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 Dezembro, 15

O Advento

Paulo Timm – Especial A FOLHA, Torres – Natal 2017

 

Todos os anos trago aos leitores de Torres e Passo de Torres,  na expectativa de ecoar por todas as curvas do Mampituba,  minha mensagem de BOAS FESTAS, através da lembrança do Advento. Neste ano que passou, marcado pela presença de sérios conflitos regionais no mundo, realçados pela  ameaça de uma hecatombe nuclear envolvendo a Coreia do Norte, além do agravamento da questão do clima, renovo meus votos na esperança de melhores dias.

O "advento" é o período, na tradição cristã,  de quatro semanas que antecedem o Natal. Ele se inicia no primeiro domingo deste interregno e vai até o dia 25 de dezembro. Trata-se de um período de reflexão e espera, na expectativa da “Boa Nova” do Mensageiro de Deus.  É um momento de preparação para a reunificação das famílias, dos homens de boa vontade e de todos os povos do mundo, sem rancores , sem preconceitos, sem outro sentimento que aquele ocupado pelo Amor ao Próximo.  Sim, porque a grande ceia da noite de Natal não é senão um artifício para a celebração  da concórdia entre todos nós. Confirmação do laço afetivo  num ritual simbólico, imaginário e de forte impacto real, depois que  centenas e até milhares de quilômetros foram tragados por ansiosos passos em direção ao abraço familiar. É para casa que voltamos sempre. É em casa, junto dos entes queridos, que renovamos as energias para enfrentar as adversidades de um ano novo que  logo se anunciará  na fatia dos tempos. Aproveitemos, pois, o Advento, para  meditar sobre o nosso  mundo – ocidental - : pluri-cultural, multi-étnico, democrático, laico,  embora  essencialmente cristão -, como síntese da razão helênica cevada na antiga Grécia e da fé de um homem simples que peregrinou pela Galileia e deixou seus rastros no Novo Testamento.

Vivemos, por certo,  há já décadas,  momentos difíceis de nossa História. Foi-se o sonho de uma noite de verão dos anos do pós-II Guerra. A razão e a liberdade, que pareciam sustentar a construção de um homem capaz de construir seu próprio destino e um novo horizonte para a humanidade, estão em cheque. As esperanças de um mundo melhor parecem soterradas. O Advento, porém, contribui para reforçar a persistência no bom caminho da iluminação. O homem, enfim, é o começo e o fim de tudo. Ainda há tempo, mas há que refletir. Pensar com coragem, determinação e prudência. Pensar e agir enquanto oramos,todos,  mesmo os que não sabem rezar, por um 2018 mais promissor. Para nós, brasileiros,  ele será decisivo para moldar um novo tempo.

 

 

 

Dezembro, 10 

O ATO, O FