas. Tinha razão. Evitou o caos, salvou a humanidade, escutando sua consciência e assumindo os riscos. Foi inicialmente punido com severidade, mas com o tempo reconhecido pelo seu gesto humanitário, inclusive pela ONU. Agradecemos a ele aqui estarmos a pensar o futuro.  Exemplo de que grandes decisões políticas dependem tanto de processos relativos a seu curso específico, como Partidos, líderes, eleições e parlamentos, quanto de de atos de responsabilidade pessoal. Belo exemplo. Aleluia! Axé Petrov!

 

 Setembro 29

E daí…?

                                                                    P.Timm- Especial A FOLHA, Torres set 29

E daí , indaga a letra de uma velha canção de Lupicínio Rodrigues? E DAÍ EU COMECEI A COMETER LOUCURAS…, responde.

É uma boa metáfora da conjuntura nacional…

Volto à Política, cujos ecos gritantes não me permitem o conforto poético. É muita gritaria….

Quatro petardos nos últimos dias:

   1.O pronunciamento em Loja Massônica de Brasília, a 15 de setembro, do da ativa, Antônio Hamilton Mourão,justificando a intervenção militar,

  1. A carta de Palocci reiterando suas denúncias a Lula,
  2. A decisão do Supremo fulminando o Menino do Rio, que deve revirar o seu respeitável avô na tumba.
  3. A entrada de Aldo Rebello, velho e respeitável comunista, do PcdoB, no PSB.

 

Seria de se perguntar: O que desejam os protagonistas com tais gestos?

Primeira observação: Estes fatos não são independentes; eles se articulam no bojo da crise política que assola o país

Seguem daí as conclusões óbvias:

  1 . O tecido institucional está em ponto de ruptura, a mais séria, talvez, desde 1964, com risco crescente de sobressaltos. O Pacto de 88, que consolidou a redemocratização está em ruinas, seja no mérito de suas conquistas como Constituição Cidadã, coroada de direitos sociais, paulatinamente cassadas pelo Governo Temer,  seja na sua proposta de Governança com um Governo de coalizão parlamentar, uma sociedade aberta à livre organização e expressão, amparada por um Ministério Público autônomo e atuante. A premissa de um novo papel das Forças Armadas como suporte armado da Constituição vai, gradualmente, cedendo lugar à bravatas que bem podem se converter em incidentes irrecorrível.

  1. O sistema político chegou ao rés do chão, com reiteradas confirmações de baixíma credibilidade nas instituições, começando pela Presidência da República, acossada pela segunda denúncia, ontem lida na Câmara dos Deputados, além da rejeição explícita da parte de 97% dos brasileiros. Cerca de 20 Movimentos organizados espreitam com atenção, como fez o Podemos na Espanha, a oportunidade para se converterem em instrumento político. Outros setores, independentes, procuram retomar o espaço deixado pelos caídos, não raro numa tentativa de reconstruir uma alternativa ora de direita, ora de centro, ora à esquerda. Dentre eles merecem destaque os movimentos do Ministro Meirelles, de Marina Silva junto a personalidades prestigiadas, Cristovam Buarque se rebela e o próprio Aldo Rebelo vem à tona, com um programa capaz de atrair parte da esquerda. Eis suas declarações recentes: O senhor acha que por trás do impeachment havia esse interesse de entrega do patrimônio brasileiro?
    Depois do pré-sal os americanos rearticularam uma frota para vigiar essa parte do Atlântico, o Brasil passou a figurar como um grande protagonista, player na área de energia. Há gente bem informada que julga que os elementos, as gravações que deram origem a esse processo, sequer foram feitos por instituições nacionais, foram colhidas de alguma forma pelos métodos que levaram à gravação da presidente do Brasil, da primeira-ministra da Alemanha e depois repassados de alguma maneira para que esse processo fosse desencadeado. Há méritos do combate à corrupção – isso precisa ser reconhecido e valorizado. Mas não se pode fechar os olhos para a destruição da economia, de empregos, da ciência, tecnologia.

As especulações ganharam força porque:

* Rebelo disse que iria para o PSB na “hora certa”;
* As manifestações de chefes militares nos últimos dias podem ser entendidas também como um fora Temer;
*Rodrigo Maia ameaçou Temer com uma rebelião logo agora, que a segunda denúncia contra o usurpador chegou à Câmara, usando como desculpa quizílias partidárias de segunda ordem;
*Temer publicou um vídeo espantoso nas redes sociais, prometendo ‘resistir’ no tom de um Nixon ou Collor.Ele fala que é vítima de uma conspiração. Pode ter razão. É importante lembrar também que o Brasil institucional sempre abominou o povão e preferiu resolver as coisas em conchavos de bastidores.

 

  1. Os dois maiores Partidos – PSDB e PT - , que se sucederam organicamente por 20 anos no poder, estão seriamente abalados pelas flechas da Operação Lava Jato, com número expressivo de suas maiores lideranças à beira da prisão por sentença passada. Isso torna o processo eleitoral de 2018 uma verdadeira loteria, mais marcada pela rejeição aos nomes apresentados por Partidos tradicionais do que por positiva experiência. Com isso, diz o Cientista Poltico Benício Schmidt: “Não haverá mais abertura democrática, pois os recessos que Temer patrocina serão difíceis de desmontar, mas mais corporativismo. Estaremos em outro patamar. Difícil e mais complexo1.

 4.Lula, a maior liderança do país, com maior preferência eleitoral para 2018, está no seu inferno astral, ameaçado pela confirmação de sua sentenção pelo TRF-4 , de Porto Alegre, e pela delação de seu braço direito por 30 anos, figura chave de seu Governo, o ex-Ministro Palloci. Na carta, Palocci diz que:

  • “Defende um acordo de leniência na Lava Jato para o PT
  • As declarações dadas no depoimento a Moro “são fatos absolutamente verdadeiros”, situações que presenciou, acompanhou ou coordenou, “normalmente junto ou a pedido do ex-presidente Lula”
  • Diz ter certeza que Lula irá confirmar tudo, “como chegou a fazer no ‘mensalão’” em entrevista na França
  • Houve uma evolução e acúmulo de corrupções nos governos a partir do segundo mandato de Lula
  • Foi um choque ter visto “Lula sucumbir ao pior da política no melhor dos momentos de seu governo”
  • Que foi um erro eleger e reeleger um mau governo, que destruiu “cada conquista social e cada um dos avanços econômicos tão custosamente alcançados”
  • Que Lula encomendou sondas e propinas em uma reunião com Dilma e José Sérgio Gabrielli no Palácio da Alvorada, “na cena mais chocante que presenciei do desmonte moral da mais expressiva liderança popular que o país construiu em toda nossa história"
  • Que passou a ser alvo de “um tribunal inquisitorial dentro do próprio PT” ao falar a verdade
  • Questiona “até quando vamos fingir acreditar na autoproclamação do ‘homem mais honesto do país’”
  • Questiona se “somos partido político sob a liderança de pessoas de carne e osso ou somos uma seita guiada por uma pretensa divindade?”
  • Que mesmo nos melhores anos do governo Lula “já se via a peçonha da corrupção se criando para depois tomar conta do cenário todo”

 Com isso tudo, segue o barco da sucessão, cada vez mais questionada como possibilidade de salvar a frágil e fugidia democracia brasileira. 

Eis, enfim,  o cenário geral, na pena de Vladimir Safatle, um dos analistas políticos mais radicais do país, professor da USP:

A política só existe como aposta na força plástica das metamorfoses do humano.

(…)

Ao que tudo indica, há três possibilidades. (para 2018)

 A primeira é que nada ocorra e que assistamos à decomposição de um país comandado por uma classe política de criminosos contumazes e indiciados capazes de se preservar a despeito de tudo. Neste país em decomposição, nenhuma instituição funciona de forma minimamente normal.

Uma sociedade em tal grau de decomposição necessita de níveis ainda não vistos de violência estatal. Isto pode levar a um segundo cenário, ou seja, a um puro e simples golpe de estado. Vimos nos últimos dias como generais na ativa já tramam abertamente tal possibilidade.

Por fim, há ainda a possibilidade de aqueles que lutam pela transformação do Brasil em uma sociedade igualitária, livre e solidária constituírem um corpo político e entrarem em constelação. Pois não é verdade que não haja mobilizações contra tais cenários terminais. Só nos últimos meses vimos uma greve geral de 35 milhões de pessoas.

No entanto, ainda não há campo algum que consiga constituir toda esta energia de revolta em uma força política capaz de agir em conjunto, a despeito da multiplicidade de suas vozes. Para isso, entre outras coisas, há de se deixar de uma vez por todas de desconfiar da força de transformação das ideias.

Esquerda cresceu onde radicalizou sua pauta, afirma Vladimir Safatle

 

 

 

 

 



Total de visitas: 4721
Início


XXXXXXXX
MATÉRIA EM DESTAQUE´08  OUTUBRO

Tendência para o autoritarismo é alta no Brasil, diz estudo


06/10/2017 MARCOS AUGUSTO GONÇALVES
DE SÃO PAULO

Lalo de Almeida/Folhapress

 

Os brasileiros têm alta propensão a apoiar teses autoritárias e essa tendência é reforçada pelo quadro ameaçador da segurança pública do país, que registra cerca de 60 mil mortes intencionais por ano e tem 50 milhões de adultos que declaram ter conhecido ao menos uma pessoa que foi assassinada. 

 

Esta é uma das conclusões do estudo "Medo da Violência e Autoritarismo no Brasil", realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), uma entidade sem fins lucrativos, que elaborou no país um inédito Índice de Propensão ao Apoio de Posições Autoritárias. 

 

Com base em pesquisa encomendada ao instituto Datafolha, a medição indica que, numa escala de zero a dez, a sociedade brasileira atinge o elevado índice de 8,1 na propensão a endossar posições autoritárias. 

 

A constatação mostra-se mais relevante quando os brasileiros começam a se preparar para a corrida eleitoral do próximo ano, num contexto político e social instável, em tese propício a aventuras populistas e autoritárias. 

 

"Estamos sob ataque de grupos que professam sua fé na violência como forma de governar e de, paradoxalmente, pacificar a sociedade, em uma espécie de vendeta moral e política que parece cada vez mais ganhar adeptos", diz Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do FBSP, para quem a ideia de que vivemos numa "terra devastada" favorece a exploração de supostas saídas de "cunho salvacionista". 

 

Um dos nomes que se apresentam com essas características no cenário da disputa presidencial é o deputado Jair Bolsonaro(PSC), que na pesquisa Datafolha de intenção de voto, publicada no último domingo, oscilou entre 15% e 19% nos diversos cenários propostos pelo instituto. 

 

As reais possibilidades de Bolsonaro, contudo, precisam ser relativizadas, tratando-se de sondagem realizada a um ano da data do pleito. 

 

Mauro Paulino, diretor do Datafolha, avalia que o potencial eleitoral do pré-candidato "só poderá ser confirmado no próximo ano, quando as demais candidaturas estiverem definidas, e em especial depois do início da propaganda eleitoral nos veículos de comunicação". 

 

 

Editoria de Arte/Folhapress

 
 
 

POBRES E JOVENS

 

O índice proposto pelo FBSP foi elaborado com base em tentativas de medição de tendências autoritárias na tradição das ciências sociais e da psicologia social. Tomou-se como referência inicial a escala psicométrica criada pelo sociólogo e filósofo alemão Theodor Adorno (1903-1969), no pós-Guerra, época em que trabalhou com um grupo de psicólogos sociais na Universidade da Califórnia, em Berkeley, com o objetivo de mensurar tendências antidemocráticas implícitas na personalidade de indivíduos. 

 

Numa versão mais sintética que a do alemão, o FBSP propôs 17 enunciados que foram submetidos a 2.087 entrevistados numa amostra representativa da população com 16 anos ou mais, em 130 municípios, entre os dias 7 e 11 de março deste ano.

Os enunciados se filiam a três categorias: "submissão à autoridade", "agressividade autoritária" e "convencionalismo". A que apresentou médias de propensão ao autoritarismo mais altas foi a primeira —"submissão à autoridade". O resultado pode ser relacionado a traços reconhecíveis da cultura política do país, como o prestígio de lideranças fortes e personalistas —à direita, mas também à esquerda, como ressalta Fernando Abrucio, professor da FGV

 

Na busca de um "salvador da pátria", a população poderia vê-lo no ex-presidente Lula (PT), "que tem um histórico de políticas sociais", ou em Bolsonaro. "Se isso leva à vitória eleitoral, é complicado dizer, porque há outras variáveis em jogo." 

 

A pesquisa foi decupada em algumas variáveis, como faixa etária, escolaridade, regiões, cor da pele, população dos municípios e classe social dos entrevistados. 

 

Verificou-se que a tendência autoritária é mais acentuada entre os menos escolarizados, os de menor renda, os mais velhos, os pardos, aqueles que habitam municípios menos populosos e os que vivem no Nordeste. 

 

Na curva etária, chama a atenção que a faixa de 16 a 24 anos se mostre mais inclinada ao autoritarismo do que as duas subsequentes (25 a 34 e 35 a 44 anos). 

 

Para Sérgio de Lima, tal inclinação justificaria o esforço nas redes sociais de grupos de jovens conservadores para exercer influência nas eleições de 2018. Quanto a classes e regiões, a maior adesão entre os de menor renda e no Nordeste sugere "um pedido de socorro". Os pobres estariam frustrados com recuos sociais e seriam mais reféns do medo da violência

 

ESPECIALISTAS COMENTAM ESTUDO

 

Os índices do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Datafolha serão apresentados nesta sexta (6), a partir das 15h30, no auditório do Instituto Unibanco (rua Padre João Manuel, 40). O evento é só para convidados. Renato Sérgio de Lima, secretário-geral do fórum, e Fernando Abrucio (FGV), entre outros, analisarão os dados. A pesquisa está disponível no site www.forumseguranca.org.br.

*

COMO FOI FEITA A PESQUISA
O índice foi construído pelo grau de concordância dos entrevistados frente às afirmações:

 

Convencionalismo
7,36
‣ "A maioria de nossos problemas sociais estaria resolvida se pudéssemos nos livrar das pessoas imorais, dos marginais e dos pervertidos"
‣ "Se falássemos menos e trabalhássemos mais, todos estaríamos melhor"
‣ "Deve-se castigar sempre todo insulto à nossa honra"
‣ "Os crimes sexuais tais como o estupro ou ataques a crianças merecem mais que prisão; quem comete esses crimes deveria receber punição física publicamente ou receber um castigo pior"
‣ "Os homossexuais são quase criminosos e deveriam receber um castigo severo"
‣ "Às vezes, os jovens têm ideias rebeldes que, com os anos, deverão superar para acalmar os seus pensamentos"
‣ "Hoje em dia, as pessoas se intrometem cada vez mais em assuntos que deveriam ser somente pessoais e privados"

 

Submissão a autoridades
8,08
‣ "A ciência tem o seu lugar, mas há muitas coisas importantes que a mente humana jamais poderá compreender"
"Os homens podem ser divididos em duas classes definidas: os fracos e os fortes"
‣ "Um indivíduo de más maneiras, maus costumes e má educação dificilmente pode fazer amizade com pessoas decentes"
‣ "Todos devemos ter fé absoluta em um poder sobrenatural, cujas decisões devemos acatar"
‣ "Pobreza é consequência da falta de vontade de trabalhar"

 

Agressividade autoritária
6,50
‣ "O que este país necessita, principalmente, antes de leis ou planos políticos, é de alguns líderes valentes, incansáveis e dedicados em quem o povo possa depositar a sua fé"
‣ "A obediência e o respeito à autoridade são as principais virtudes que devemos ensinar às nossas crianças"
‣ "Não há nada pior do que uma pessoa que não sente profundo amor, gratidão e respeito por seus pais"
‣ "Nenhuma pessoa decente, normal e em seu são juízo pensaria em ofender um amigo ou parente próximo"
‣ "O policial é um guerreiro de Deus para impor a ordem e proteger as pessoas de bem"

 

 

 

Pesquisa aponta que medo do crime ampara saída salvacionista no Brasil

FERNANDA MENA
DE SÃO PAULO

06/10/2017 02h00

Gabriel Paiva/Agência O Globo . http://m.folha.uol.com.br/poder/2017/10/1924785-pesquisa-aponta-que-medo-do-crime-ampara-saida-salvacionista-no-brasil.shtml

Moradores da Rocinha tentam se proteger de tiroteio em passarela durante operação de PM na favela

O medo é mau conselheiro, diz o ditado. E a insegurança que sempre caminha com ele, indica a história, tende a encorpar o apoio social a teses e medidas autoritárias na busca pela ordem.

De acordo com a pesquisa "Medo da Violência e Apoio ao Autoritarismo no Brasil", o país não foge à regra: quanto mais amedrontada a população, maior a sua propensão a apoiar o autoritarismo —que, vale lembrar, manifesta-se à direita e à esquerda.

 

CARIOCAS QUEREM DEIXAR O RIO –DATAFOLHA

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/10/1925156-7-em-10-moradores-do-rio-quererem-deixar-a-cidade-por-causa-da-violencia.shtml

MATÉRIA EM DESTAQUE 05 OUTUBRO

De Amaral Netto a Pedro Bial: as duas Globos

 Milton Saldanha - Jornal Dance, editor

De Amaral Netto a Pedro Bial: as duas Globos

Milton Saldanha,  jornalista

Erra quem diz que a Globo apoiou a ditadura. Foi muito mais do que isso: a ditadura montou a Globo. Inclusive, no governo Médici, com a liberação do contrabando. Médici queria TV a cores no Brasil e mandou a Receita Federal se fazer de morta. Podiam entrar todos os equipamentos, livres de impostos. E no menor prazo possível. Mas não foi só para a Globo. Liberou para todas.

Onde a prova disso? No livro de memórias de Walter Clark, que foi, naquele período, depois de Roberto Marinho, o homem mais poderoso da Globo, além de maior salário de executivo privado do País. Já aviso aos apressados: Clark não era e nunca foi de esquerda. Sua ideologia era a Globo, para a qual vivia em tempo integral. Por tabela, óbvio, era um homem do sistema. Logo, não existe nenhum motivo para duvidar ou colocar sob suspeita sua revelação.

A ditadura montou a Globo por vários motivos, com vista grossa ao acordo Time-Life, à margem da lei, que proibia veículos de comunicação de massa com investimento acionário estrangeiro. Entre os motivos, a Rede era parte da estratégia do projeto militar-civil do Brasil potência. E faria a consolidação da integração nacional, assentada na tecnologia que surgia com o uso do satélite, que revolucionou o sistema de comunicação e tornou obsoleto todo o resto. O satélite permitia a transmissão simultânea para todos os Estados, com possibilidade da entrada ao vivo de qualquer ponto do território. Marcou a grande mudança, e isso coincidiu com o projeto da ditadura.

O homem da ditadura dentro da Globo se chamou Amaral Netto, o repórter, nome do seu programa nas noites de domingo, quando exaltava os feitos do regime e mostrava ao povo o Brasil das grande fábricas, da Pororoca,  das colossais hidrelétricas, e vai por aí. A TV, agora a cores, dava ao monumental press release  eletrônico chapa branca toda a beleza que não teria se a TV ainda fosse em preto e branco. 

Amaral Netto, que os opositores chamavam de amoral nato, logo encontrou um parceiro, só que em outra rede: Silvio Santos, que também idolatrou a ditadura, e todo mundo esqueceu. Mas ele tinha uma dívida a pagar, que foi a concessão do canal, disputadíssimo.

“Não gosto de ser surpreendido”

Quem dizia essa frase, dentro da Globo, era Roberto Marinho, referindo-se às notícias de impacto nos seus telejornais. A frase resume a pessoa: autoridade suprema. Tudo, na Globo, foi como ele quis, até o dia da sua morte.

Isso para mim ficou mais do que evidente no dia a dia, quando lá trabalhei, anos 1980, na chefia de reportagem e edição. Não tinha essa de delegação a diretores nas questões cruciais. Quem decidia era ele. O maior exemplo foi na campanha das Diretas Já. A Globo demorou muito a começar a cobrir, e quando começou foi com timidez, por ordem de Marinho. Ele tinha lealdade aos militares que possibilitaram a edificação do seu império. Goste-se ou não, e olhando-se pelo prisma dele, isso foi decente.

A maior prova foi o grande comício da Candelária, no Rio. A TV Manchete transmitiu ao vivo, enquanto a Globo exibia sua novela das seis da tarde. E nós, na redação, vendo aquilo de mãos amarradas, loucos para estar lá com as câmeras e microfones.

 Onde quero chegar: a Globo tem que ser entendida e interpretada com dois momentos: antes e depois de Roberto Marinho.

Foi só depois da sua morte que a organização pediu desculpas ao povo brasileiro por ter apoiado a ditadura.

Momento didático de extrema importância histórica, que a esquerda burra não entendeu, não captou e não explorou,  recolhida em seus ressentimentos mesquinhos pelo passado. Sem ver a curva da História.

Hoje, quando analfabetos políticos  pedem regime militar, nada melhor do que apontar-lhes esse gesto magnífico da insuspeita Globo, que diz tudo. Porque foi a própria filha daquele regime falando.

A esquerda burra continua caindo de pau na Globo e não percebe que Amaral Netto hoje sequer é lembrado, enquanto desponta essa figura de jornalista exemplar que tem sido Pedro Bial, que já suplantou o antecessor Jô Soares, que teve o seu tempo, e a quem devemos respeito.

Não dá para entender que os tempos são outros?

Vejam a equipe formidável da Globo News. Restrições pessoais são direito de cada pessoa, refiro-me ao conjunto do grupo. Estão fazendo jornalismo critico da melhor qualidade. Idem na emissora mãe, sobretudo nos telejornais matutinos.

“Ah, mas ferraram o PT”, vai dizer algum ressentido. Não foi a Globo que ferrou o PT.  Foi o PT que ferrou-se a si próprio, com seus erros, a começar pelo esquecimento do seu ideário original. E por ter insistido na figura do velho caudilho, nele tudo apostando, navegando na tradição populista, quando o mundo moderno sugere pluralidade de lideranças e pede projetos reformistas de qualidade, e não arranjos de compadres que conciliam interesses das suas turmas.

Houve uma época em que se gritava “Fora Globo”.

Tive o desconforto de ouvir isso quando estava nos comícios das Diretas Já, como produtor, acompanhando equipes. Eles, que gritavam, não sabiam que quase todos das nossas equipes eram de esquerda, e obviamente a favor das Diretas Já.

E não entendiam que a presença ali da maior máquina de propaganda do regime que começava a cair era a prova da vitória democrática.

Quando o coração ocupa o lugar do cérebro dá nisso.  

 

MATERIA EM DESTAQUE 03 OUTUBRO

Freud disse que saúde mental é bem amar e bem trabalhar?

Eduardo Lucas Andrade  FBOOK 03 outubro


Essa poética compartilhada sem maiores críticas reafirma o mal entendido acerca da obra freudiana. Guiado pelos conceitos em alemão utilizados por Freud percebemos que a raiz deste mal entendido aponta​ como meta do tratamento a restauração prática do enfermo em sua capacidade de realizar (Leistung) e gozar (Genuss).
Mas o que realizar e gozar tem a ver com amar e trabalhar? Certamente quase nada. Qual distorção este mal entendido coloca? Coloca que quando Freud fala de realizar ele diz do desejo e este não é a coisa bela que temos maquiada pela consciência, é uma realização, uma potência psíquica. Se fosse sinônimo de trabalho seria trabalho psíquico e não este trabalho de noção capitalista que temos a pronta entrega na interpretação. A moeda corrente do neurótico é, por excelência, sua libido, Freud mesmo já postulava. E quando aponta o gozar, Freud reafirma que temos que nos virarmos com o pulsional narcísico de vida e de morte, e com o pulsional frente à sua inesgotável satisfação. Ainda que fosse amar. Ainda que fosse. O amor em psicanálise, o amor psíquico, não é o amor de construção social romântico, é narcísico, é destrutivo, é salve-se quem puder tendo o outro como suporte. Ainda diferente de amor, Freud usa o equivalente a gozo. Gozo é diferente de amor. Ô se é.
Quanto ao começo da frase o conceito saúde mental, que não é psicanalítico, sequer aparece na frase, mas se assim aparecesse teríamos uma complicação, pois o pulsional é psicopatológico por excelência. Assim sendo não teríamos, conceitualmente em Freud, esse tal de bem amar e bem trabalhar (este bem veio de bônus ao mal entendido, julgo consciente), teríamos a capacidade de estabelecer a potência para realizar (produzir algo criativamente) e gozar em seu amplo sentido de fruição.
Com esta crítica, do social capitalista e romantizado voltamos ao legado freudiano da capacidade psíquica e seu universo pulsional onde somos, sendo humanos, lobos dos humanos.

MATERIA EM DESTAQUE 29 SETEMBRO
Wanderley Diniz   FACEBOOK

""New York Times" e "Wall Street Journal" noticiaram a venda de reservas de petróleo com títulos como "atrai interesse" e se torna "o leilão mais bem-sucedido do país".

Para o "WSJ", a venda "marca a volta da Exxon", maior petroleira americana, que se associou à Petrobras para derrotar a chinesa Cnooc e outras, adquirindo blocos do pré-sal por mais de US$ 1 bilhão.

O jornal destacou que o presidente da estatal, Pedro Parente, afirmou que "a Petrobras é a empresa que tem o maior corpo de informação sobre o mar brasileiro, portanto, vocês podem imaginar que não pagaríamos o quanto pagamos se não tivéssemos informação de que valia".

O "NYT" destacou declaração do hoje consultor Adriano Pires, ex-assessor da Agência Nacional de Petróleo, para quem "o significado [do leilão] é o retorno da Exxon".

CHINA QUER OI

A Cnooc perdeu, mas o site de notícias da chinesa "Sina" deu que a China Telecom contratou o Goldman Sachs como consultor para comprar "o controle de todos os negócios" da telefônica brasileira Oi.

BOLSONARO VS. CHINA

O pré-candidato Jair Bolsonaro deu entrevista à Reuters, sob o título de que "pretende ser o Trump do Brasil". Em relações internacionais, sua "prioridade seria estreitar os laços" com os EUA, que voltariam a ser o maior parceiro comercial, no lugar da China, cujas aquisições seriam barradas:

— A China está tomando conta do Brasil.

BATALHA

Na nova "Economist", a "batalha dos conservadores sociais" latino-americanos contra direitos de mulheres e homossexuais. Suas campanhas vêm obtendo vitórias em países como Peru e Colômbia, onde derrubaram as ministras de educação, e no México.

E ameaçam os "avanços incompletos" no Brasil, por exemplo, onde "cresce o assassinato de homossexuais".

NA JUSTIÇA

Ecoou na quinta, via Associated Press, que a "Suprema Corte do Brasil permite ensino religioso em escolas públicas".

Mas a repercussão maior, sobre a batalha na Justiça, ainda é do juiz que quer permitir que psicólogos "tratem" homossexuais, no título do "Le Monde", o que causa "revolta", segundo a "Der Spiegel". O caso é explorado por tabloides como o "New York Post".

MATERIA EM DESTAQUE 07 SETEMBRO

Geração smartphone faz menos e sexo e não está preparada para a vida adulta

Geração smartphone bebe menos álcool, faz menos sexo, trabalha menos e não está preparada para a vida adulta, revela pesquisa da Universidade Estadual de San Diego31 ago

A chamada “geração smartphone”, daqueles que nasceram após 1995, vem amadurecendo mais lentamente que as anteriores.

Eles são menos propensos a dirigir, trabalhar, fazer sexo, sair e beber álcool, de acordo com Jean Twenge, professora de psicologia da Universidade Estadual de San Diego, nos Estados Unidos.

Suas conclusões estão no recém-publicado livro iGen: Why Today’s Super-Connected Kids are Growing up Less Rebellious, More Tolerant, Less Happy – and Completely Unprepared for Adulthood (iGen: Por que as crianças superconectadas estão crescendo menos rebeldes, mais tolerantes, menos felizes – e completamente despreparadas para a vida adulta, em tradução livre), com os resultados de uma investigação baseada em pesquisas com 11 milhões de jovens americanos e entrevistas em profundidade.

Em entrevista à BBC Mundo, Twenge explicou que esses jovens cresceram em um ambiente mais seguro e se expõem menos a situações de risco.

Mas, por outro lado, chegam à universidade e ao mundo do trabalho com menos experiências, mais dependentes e com dificuldade de tomar decisões.

Os de 18 anos agem como se tivessem 15 em gerações anteriores”, comenta Twenge.

Ela diz que isto tem relação com a superconectividade típica desta geração, que passa em média seis horas por dia conectado à internet, enviando mensagens e jogando jogos online.

Por conta disto, acabam passando menos tempo com amigos, o que pode afetar o desenvolvimento de suas habilidades sociais.

O estudo mostrou ainda que quanto mais tempo o jovem passa na frente do computador, maiores os níveis de infelicidade.

O que me impressionou na pesquisa foi que os adolescentes estavam bastante cientes dos efeitos negativos dos celulares”, comentou a pesquisadora.

E um estudo com 200 universitários que fizemos mostrou que quase todos prefeririam ver seus amigos pessoalmente”, continua.

Essa consciência, no entanto, não se traduz em prática.

A Geração Smartphone, segundo a pesquisa com base no universo americano, sofre com altos níveis de ansiedade, depressão e solidão.

A taxa de suicídio, por exemplo, triplicou na última década entre meninas de 12 a 14 anos.

Mas, ao mesmo tempo, trata-se de uma geração mais realista com o mercado de trabalho e mais disposta a trabalhar duro, o que Twenge vê como “boa notícia para empresas”.

Eles não têm grandes expectativas como as que tinham os millennials (a geração anterior, dos nascidos após 1980)”, compara. “Eles estão mais preocupados em estar física e emocionalmente seguros. Bebem menos e não gostam de riscos.”

Segundo o livro, por terem uma infância mais protegida, têm um crescimento mais lento. Para Twenge, “não gostam de fazer coisas nas quais não se sintam seguras, o que fazem é adiar os prazeres e as responsabilidades”.

Mas embora as principais conclusões pareçam acenar para um sinal de alerta, a pesquisadora comenta que a geração smartphone é tolerante com pessoas diferentes e ativa na defesa de direitos LGBT e da população.

E mais ainda que as gerações anteriores, eles acreditam que as pessoas devem ser o que são”, completa.

BBC

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook - https://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/08/geracao-smartphone-sexo-vida-adulta.html?utm_source=push&utm_medium=social&utm_campaign=artigos

 

 

"É muito mais difícil ser de esquerda", diz ex-militante de direita

"Ser de direita é muito fácil, afinal tudo se baseia em dizer que tudo é vitimismo, que é a favor da moral, da família tradicional e escrever 'Bolsonaro 2018' nas redes. Ser de esquerda não é fácil. Requer mente aberta, novas formas de pensar, leituras, empatia ao próximo, entre diversas outras coisas"

                                                                       Patrícia Lélis, Revista Fórum

Ser de direita é muito fácil, afinal tudo se baseia em propagar o ódio, dizer que tudo é vitimismo, sair dizendo que é a favor da moral, da família tradicional e dos bons costumes, e claro, escrever “Bolsonaro 2018” nas redes sociais. A direita não passa disso.

Ser de esquerda não é fácil. Requer mente aberta, novas formas de pensar, leituras, aulas de história, empatia ao próximo, entre diversas outras coisas. Dias atrás me peguei pensando em como o ódio é contagioso. E falo por experiência própria. Ao assistir meus antigos vídeos, me deparo com uma Patrícia que, aos 22 anos, contribui para a propagação do fascismo e do ódio a outras mulheres.

Por falar em mulheres, quero citar a querida ex-presidente, Dilma Rousseff. E, para começar a dizer qualquer coisa, tenho que pedir minhas mais sinceras desculpas. Fiz parte e fui cúmplice de um golpe. O Brasil deve um pedido de desculpas a ela.

Quem não se lembra da triste cena no estádio em que milhares de leigos brasileiros gritavam “Dilma, vai tomar no c•”. Ao assistir esse vídeo, hoje, me dói o coração por tamanha falta de respeito, sem falar do machismo. Desculpe-me por ter gritado contra você, e ter me calado perante um golpe.

O mais triste nessa história, com certeza, são as pessoas que ainda hoje, com o atual presidente Temer acabando com os direitos dos trabalhadores, vendendo tudo que temos, colocando a nossa linda e preciosa floresta amazônica em risco, e claro dizendo que mulher entende de economia, porque vai ao supermercado, ainda assim, vão contra o seu governo e, claro, a sua pessoa em particular.

Em pouco tempo na esquerda, aprendi o significado da palavra luta. Aprendo todos os dias que combater o ódio é cansativo, mas necessário. Hoje, eu entendo perfeitamente que você não fazia parte da turma dos piores bandidos, e que muitos ainda o apelidaram de “meu malvado favorito”, apenas por ter tirado de você o poder. Mais do que nunca entendo as razões pelas quais você não era capaz de negociar com Eduardo Cunha e seu congresso.

classe média direitista, que sempre é usada como massa de manobra, preferiu ver o Brasil, mais uma vez, entrar no mapa da fome do que ter uma mulher de esquerda no poder. Querida Dilma, hoje, mais do que nunca, eu entendo como é difícil ser mulher em um mundo que não suporta ver o nosso sucesso, e também entendo o quanto é difícil ser de esquerda em um pais que todos os dias regulariza e banaliza o discurso de ódio.

Eu só posso terminar esse texto dizendo: Que saudades do seu governo.

Leia também:
Patrícia Lélis revela como conheceu e namorou Eduardo Bolsonaro
De conservadora evangélica a feminista, o desabafo de Patrícia Lélis

https://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/08/dificil-ser-esquerda-militante-de-direita.html?utm_source=push&utm_medium=social&utm_campaign=artigos

 

O mundo dos paradoxos

 

O modo de vida e os direitos promovidos pelo liberalismo são consubstanciais a uma formidável extensão dos procedimentos de controle e dos mecanismos de vigilância por parte do Estado.

25 de agosto de 2017 - https://www.publico.pt/2017/08/25/culturaipsilon/noticia/o-mundo-dos-paradoxos-1782985

 

Jean Baudrillard, um sociólogo francês dado à heresia e muito pouco respeitador dos métodos e das fronteiras da sua disciplina, descobriu que naquele tempo em que se começava a usar uma nova categoria historiográfica, a pós-modernidade, as coisas tinham começado a proliferar sem medida e a tender para uma forma extrema, perdendo a sua finalidade imanente. Aquilo que se manifesta na sua “estratégia fatal” e vai para além dos seus fins entra numa lógica que Baudrillard designou com a palavra “hipertelia”. Hipertélica — o exemplo é do próprio Baudrillard — é a documentação que uma empresa americana apresentou na secção de finanças da cidade onde estava sediada, quando lhe foi exigido que justificasse a sua contabilidade: pela manhã, a empresa deixou um camião cheio de papéis à porta da secção de finanças local. Muito útil continua a ser esta ideia de que tudo passou a ser hipertélico, desenvolvendo assim uma nova forma de entropia. Vejamos alguns exemplos:

 

— Um espaço público alargado, acessível a um número cada vez maior de cidadãos, baseado no pressuposto de uma virtual transparência do mundo e anexando zonas cada vez maiores da esfera privada, cria a ilusão de que não há nada para além dele e de que tudo o que é bom aparece e tudo o que aparece é bom. Hipertélico é este excesso de comunicação e de transparência que produz uma falsa consciência iluminada.

— Os mecanismos imunitários (de prevenção e precaução) postos em prática para proteger o bem-estar e a vida dos cidadãos (e é hoje evidente que a política entrou de pleno direito no paradigma imunitário ao assumir a vida, na sua realidade biológica, como o seu objecto e o seu objectivo: é a isto que se chama biopolítica) acabam por ter um efeito de destruição da comunidade. Quem tem hoje mais de 40 anos e olha para trás com os óculos dos tempos de agora, vê-se no passado a atravessar todos os perigos e a correr todos os riscos que na altura eram quase desconhecidos, não porque não existissem, mas porque não estavam categorizados: o perigo dos pedófilos, dos psicopatas, dos assaltantes, dos colegas da escola que praticavam bullying, da própria escola que não tinha portões fechados nem seguranças à porta; o risco de comer bolas de Berlim fora do prazo de validade e não fiscalizadas pela ASAE. Hipertélico é este reino seguro do controle absoluto e da imunidade total. Nele, como já alguém disse, a política da vida, a biopolítica, torna-se uma política da morte, uma tanatopolítica.

— O modo de vida e os direitos promovidos pelo liberalismo são consubstanciais a uma formidável extensão dos procedimentos de controle e dos mecanismos de vigilância por parte do Estado. De tal modo que, entre as inumeráveis mortes que foram sendo decretadas, a morte do liberalismo — enquanto forma de governo e não como doutrina económica — é talvez a mais paradoxal. A morte do liberalismo encontra alguma analogia com esse meio de transporte — o avião — que é hoje um exemplo absurdo de entropia: para uma viagem de duas ou três horas, precisamos — embarque e desembarque incluídos — quase de um dia inteiro desde que saímos do centro de uma cidade para chegar ao centro de outra cidade.

— O capitalismo e a globalização levaram tão longe o alargamento do mundo e a descoberta do exterior que acabaram por o abolir. Esta é, pelo menos, a tese de Peter Sloterdijk, quando introduziu a metáfora arquitectónica de “espaço interior do mundo” para mostrar que quanto mais o capitalismo se universaliza menos lhe interessa o exterior. E o exterior, que é cada vez maior, não é o que está para além: é o que está aqui mas é pobre e miserável.

 

 

MATÉRIA EM DESTAQUE NO F.BOOK 05 SETEMBRO
JC Zeca Barradas - Um belo texto do amigo e colega Eduardo KoitiHita, que merece ser compartilhado... Pediatras que somos, ver crianças morrerem assim é inadmissível....
            DESCULPA ARTHUR

Em meio a insensatez, Arthur nasceu de parto cesáreo emergencial. Sua mãe, grávida de 39 semanas, fora vítima de bala perdida que atingiu seu útero. A 634ª no Rio de Janeiro. O frágil corpo também vitimado pelo projétil, sofreu traumas severos. O óbito ocorreu em 30 dias. O episódio tornou-se emblemático. Não que as outras tantas ocorrências semelhantes sejam menos relevantes, mas porque aqui, a vida se desfez praticamente sem ter nascido. Uma cruel evidência da miséria social em que vivemos. 
No Brasil temos cerca de 60 mil assassinatos por ano. Um assombro. E não há esperança que vá arrefecer. 
O sociólogo Marcos Rolim, em tese de doutorado e agora publicado em livro, investigou as causas da violência extrema analisando dois grupos de jovens da periferia em situações semelhantes. Um vira matador, o outro trabalhador. Dentre as várias causas, dois preponderam: a evasão escolar e a aproximação com grupos armados. Nos que cumpriam pena, todos sem exceção, tinham abandonado a escola e mais da metade tinha contato com grupos que estimulavam os jovens a se tornarem violentos. 
Considerando os índices de evasão escolar, o Brasil é terreno fértil a violência extrema. Pesquisa do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) de 2013, apontou que 1 em cada 4 alunos que iniciam o ensino fundamental no país, abandona a escola antes de completar a última série. 
Em lugares civilizados, o que não é o nosso caso, a educação é reverenciada como uma fonte de bem estar e como tal, o poder público que é coletivo, não se furta em mantê-la em alto nível. Aqui, os três poderes vivem um conchavo particular eterno, que pouco ou nada acrescentam a evolução da nossa sociedade. E dane-se o cidadão.
Arthur e seus pares, aos milhares pelo Brasil afora, são vitimas inocentes de uma perversa armação patrocinada pelo descaso, corrupção, egoísmo, falta de ética e imoralidade. Este conjunto sim, qualidade dos verdadeiros assassinos.
Resta que, se seguisse o curso normal, o pequeno Arthur teria nascido e estaria vivendo. Não sabemos que rumo tomaria sua vida, mas a oportunidade que lhe foi tirada, é um preço alto demais pra ficar no descaso. Não é nada. Talvez um pequeno consolo em meio ao vazio, mas desculpa por ser assim.

MATERIAS EM DESTAQUE 25-27 AGOSTO

24/08/2017 4:30

Como seriam refugiados brasileiros?

Se os sírios são associados equivocadamente ao terrorismo, brasileiros no exterior seriam vistos como traficantes, estupradores e corruptos em caso de guerra civil

Refugiados lutam pela sobrevivência na rota da imigração - MARKO DJURICA / REUTERS

Muitos acham impossível haver guerra civil no Brasil. Também acho. Há, sim, violência urbana, com número de mortos similar ao do conflito na Síria. Mas não é guerra. Se estourasse uma guerra, muitos teriam de fugir para uma outra nação. Algo que nunca imaginamos e para que não nos preparamos. Tentarei fazer um exercício e mostrar como seria para um leitor do GLOBO do Rio ser refugiado.

Se o Brasil estivesse em guerra civil e houvesse milhões de refugiados, não interessaria para ninguém nas fronteiras europeias ou dos EUA que você tem um diploma de Direito ou de Medicina da UFRJ e seu marido ou mulher, um de Economia da PUC-Rio. Não interessaria que você nunca tenha cometido um crime. Você e um bandido seriam a mesma coisa — refugiados. Com o agravante de que tenderiam a generalizá-lo pelo bandido, não pelo médico honesto. Se os sírios são equivocadamente associados ao terrorismo, tenha certeza de que brasileiros seriam associados, na Europa e nos EUA, a assassinos, traficantes de drogas, estupradores e corruptos em caso de guerra civil.

“Brasileirofóbicos”, como seriam conhecidos os membros de movimentos contrários aos refugiados da suposta guerra civil brasileira, diriam que no Brasil morrem cerca de 60 mil pessoas assassinadas todos os anos. Mais do que em todo o Oriente Médio somado, tirando a Síria. Mais do que dez vezes o total de homicídios na União Europeia. Acrescentariam que a cada dia ocorrem dez estupros coletivos no Brasil. Falariam que partes das cidades brasileiras são controladas por organizações de narcotraficantes que queimam pessoas vivas. Diriam que crianças andam com fuzis em favelas. Contariam casos de decapitações em conflitos de gangues. Lembrariam que mais policiais foram mortos no Rio de Janeiro em seis meses do que o total de pessoas assassinadas em Londres ao longo de todo um ano. Descreveriam histórias de estrangeiros esfaqueados quando andavam de bicicleta na Lagoa Rodrigo de Freitas. Relatariam os arrastões no Leblon. Citariam os escândalos bilionários de corrupção.

Não se importariam que você estaria fugindo exatamente de assassinos, de traficantes e de estupradores. Sequer ouviriam que talvez você tenha tido um irmão assassinado ou uma filha estuprada. Os “brasileirofóbicos teriam medo de que você assassinasse os irmãos deles ou estuprasse as filhas. Como refugiado, você teria, ao conseguir refúgio em algum país da Europa, de ouvir gritos de “brasileiro assassino, traficante e estuprador, volte para a sua terra, nós não te queremos aqui!”. Saberia do risco de ser agredido por vender pão de queijo e coxinha como ambulante e ter o nome de José. Afinal, “são comidas brasileiras vendidas por um homem com nome brasileiro”. Logo, na visão dos brasileirofóbicos, deve ser “traficante, assassino, estuprador e corrupto”.

Todas as suas memórias não valeriam nada. Um europeu brasileirofóbico não estaria nem um pouco interessado em ouvir as músicas do Tom Jobim, em saber como era bom o banho de mar em Ipanema, de como foi o título brasileiro do Flamengo de 1992 no Maracanã lotado, de como a Portela merecia ter vencido o último carnaval e de como faz falta comer uma feijoada em um sábado de outono no Leblon. Dane-se que o Neymar é brasileiro. Zidane é muçulmano e ninguém está nem aí. Você não é o Neymar. O brasileirofóbico o xingaria em sueco, húngaro e grego caso você pedisse informação sobre onde se vende leite para o seu filho de 2 anos. Insisto, para ele, você seria apenas alguém que levaria a violência do Brasil para o país dele. Você, seus pais, seus filhos, seus irmãos e todos seus amigos de infância seriam potenciais criminosos. E, lógico, quando um bandido brasileiro assaltasse e matasse uma idosa em Paris, você seria o culpado. Afinal, assassinato é da “cultura brasileira”. Por que você não condenou? O assassino é brasileiro, como você. Se não tivesse “refugiados brasileiros” na Europa, diriam os brasileirofóbicos, “muitas meninas não seriam estupradas em Berlim ou Turim”.

A camisa amarela da seleção brasileira, o arroz com feijão, o hino do Botafogo, a pulseira do Bonfim e a sunga na praia seriam associados a uma cultura de “assassinos”. Você teria de falar português baixo para não assustar a mesa ao lado no restaurante em Amsterdã. E, se você abrisse O GLOBO no iPad no metrô de Paris, ao ver que o jornal era brasileiro, o francês ao seu lado no metrô em Londres se levantaria com medo de ser assaltado.



Leia mais: https://oglobo.globo.com/mundo/como-seriam-refugiados-brasileiros-21740441#ixzz4qqaGxCMs 
stest 

 

                   A estranha geração dos adultos mimados

  •                                                                     Ruth Manus -19/8/2017 

 https://oglobo.globo.com/mundo/como-seriam-refugiados-brasileiros-21740441#ixzz4qfsglBYW

http://observador.pt/opiniao/a-estranha-geracao-dos-adultos-mimados/ 

O fato de termos sido criados com cuidado e afeto pelos nossos pais, começou a confundir-se com uma espécie de sensação de que todos devem nos tratar como eles nos trataram.

Tudo começou com uma colega minha de estágio, há mais de 10 anos, que pediu demissão por acreditar que “não foi criada para ficar carregando papel”. Sim, carregar papel fazia parte das nossas tarefas, enquanto ajudávamos o juiz e os demais servidores públicos com os processos do Tribunal. Acompanhávamos audiências, ajudávamos com os despachos e, sim, carregávamos papéis entre o segundo e o quarto andar do edifício.

Os pais da menina convenceram-na de que ela era boa demais para aquilo. Não importava que nós fôssemos meninas de 19 anos, no segundo ano da faculdade, sem qualquer experiência, buscando aprender alguma coisa e ganhar uns poucos reais para comer hamburguer nos finais de semana. Ela, que tinha a certeza de ser uma joia rara, foi embora, deixando sua vaga vazia no meio do semestre e sobrecarregando todos os demais, inclusive eu, sem nem se constranger com isso.

O tempo passou e, quando eu já era advogada, tive um estagiário de vinte e poucos anos que, três meses depois de ser contratado, solicitou dois meses de férias. Eu nem sequer entendi o pedido. Perguntei se ele estava doente ou se havia algum outro problema grave. Ele me respondeu que não, que simplesmente tinha decidido ir para a Califórnia passar dezembro e janeiro, pois a irmã estava morando lá e ele tinha casa de graça. Eu mal podia acreditar no que estava ouvindo. Deixei ele ir e pedi que não voltasse mais.

Alguns anos depois, ouvi um grande amigo me dizer que iria divorciar-se. Ele havia casado fazia menos de um ano, com direito a uma imensa festa, custeada pelos pais dos noivos. Mais uma vez perguntei se algo de grave tinha ocorrido. Ele me respondeu que “não estava dando certo”, discorrendo sobre problemas como “brigamos por causa da louça na pia”, “não tenho mais tempo para sair com meus amigos” e “acho que ainda tenho muito para curtir”. Me segurei para não dar um safanão na cabeça dele. Aos 34 anos ele falava como um garoto mimado de 16. Tentava explicar isso para ele, mas era como conversar com a parede.

Agora foi a vez de uma amiga minha, com seus quase 30 anos, que me disse que iria pedir demissão pois fora muito desrespeitada no trabalho. Como sou advogada trabalhista, logo me assustei, imaginando uma situação de assédio moral ou sexual. Foi quando ela explicou: meu chefe fez um comentário extremamente grosseiro no meu facebook. Suspirei e perguntei o que era, exatamente. Ela disse que postou uma foto na praia, num fim de tarde de quarta-feira, depois do expediente, e o chefe comentou “Espero que não esqueça que tem um prazo para me entregar amanhã cedo”. E isso foi suficiente para ela se sentir mal a ponto de querer pedir demissão de um bom emprego.

Eu não sei bem o que acontece com a minha geração. O fato de termos sido criados com cuidado e afeto pelos nossos pais, começou a confundir-se com uma espécie de sensação de que todos devem nos tratar como eles nos trataram. O chefe, o colega, o marido, a mulher, os amigos, ninguém pode nos tratar de igual para igual e muito menos numa hierarquia descendente. Se não for tratado a pão de ló, este jovem adulto surta, se julga injustiçado e vai embora.

Acho que o mundo evoluiu e as situações nas quais se tratava alguém com desrespeito são cada vez menos toleráveis, o que é ótimo. Também é ótimo o fato de sermos uma geração que busca felicidade e não apenas estabilidade financeira. É bom termos a coragem de mudar de carreira, de recomeçar, de priorizar as viagens e não a casa própria.

Mas nada disso justifica que a minha geração tenha comportamentos tão egoístas, agindo como verdadeiras crianças mimadas. E o grande perigo é que essas crianças mimadas têm belos diplomas e começam a ocupar cargos importantes nas empresas e no setor público. Vamos nos tornar um perigoso jardim de infância, no qual quem manda não pode ser contrariado e quem obedece também não. Isso não será uma tarefa fácil.

MATERIAS EM DESTAQUE NO MEU F.BOOK Agosto 24
 
1.  Lenda Tariana estava  se sentindo orgulhosa com Tatiana Valls  

Orgulho dessa equipe, orgulho desse escritório! Parabéns Amaury Nunes!

"Por unanimidade, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter a condenação do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, do plano de saúde Cassi e de dois anestesistas ao pagamento solidário de pensão vitalícia e de indenização por danos morais a uma paciente que ficou em estado vegetativo após receber anestesia em procedimento cirúrgico. A indenização também foi estendida às filhas da paciente".

http://www.stj.jus.br/…/STJ-mantém-indenização-a-paciente-q…

 
2. Marco Antonio Carvalho Teixeira . · São Paulo, Brasil · 

Reforma política cria candidato três (3) em (1) um. Em 2022, se vier o distrital misto, a proposta é que o mesmo candidato possa concorrer pelo distrito, pelo voto proporcional e um cargo no Executivo. Se vingar a reserva de mercado estará efetivada. Fonte: O Globo.

 
  1. Distorções no FIES

Mais da metade dos alunos oriundos do FIES concluíram  três cursos: Direito, Licenciatura e Administração, sendo que 1/3 neste último curso.

4. Isabel Pacheco - FBook

A proposta sem vergonha que a Câmara vai aprovar a toque de caixa libera o telemarketing eleitoral das 9 às 20h. Atenção, congressistas: EU NÃO AUTORIZO. Entenderam?

 
  1. Eudir Alberto Meirelles Nunes

Os aspectos principais em um ser humano, não são a beleza física, a posição social ou uma falsa delicadeza. Para sermos melhores, não precisamos camuflar ou aparentar o que não somos, mas, perceber o EU, crescer por dentro e sentir-se mais como “ser” e não como “ter”! Boa noite!

 

  1. Irineu Tamanini indaga_

Duas conversas reveladas na mídia de hoje. Cada um que faça a sua avaliação:

'Não quero perder meus dois filhos', diz Said Oukabir pai dos irmãos suspeitos de ataque em Barcelona que deixaram 14 mortos e mais de 120 feridos.

Conversa por whatsapp do empresário Jacob Barata Filho, chamado de rei do ônibus no Rio, em conversa com a sua filha Ana: Bia (Beatriz Perissé Barata) é que não está bem, vamos precisar apoiar pois está revivendo aquela manifestação do casamento achando que o mundo vai acabar, que vão bloquear todos os nossos recursos e das empresas e que ela vai ficar pobre

 
7. Eduardo Dutra Aydos compartilhou a publicação de Eduardo Graeff. - Face · 

JÁ ESTOU FORA, aliás, há muito tempo, mas como observador atento, penso que o caso PSDB é sintomático dos estertores do nosso sistema partidário. Matéria para um teoria política que o gênio da lâmpada talvez ainda possa postular, ao modismo dos tempos, como a teoria do presidencialismo-zumbi. Não sou vidente para prever o que virá na esteira dessa erosão profunda, mas tenho certeza que, se não houver uma reformulação drástica, profunda e consistente das nossas instituições políticas, não haverá espaço para a ruptura do ciclo vicioso em que elas se encontram atoladas.

 
8. Renato Janine Ribeiro - 3 min · São Paulo, Brasil · 

Roteiro para uma pesquisa essencial de História: saber como se montou o impeachment. Isso até agora não saiu.
Especificamente:
1) Em que momento Michel Temer decidiu que queria ser presidente? Foi antes de sua declaração (ago/2015) de que alguém precisava unificar o País? O que o levou a tomar essa decisão?
2) Quais grupos se formaram para articular o impeachment? Devem ter sido vários. Os principais protagonistas devem ter ficado longe das articulações, para não se exporem. Como isso se fez? (Único depoimento que conheço, o do deputado Heráclio Fortes, que disse que se reuniram durante um ano em sua casa vários articuladores).
3) Que tentativas houve de negociação entre PT e PSDB para evitar o impeachment? Quem quis negociar, quem não quis? Quais condições foram apresentadas de parte a parte?

Nada disso é para insultar ou xingar. São questões que precisarão ser apuradas para se fazer a história desse momento tão difícil do País.

 
9. Isabel Pacheco

Em vez de conciliar e unir forças, permanecemos estáticos, transferindo uns para os outros a responsabilidade pela chegada de Temer à presidência da República. A rivalidade e o extremismo não deixam perceber que, por inanição, todos se tornam responsáveis pelo avanço acelerado da degradação generalizada que atravessamos. No dia de hoje, Temer entregou para mineração uma imensa área da Amazônia com extensão equivalente ao Espírito Santo. Parte da Amazônia foi, hoje, condenada à morte, mas ningúem se importa. As pessoas que duelam não se dão conta que, também hoje, mais um pedido de investigação de Temer, este protocolado pela OAB, foi defenestrado por Alexadre de Moraes, ministro do STF e do presidente. Não se importam que mais de 50 empresas públicas (até a Casa da Moeda) tenham sido incluídas, de forma atabalhoada, na lista de privatizações. Fase de liquidação. E não estão nem aí para a reforma eleitoral que os congressistas se apressam em remendar apenas para assegurar a reeleição. Todos esses senhores encastelados nos três poderes da República estão comprometidos com o curto prazo e o próprio futuro. Nada mais. E nós, vítimas dessa volúpia, permanecemos deitados em berço que nada tem de esplêndido. Não haverá reação nem se GM libertar Sergio Cabral. Mas quando Lula se tornar inelegível, talvez saiam da letargia para destilar o ódio uns contra os outros. O futuro ... ao centrão pertence.

 
  1. Renato Janine Ribeiro :Liberado o câncer

 Segundo o UOL, já está definido o resultado. Para barrar o amianto, seriam necessários seis votos contra ele. Haverá, no máximo, cinco. O câncer está liberado

STF suspende julgamento sem votos para barrar amianto no país

Com quatro votos a favor da lei federal que permite a…

https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2017/08/23/stf-analisa-possivel-proibicao-do-amianto-no-brasil.htm
MATERIAS EM DESTAQUE Agosto, 21.23

Porquê uma Comissão Mundial sobre o Futuro do Trabalho?

http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/convidados/interior/porque-uma-comissao-mundial-sobre-o-futuro-do-trabalho-8717789.html

Ameenah Gurib-Fakim é Presidente da República da Maurícia

Stefan Löfven é primeiro-ministro da Suécia

Acreditamos que o trabalho é a base do desenvolvimento de pessoas e sociedades. Quando fonte de rendimento digno, o trabalho prepara o caminho para o progresso social e económico, fortalecendo pessoas, respetivas famílias e comunidades.

A tecnologia, a demografia, as alterações climáticas e a globalização estão a transformar o trabalho com uma rapidez, uma profundidade e um alcance sem precedentes. Estas mudanças possuem enorme potencial mas encerram igualmente muitas incertezas sobre o futuro do trabalho. O receio de que uns beneficiem em grande medida com estas alterações e outros não converteu-se numa preocupação central, sobretudo num contexto em que muitos países enfrentam taxas de desemprego elevadas.

Se muitas pessoas se sentirem esquecidas e se as nossas sociedades já não forem capazes de introduzir mudanças positivas, será forte a probabilidade de forças disruptivas poderem prejudicar o crescimento e desestabilizar a harmonia social e política. Na verdade, a tendência atual de transição para um pensamento populista representa um dos principais desafios do nosso tempo.

Neste sentido, urge encorajar o potencial de criação de emprego resultante da transição para a sustentabilidade ambiental e para um sistema de comércio mundial justo e aberto, fundado em sólidos valores como direitos, liberdade e solidariedade. A globalização deve beneficiar todas as pessoas. Apenas quem se sente seguro na situação atual pode estar aberto a um futuro incerto.

Em vez de adotarmos uma abordagem de esperar para ver, temos de refletir seriamente sobre o futuro do trabalho que desejamos e como lá chegar. O futuro não está predefinido podendo ser influenciado pelas opções societais e políticas que adotarmos.

Com o objetivo de gerar ideias e soluções para abordar estes desafios fundamentais relacionados com o trabalho, aceitámos copresidir à nova Comissão Mundial sobre o Futuro do Trabalho, apresentada hoje pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Esta comissão, que integra a Iniciativa do Centenário da OIT sobre o Futuro do Trabalho, reúne eminentes pensadores e profissionais de todo o mundo. A comissão apresentará as suas recomendações aos Estados membros da OIT em 2019.

Esta iniciativa constitui sem dúvida um verdadeiro esforço global - mais de cem países organizaram diálogos nacionais tripartidos entre governos, empregadores e trabalhadores, a fim de refletirem sobre que abordagens permitirão fazer face aos desafios futuros no mercado de trabalho. A contribuição da comissão será igualmente um elemento importante no acompanhamento da emblemática Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Em particular, o objetivo 8 da agenda visa promover o crescimento económico inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho digno para todos.

Durante quase um século, a OIT contribuiu significativamente para tornar o mundo do trabalho um mundo melhor. Para o conseguir, reuniu representantes de governos, trabalhadores e empregadores na prossecução da justiça social.

Reconhecendo que a criação do futuro do trabalho está nas nossas mãos, não resultando da imposição de forças que não podemos controlar, estamos convictos de que o futuro nos reserva uma mensagem poderosa de esperança. Estamos empenhados em conduzir esta comissão mundial neste espírito, priorizando soluções concretas, aconselhamento sobre políticas e boas práticas, com o objetivo de garantir que o futuro do trabalho inclua todas as pessoas.

Ameenah Gurib-Fakim é Presidente da República da Maurícia

Stefan Löfven é primeiro-ministro da Suécia

 

Nas entrelinhas: A memética da Lava-Jato

http://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/nas-entrelinhas-memetica-da-lava-jato/

Publicado em 20/08/2017 - 07:24 Luiz Carlos AzedoCultura

Os fatos revelados pela Operação Lava-Jato são tão surpreendentes que parecem fugir à lógica do instinto de sobrevivência dos políticos. É como se uma epidemia tivesse tomado conta dos partidos

Para quem gosta de analogias para explicar o que está acontecendo no mundo da política, o livro Sapiens, uma breve história da humanidade, do israelense Yuval Noah Harari (L&PM), é um prato cheio. Uma das pérolas do livro é a referência à tese neodarwiniana de que, além dos genes replicadores das espécies responsáveis pela evolução orgânica da Terra, existiria um replicador responsável pela transmissão de informações culturais de uma geração para a outra: os “memes”.

Com base nela, alguns estudiosos já tratam a cultura como uma espécie de epidemia infecciosa, provocada por um parasita mental, sendo os homens seus hospedeiros voluntários. Harari entra nessa seara para explicar o que poderíamos classificar de “pós-fim da história”. Explico: quando acabou a União Soviética e o Leste europeu derivou de volta ao capitalismo, graças a um artigo de Francis Fukuyama (célebre economista e filósofo americano de origem japonesa, que foi um dos ideólogos de Ronald Reagan), que depois virou livro, a velha tese do “fim da História” de Hegel ressurgiu das cinzas. Harari vai além: defende que a História não é feita pelos e para os humanos.

Segundo ele, não há provas disso. O fio condutor do seu livro é a saga de uma das seis espécies de humanos que habitavam a Terra há 100 mil anos, os sapiens, que exterminaram os neandertais. Mas, entretanto, a História não atuaria em prol dos humanos. Ela não seria fruto de decisões de seus governantes e líderes, mas dos tais “memes”: “Os parasitas orgânicos, como os vírus, vivem dentro do corpo de seus hospedeiros. Eles se multiplicam e se espalham de um hospedeiro a outro, alimentando-se deles, enfraquecendo-os e, às vezes, até os matando. Contanto que os hospedeiros vivam o bastante para transmitir o parasita, este pouco se importa com a condição em que o seu hospedeiro se encontra”. Da mesma forma, as ideias culturais viveriam dentro da mente dos humanos. “Elas se multiplicam e se disseminam de um hospedeiro a outro, às vezes enfraquecendo os hospedeiros e até mesmo os matando.”

A tese exposta por Harari é perturbadora e nos remete aos conflitos religiosos e raciais e à crise humanitária do Mediterrâneo, berço da nossa civilização. Desde o fatídico 11 de setembro de 2001, dia do atentado às Torres Gêmeas de Nova York, as cidades mais cosmopolitas do mundo deixaram de ser lugares seguros para morar, trabalhar e visitar. “Uma ideia cultural — tal como a crença no paraíso cristão nos céus ou no paraíso comunista aqui na Terra — pode forçar um ser humano a dedicar sua vida a espalhá-la, às vezes tendo a morte como preço. O humano morre, mas a ideia se espalha.”

Narrativas
A memética é uma polêmica abordagem antropológica: “Culturas bem-sucedidas são aquelas que se sobressaem ao reproduzir seus memes, independentemente dos custos e benefícios aos hospedeiros humanos. Essa forma de abordagem é tratada como um amadorismo pela academia, que considera essa analogia muito tacanha. Mas, com a mais fina ironia, Harari situa o pós-modernismo acadêmico como uma espécie de irmão gêmeo da memética, pois seus defensores falam que os discursos, como os blocos construtores de cultura, também se propagam sozinhos. O nacionalismo e a guerra seriam frutos desse fenômeno. A pós-verdade estaria ainda mais associada ainda aos “memes” com suas “narrativas”.

Mas o que isso tem a ver com a crise ética, política e econômica que estamos vivendo? Ora, muita coisa. Os fatos revelados pela Operação Lava-Jato são tão surpreendentes que parecem fugir à lógica do instinto de sobrevivência dos políticos. É como se uma epidemia tivesse tomado conta dos partidos. Além da reprodução biológica facilmente constatável pelos velhos sobrenomes de batismo das oligarquias — a genealogia começa no Casa grande & senzala, de Gilberto Freyre —, a cultura do desvio de dinheiro público e do caixa dois tornou-se tão dominante na política que os investigados na Operação Lava-Jato, mesmo sabendo das quebras de sigilo bancário, das escutas telefônicas, das buscas e apreensões e prisões, não conseguem viver sem maços de dinheiro vivo guardados nos armários, caixas de joias, viagens de jatinho e contas bancárias milionárias.

A Operação Lava-Jato desencadeou uma espécie de guerra de “memes” entre políticos, magistrados, promotores, delegados, auditores e advogados, no qual duas grandes correntes se digladiam, uma quer nos livrar dos “memes” da corrupção, outra tenta nos salvar dos “memes” do autoritarismo. E bilhões de reais deixam de ser gastos em saúde e educação. Outra vez, a tese do Harari: a História não leva em conta a vida dos indivíduos. Bom domingo!

 

QUERO SER FELIZ (06/12/2010) . José Pedro Mattos Conceição

Confesso que tenho alguma restrição ao lema do “quero ser feliz” das gerações mais novas. Significa algo, tipo assim, "vim para curtir e o resto que se dane". A partir dessa ideia-força, muitos valores seculares referentes à família e à sociedade debilitaram-se e os compromissos éticos tradicionais transmudaram-se em regrinhas formais e anêmicas, que limitaram muito pouco, quando limitaram. Todos nascem para a felicidade, assim como para trabalhar, lutar, amar, gerar filhos, comer, beber, dormir, respirar e, por fim, morrer. A ênfase egocêntrica do lema é que me deixa intrigado, especialmente nestes tempos de lazer desenfreado e de consumo. Penso nos reflexos dessa ideologia entre os favelados das grandes cidades ou miseráveis do sertão. Penso nos povos desvalidos da África, nos guerrilheiros idealistas, nos perseguidos, nos doentes e, sobretudo, nos que têm uma grande causa. Penso nas gerações vitimadas pelas grandes guerras, que nos legaram o fruto da sua resistência; penso nos missionários, líderes e profetas, que se entregaram a lutas impossíveis, com sacrifício pessoal. Todos devem ser felizes, mas a felicidade é decorrência de uma vida construtiva e responsável. É possível, mas não provável, alguém ser feliz sem compromisso de qualquer ordem, circulando a toa em busca apenas do sentir-se bem. Afinal, obedecer é ruim, ceder, cumprir horários também, trabalhar e receber aquém do produzido é péssimo e a injustiça, tanto quanto a ingratidão, machuca, mas nada é capaz de desviar o caminho de quem cultiva metas e objetivos. Os mais velhos têm alguma culpa por terem sido, quem sabe, um tanto permissivos ou desatentos com relação à mudança dos usos e costumes. Os que fizeram a História, num ou noutro momento, renunciaram a um grande amor, à glória efêmera ou à fortuna, tudo por um ideal maior. Não somos heróis e nem queremos governar o mundo, mas, em nosso pequeno universo, temos certamente desafios, deveres e sacrifícios a fazer para construir uma vida razoável, individualmente e para os que nos são caros, com ética e esforço. Ora, também quero ser feliz, mas, antes de desejar o baile, o bom vinho e o beijo, tenho de arar o meu terreno, erguer com as próprias mãos as trincheiras para defender a mim e aos meus e, se possível, ajudar os vizinhos que necessitem de algum apoio. Também preciso cuidar do futuro, independentemente de ter 30 ou 70 anos. O baile acaba, o beijo é emoção fugaz, mas a minha história significa um passo na evolução do homem, um pequeno exemplo de coerência e sensatez, e isto me torna mais feliz e mais útil à sociedade.

  

As 8 virtudes das pessoas cultas, segundo Tchekhov

 Revista Pazes - http://www.revistapazes.com/as-8-virtudes-das-pessoas-cultas-segundo-tchekhov/ -

  

 Anton Tchekhov foi um dos maiores escritores da literatura russa. Seus contos, em particular, marcaram um antes e um depois em todos os países ocidentais. Sua maior virtude foi dar relevância ao comportamento dos seus personagens e à interação entre eles, no lugar do argumento da história em si.

Era, portanto, um grande observador do comportamento humano. Tinha a capacidade de capturar uma atmosfera com absoluto realismo e destacar esses detalhes que para outros autores passariam despercebidos. Sua intenção não era moralista, mas ainda assim, dentro do seu legado encontra-se uma carta que dirigiu ao seu irmão mais velho onde indicava uma série de conselhos.

A carta foi escrita durante uma de suas estadias em Moscou, e nela Tchekhov compila o que considera as características das pessoas verdadeiramente cultas. É também um texto que serve de orientação e guia sobre as virtudes mais elevadas do ser humano. Em seguida, mostraremos quais são esses conselhos e compartilharemos algumas partes do seu texto.

1 – A bondade, umas das virtudes valorizadas por Tchekhov

Para Tchekhov, as pessoas verdadeiramente cultas: “Respeitam a personalidade humana e, por isso, são sempre amáveis, gentis, educadas e dispostas a ceder diante dos outros. […] Se vivem com alguém que não consideram favorável e o deixam, não dizem “ninguém poderia viver com você”.

Uma característica distinta da cultura elevada é a consideração no trato com as outras pessoas. Por maiores que sejam as diferenças entre as pessoas, isso não é desculpa para iniciar um conflito ou incorrer em maus-tratos. Na verdade, é prudente evitar o conflito e se afastar no caso das contradições serem irreconhecíveis.

2 – Empatia com aqueles que sofrem

Tchekhov afirmava que as pessoas cultas: “Têm simpatia não apenas pelos mendigos e pelos gatos. Os seus corações doem por aquilo que seus olhos não veem”. Isso significa que são altamente sensíveis ao sofrimento dos outros, inclusive se não o expressam.

Um alto nível de cultura quer dizer um alto nível de compreensão pelas pessoas que sofrem. Inclusive a palavra “cultura” deriva do latim “cultus” e significa “cultivo do espírito humano”. Uma pessoa cultivada não é indiferente às dores dos seus semelhantes.

3 – Capricho na economia

A respeito dos bens materiais, Tchekhov afirma que as pessoas cultas “Respeitam a propriedade dos outros e, consequentemente, pagam suas dívidas”. No começo, adquirir uma dívida presume um pacto de boa fé. Uma pessoa empresta dinheiro a outra com a expectativa de que seja devolvido nas condições e no tempo acordado.

A forma como uma pessoa manuseia suas dívidas revela muito sobre sua personalidade. Adquirem-se como uma exceção e em função de uma necessidade real e são pagas religiosamente, porque no fundo o que está em jogo é a palavra.

4 – Rejeição às mentiras e ao fingimento

Sobre a mentira e o fingimento, as pessoas verdadeiramente cultas, segundo Tchekhov, possuem as seguintes características: “São sinceras e temem a mentira como ao fogo. Não mentem inclusive nas pequenas coisas. Uma mentira significa insultar quem a escuta e colocá-lo numa posição mais baixa aos olhos de quem fala.”

Não aparentam: comportam-se na rua como em casa e não julgam os seus amigos mais humildes. Não são suscetíveis ao burburinho, nem obrigam os outros a confidências impertinentes. Por respeito aos ouvidos dos outros, calam-se mais frequentemente do que falam.

As mentiras e o fingimento são uma forma de fraude com outras pessoas. A sinceridade, por seu lado, é uma maneira de expressar respeito pelo outro. A autenticidade, por sua vez, é um sinal de valorização própria e de dignidade. Mesmo assim, os rumores e a fofoca não devem estar na agenda de alguém culto, pois essas atitudes são uma forma de diminuir os outros.

5 – Rejeição ao vitimismo

Para Tchékhov, uma pessoa culta se afasta de comportamentos vitimistas, que também são uma face do engano. Com respeito a isso ele afirma: “Não se menosprezam por despertar compaixão. Não apertam o cordão do coração dos outros para que eles reclamem e façam algo (ou muitas coisas) por eles.”

Semear compaixão nos outros pode trazer alguns benefícios visíveis imediatamente. Mas, a longo prazo, revela-se como uma estratégia errada, que reflete apenas o pouco respeito que se tem por si mesmo e que alimenta a desconfiança nos outros.

6 – Rejeição à vaidade e a presunção

Tchekhov chama a atenção daqueles enganos que aparecem quando uma pessoa tem mais dinheiro ou poder que os outros. Sobre esse ponto, afirma: “Não têm vaidade supérflua. […] Se ganham uns centavos, não se pavoneam como se valessem centenas de rublos, e não ostentam o poder frequentar lugares onde outros não são aceitos”.

Deixar que aflore um sentimento de superioridade, por razões tão passageiras e arriscadas como o dinheiro ou os privilégios sociais, é apenas uma amostra de uma evolução pobre. Esse tipo de pessoa dá mais valor ao ter do que ao ser e depende inteiramente de fatores externos para valorizar a si mesmo.

7 – Respeito pelo talento próprio

Cada pessoa no mundo tem um talento próprio. Boa parte da tarefa na vida reside em descobri-lo e cultivá-lo. Tchekhov afirmava que quem é culto: “Se têm um talento, o respeitam. Sacrificam o descanso, as mulheres, o vinho, a vaidade […] Sentem-se orgulhosos do seu talento”.

O talento é um dos grandes tesouros do ser humano. Não é preciso ser um artista célebre, nem um negociante de sucesso para dizer que possui um talento. Às vezes esse dom está nas coisas pequenas, como saber apreciar os outros ou ter facilidade para compreender ou ajudar. Quando se descobre o talento próprio, é necessário conferir-lhe um valor máximo e lutar para desenvolvê-lo.

8 – Controle e delicadeza em ações

Tchekhov afirmava que quem é culto: “Desenvolve para si a intuição estética […] Pretendem tanto quanto for possível conter e enobrecer o instinto sexual. […] Querem, especialmente se são artistas, frescura, elegância, humanidade e capacidade de maternidade. […] Não bebem vodka a todo momento, dia e noite, não cheiram os armários porque não são porcos e sabem que não são”.

Essas declarações são um chamado ao controle e uma voz de rejeição diante dos excessos físicos e biológicos. Os seres humanos não são organismos, mas sim pessoas que podem e devem dar sentido ao que fazem, inclusive às ações mais básicas.

 

***
MATÉRIA EM DESTAQUE NO MEU FACE Agosto 16.21 
 
1. Salo de Carvalho - · Rio de Janeiro, Brasil · 

Questão aos meus amigos petistas que recentemente descobriram que o sistema penal é seletivo: se o TRF4, em decisão pouco provável, reformar a sentença de Moro e absolver Lula, o Estado Democrático de Direito estaria recomposto?  Detalhe: a reversão da decisão de Moro é pouco provável. Pelo contrário, do que tenho estudado, analisando inúmeras sentenças da Lava Jato, em primeiro e segundo graus de jurisdição (e não apenas a decisão contra o ex-Presidente), a tendência é a de que o Tribunal não apenas mantenha a condenação, mas, aderindo ao apelo do MPF, aumente a pena aplicada.

 

  1. Assunto:Re: Loucura do Império aproxima Rússia e Alemanha [29/7/2017, Pepe Escobar, SputnikNews (traduzido) -  Tania Jamardo Faillace – P.Alegre

 

Vocês têm o costume de acreditar na democracia norteamericana e na pureza de seu presidencialismo.

 

Isso pode ter existido na geração de George Washington, mas no auge do desenvolvimento capitalista nos EUA (após a corrida do ouro, o abolicionismo de Lincoln, etc.) as instituições formais e o governo norte-americano sempre foi dirigido pelo Poder Econômico - como é de regra no mundo capitalista. Nos EUA, essa ingerência chegou ao ponto de formar o Estado Profundo, ou Deep State, cujo poder veio crescendo nos últimos vinte anos, em sintonia com o projeto do Governo Mundial e o Globalismo. Desde há várias gestões, é o Deep State que governa os EUA, usando o Partido Democrata como anteparo. 

 

Ao perder as últimas eleições, o Deep State (estreitamente ligado ao poder industrial-militar) perderam sua sutileza original, e "apelaram", apressando o processo que deve eliminar a política representativa não só daquele país, como do mundo ocidental em geral.

A pressa e a fúria é tanta, que também perderam a mão e o estilo em sua agressão contra a Venezuela, que nem mais procurar disfarçar ou justificar.

 

Chegou ao ponto de espalharem entre a direita não-hegemônica, que é a Russia que quer invadir a América do Sul, e até o Brasil!

 

O negócio está complicado, porque os brasileiros de nada sabem, pouco se importam, e aceitam tudo que a Rede Globo mana aceitar e acreditar. Têm c..., mas não têm c...lhões.

 

  1. Henrique Abel: Universidades privadas despedindo professores a rodo.

Universidades federais agonizando com falta de verbas.

Universidade Estadual do Rio de Janeiro encerrando o ano letivo de 2017 em pleno agosto, pois não paga professores há três meses.

Enquanto isso, o governo federal protagoniza a campanha de corrupção mais vasta, descarada e assumida da história da República, utilizando abertamente a máquina pública e recursos públicos para comprar apoio de congressistas e salvar o mandato criminoso do Não-Eleito, que ostenta o maior índice de rejeição popular já registrado no país.

Realmente, eu não sei como conseguem dormir à noite as pessoas que militaram pela ascensão de Temer à presidência com palavras de ordem do tipo "queremos mais educação"..

 

 

 

4. Pablo Ortellado

 

Nenhum ator importante quer o "Fora Temer". A direita diz que o "Fora Temer" é na verdade o "Volta Lula", mas a esquerda lulista diz que o "Fora Temer" não é estratégico e que o melhor, por ora, é o "Fica Temer" para preparar em 2018 o "Volta Lula". O problema é que 65% dos brasileiros querem que Temer saia. Por isso, à esquerda e à direita, todos fingem que também querem que Temer saia, mas, na prática, fazem corpo mole para que fique. Por isso, amanhã, ele vai ficar.

 

 

5.Este depoimento sobre a resistência negra é o momento mais emocionante da Flip

"Eu trabalhei duro desde os cinco anos. Sou neta de escravos. Aparentemente a gente teve uma libertação que não existe até hoje."

http://huffp.st/zbCTDB2  

6. Cesar Benjamin – Rio de Janeiro

Em continuidade ao meu post anterior sobre a profunda crise financeira da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Sejamos francos: o sistema político brasileiro faliu. Mantém aparências democráticas, mas há bastante tempo deixou de ser funcional às necessidades do país. Nenhum consórcio entre os partidos atuais resolverá a nossa crise.

A Nova República, inaugurada com a Constituição de 1988, acabou. Será preciso nova ruptura. Não me perguntem quando e como ela virá, nem se será bem comportada e positiva. Mas virá.

Se não vier, a alternativa é o afundamento da sociedade brasileira na barbárie cotidiana, sem horizontes e sem perspectivas. Este é o pior cenário, o cenário de uma rendição.

As sociedades são construções humanas. Como tal, surgem e se desenvolvem, mas também decaem e desaparecem. É nisso que ando pensando.

* * *

Em tempo: comecei a escrever este post sem pretender adicionar nada. Mas adiciono agora uma fala minha, feita de improviso em 2006. Foi transcrita e ficou sem título. Defendo ali que o Brasil estava se transformando no que chamei de "sociedade de vontade fraca" -- e que sociedades assim saem da história.

Isso foi durante o primeiro mandato do ex-presidente Lula. Meu amigo Marco Aurélio Garcia, recentemente falecido, estava na mesa, representando o PT. Ficou tão aborrecido que saiu sem me cumprimentar, ostensivamente. Nunca mais nos falamos. A fala está no link.

  http://www.contrapontoeditora.com.br/…/200711121837500

 

7,Cristovam Buarque

 

A situação fiscal que pesa hoje sobre as universidades não existiria se os governos anteriores não tivessem sido tão irresponsáveis com as contas públicas: só com a Copa do Mundo e as Olimpíadas foram gastos R$ 40 bilhões, o equivalente a 60 meses do então Ministério de Ciência e Tecnologia e a 150% dos gastos com as universidades federais.

Meu artigo publicado no Correio Braziliense de hoje: bit.ly/2tXg4Xf

 

8.MINICONTO

Janny Padilha Machado para APOIO para Brasileiros em Portugal

Estou muito irritada! 😡 😡 😡

Como existe gente sem noção!!! Porra!!! Eu fui esta manhã ao Continente, para comprar algumas coisas. Enquanto eu estava na fila da caixa, deixei cair uma nota de 20€ no chão... a mulher na minha frente pegou na nota e quando eu estendi a mão para ela me a dar e agradecer, olhou-me mortalmente nos meus olhos e disse "as coisas encontradas no chão são de quem as achou," colocou a nota na algibeira e foi embora. Fiquei espantada, assim como a operadora da caixa que parecia tão chocada e confusa quanto eu. Fui atrás e disse: " Desculpe mas são os meus 20€!!!" Esta senhora teve a coragem de me ignorar como se eu não tivesse dito uma palavra, como se ela não tivesse com os meus 20€ na sua algibeira!!! Claro, acabei por segui-la porque não conseguia acreditar no que tinha acabado de acontecer! Quando a filha da mãe (acreditem, essa não é a palavra que eu quero usar) chegou ao carro dela, colocou os sacos das compras no chão para abrir a porta do carro, eu fui atrás dela e peguei os sacos das compras e fui embora !! A mulher pediu-me para lhe devolver as coisas. Eu respondi na minha voz mais doce e sincera "as coisas encontradas no chão são de quem as achou!" Quando ela me seguiu gritando: "desgraçada, eu te apanho!!." entrei no meu carro, e fui embora rindo muito alto! De qualquer maneira... quando cheguei a casa, abri os sacos das compras e ..... Chocolate, bifes, batatas fritas, doces, uma boa garrafa de vinho, café, cerejas e algumas outras coisas!!!! Nada mal para uma nota de 20€ não é?!!  ☺ ☺ ☺ ........................................................... Com toda a seriedade - Isto é uma piada que li por aí..foi só para ver quem iria ler tudo... 😂 😂 😂 😂 Boa noitee fiquem bem!

8. 9.Renato Janine Ribeiro - 2 h · São Paulo, Brasil · 

Vc fala em prostituição e vêm te falar em Doria... As pessoas que desviam o foco sabem que na França e num país escandinavo que esqueci, está -se cogitando proibir a prostituição?? Dois argumentos: 1) Humilhante para quem se prostitui; 2) Destino, indesejado, de bom número de mulheres imigrantes. Uma sugestão nas discussões: menos provincianismo, por favor. O mundo é maior que os Jardins.

PS - Não tenho posição formada sobre o tema. Mas penso que vale a pena debater.

9. 10.Alessandro Galvão -  · Covilhã · Portugal

"Somos humanos, cumprimos com o nosso dever quando não é sacrifício. A honra não vem facilmente. Porém, mais cedo ou mais tarde na vida de todo homem, chega o dia em que ela não se torna fácil. O dia em que ele deve escolher. Essa escolha cabe a você fazer. E viver com ela até o resto de seus dias.  Como eu fiz.”

Meistre Aemon revela sua origem para Jon Snow

Meistre Aemon, da Patrulha da Noite, tenta convencer Jon Snow a não abandonar seus deveres de patrulheiro e para isso lhe conta a sua antiga identidade: Aemo...

 

11.Marco Antonio Carvalho Teixeira -

Parece que a reunião do conselhao em que Temer foi orientado a aproveitar sua baixa taxa de aprovação para implementar sua agenda tida como impopular foi o ponto de virada. Dali adiante o governo não apenas seguiu com sua agenda como passou a não dar a menor bola para a opinião pública uma vez que as manifestações populares contra o governo fracassaram. A partir daí parte significativa do Congresso se sentiu liberada para leiloar seu voto no momento em que podia ter afastado Temer e agora promove uma reforma política que visa sobretudo a sobrevivência dos próprios congressistas.

12. José Pedro Mattos Conceição – Porto Alegre RS : BONS AMIGOS

A gente luta, sofre e, finalmente, vence, no decurso de toda uma vida basicamente voltada a construir seu recanto de paz, com uma janela de felicidade. Para uns mais fácil, para outros mais difícil, é do jogo. Família sempre importante em tudo e seguidamente os amigos conferem decisivo apoio, de um jeito ou de outro. Mas este negócio de bom amigo tem de ser analisado com modos. Há parceiros, companheiros interessados, confidentes, divertidos, tudo muito bom, muito bem. Mas quantas pessoas você pode enumerar que, ao longo dos anos, estiveram efetivamente disponíveis, tanto ou mais que um irmão? Vou exemplificar. Se eu abro um negócio próspero, seguro e preciso de gente competente para me auxiliar, procuro um amigo, cujas qualidades reconheço, ou dou preferência a um parente próximo, que necessita de um empurrão, ou a uma namorada? Não vale aqui cogitar de aventura. É situação bem objetiva para avaliar a firmeza do vínculo supostamente fraternal. Se aparece oportunidade para adquirir bens bastante interessantes, a preços pra lá de bons ou para usufruir qualquer tipo de vantagem, priorizo parentes, colegas de trabalho, parceiros e afetos ocasionais, ou velhos amigos ainda em convívio? Uma afinidade circunstancial de hoje suplanta uma fidelidade de idos tempos? Eventualmente, pode ser difícil julgar, afinal, a vida é dinâmica, rica em diversidades e conveniências. Existem também amizades “adormecidas”. O relevante a concluir agora é que, se você precisa de um companheiro histórico e de fé, mas seu espaço junto a ele encolheu demais, amigo, amigo ele já deixou de ser. Quem sabe, uma boa recordação, mas cada um no seu quadrado. Em família, costuma-se ter mais atenção. Enfim, esta é uma consideração que não tem nada de pessoal, mas, acredito, merece reflexão, tantas queixas já ouvi.

MATÉRIA EM DESTAQUE Agosto 11-13

Pessoas que gostam de estar sozinhas possuem estes 6 traços especiais:

O Segredo • 10 de agosto de 2017 - https://osegredo.com.br/2017/08/pessoas-que-gostam-de-estar-sozinhas-possuem-estes-6-tracos-especiais/

 

Em termos de nossas personalidades e como nos aproximamos dos outros, muitas vezes, somos colocados em uma das duas categorias: Introvertido ou extrovertido.

É possível ser um pouco de ambos? Alguma vez você já se perguntou o que as qualidades compõem especificamente em cada um e o que elas indicam?

Neste artigo nós revelamos o que significa ser uma daquelas pessoas fascinantes que gostam de passar o tempo sozinhas e desafiar as percepções de que elas estão solitárias, deprimidas, e cheias de ansiedade.

Você tem um amigo que prefere ficar em casa e tomar um café com os amigos a comparecer ao maior festival de música do ano? Você gosta de ter seu próprio tempo, tanto que você vai viajar sozinho, sai para o jantar e tomar um copo de vinho sozinho, bem como assistir um filme, ocasionalmente, com ninguém ao seu lado?

Se assim for, eu estou lá com você, porque eu faço tudo isso, mas o problema é: as pessoas que gostam de passar o tempo sozinhas têm que se explicar, como se fosse contra uma expectativa social do que é normal e o que não é.

Aqui estão algumas grandes qualidades de pessoas que gostam de passar um tempo sozinhos:

  1. São pessoas extremamente leais

Muitas vezes eles não possuem um grande círculo social e, se tiverem, você não vai encontrá-los todas as noites da semana com grandes grupos, na fila da balada mais frequentada. Eles procuram amigos significativos e confiáveis, com quem se sintam confortáveis para estar junto e compartilhar detalhes de sua vida. Se você tem um amigo que gosta de passar tempo sozinho, você pode garantir que essa pessoa estará lá para você, na saúde e na doença.

  1. São abertos a novas ideias

Só porque eles apreciam o seu tempo de silêncio não significa que eles não vão fazer algo novo e emocionante. Eles só se certificam de ter o seu tempo de silêncio antes de mergulharem em uma atividade altamente social.

 

  1. Eles têm uma mente nivelada

Eles passam tanto tempo tranquilos por conta própria, navegando e contemplando situações, problemas, e realmente refletem sobre quem eles são e o que eles querem. Eles têm um forte senso de si e uma confiança que irradia de dentro. Quando eles estão se sentindo estressados ou o peso do mundo está esmagando-os, eles passam um tempo sozinhos para recarregar, em vez de encher seu dia com distrações.

  1. Eles são confortáveis com seus próprios pensamentos

Tenho certeza de que todos nós nos deparamos com alguém que não suporta ficar sozinho com seus próprios pensamentos. Pessoas que gostam de passar o tempo sozinhas, particularmente no silêncio, mostram uma consciência clara e não lutam contra seus pensamentos internos. Claro, todos nós podemos ter dias ruins, mas eles são capazes de levantar a cada queda.

  1. Eles entendem o valor do tempo. Seu e deles

Pessoas que passam tempo sozinhos entendem e apreciam seu valor. Eles colocam uma alta prioridade em fazer esse tempo disponível para que  funcionem em seu melhor nível; então, quando você está dando um pouco do seu tempo, eles entendem o que você deixou de fazer algo para estar com eles. Eles têm uma profunda sensação de se certificar de não fazer você perder seu tempo ou passar tempo com pessoas que os fazem desperdiçar o deles.

  1. Eles exercem limites fortes

Todo esse tempo sozinho dá a essas pessoas o espaço para pensar sobre o que os motiva, o que funciona e o que não, e como comunicar adequadamente isso. Você descobrirá que eles têm limites fortes e saudáveis e exercitam seu direito de comunicá-los de uma maneira realmente saudável e construtiva.

Suas percepções mudaram? Você pode ver alguma dessas qualidades em si mesmo ou em um amigo?

Todos nós temos uma abordagem diferente para a vida, celebrar nossas diferenças torna nossas vidas mais completas.

__________

Traduzido pela equipe de O Segredo  Fonte: Mystical Raven

 

 

Luiz Barradas

5 h · 

Em tempo de reminiscências... Imenso Quintana...

Havia um tempo de cadeiras na calçada. Era um tempo em que havia mais estrelas. Tempo em que as crianças brincavam sob a claraboia da lua. E o cachorro da casa era um grande personagem. E também o relógio da parede! Ele não media o tempo simplesmente: ele meditava o tempo.

Mário Quintana**

 

 

       XXXXXXXXX

 SITES RECOMENDADOS

  VLOGS  JOVENS   PÓS MODERNOS –

Os melhores blogs sugeridos por Alessandro Galvão

 Daily Vlog – Izzi Nobre : A redação do ENEM e os Direitos Humanos -https://youtu.be/Nb9gLpCQ_pY

Apropriação Cultural -https://youtu.be/bZhvpGj1og8 - Quem inventou o cristianismo - https://youtu.be/01ima537ijw - Cristianismo -https://youtu.be/nGUeXKMuqws

UMA AULA DE HISTÓRIA - https://youtu.be/wYQ-GdtydZY

Esquerda e Direita -https://youtu.be/gyeEyp2wwAk 

Revistas Eletrônicas e Links Recomendados

Revistas

Manto Diáfano – ED VERBENA – Brasília DF
http://www.verbenaeditora.com.br/in…/…/revista-manto-diafano

 Revista Acontecimiento, dedicada à divulgação e elaboração do pensamento de Alain Badiou na América Latina, por aqui: https://www.facebook.com/RevistaAcontecimiento/?fref=ts

 Círculo de Estudos da Ideia e da Ideologia http://ideiaeideologia.com/wp-conte…/uploads/2016/…/Ceii.pdf

 Que Será? - Pernambuco ; www.quesera.com.br

 Revista Fevereiro

https://revistafevereiroblog.wordpress.com/ - http://espacorevistacult.com.br/cursos-descricao.php?curso=290

 La ONDA DIGITAL - Montevidéu. 
http://www.laondadigital.uy/

 REVISTA PROFANAÇÕES- http://www.periodicos.unc.br/index.php/prof

 REVISTA BRASILEIROS;http://brasileiros.com.br/revista-brasileiros/ 

           Revista Lusofonia Blog dos Países de Língua Portuguesa

                              https://revistalusofonia.wordpress.com/

 Revista Dialectus:  REVISTADIALECTUS.UFC.BR -  

 Geopolítica - https://www.geopolitica.ru 
----------------

SITES RECOMENDADOS

13 sites que querem mudar o jornalismo brasileiro

www.sul21.com.br -   www.outraspalavras.com.br - www.cartamaior.com.br

www.desenvolvimentistas.com.br -  http://www.auditoriacidada.org.br/

 www.correiocidadania.com.br/     -  www.ecodebate.com.br

www.patrialatina.com.br         www.estrategiaeanalise.com.br  - www.abdic.org.br

http://plataformapoliticasocial.com.br/ - http://www.ifch.unicamp.br/cemarx/site/ - http://www.voltairenet.org/   -  http://www.esquerda.net/ -        http://resistir.info/ -  http://ciperchile.cl/

http://www.dominiopublico.gov.br  - http:/www.oplop.uff.br

http://newleftreview.es/  - http://www.esquerda.net/  -

Fórum Mundial das Alternativas - http://neai-unesp.org/  - http://www.jubileusul.org.br/

http://portaldelaizquierda.com/ 

Forum 21 - https://www.facebook.com/groups/1465485120431945/

 - http://blogdaboitempo.com.br/category/colaboracoes-especiais/vladimir-safatle/

http://www.timmsouza.blogspot.com.br/ - www.paulotimm.com.br

http://www.ideiaeideologia.com   - https://www.facebook.com/IdeiaeIdeologia/?fref=nf /

www.jornaljáhttp://www.jornalja.com.br/  - https://marxismocritico.com/

http://marxrevisitado.blogspot.com.br - http://dagobah.com.br/ - www.acessa.com/gramsci/

topo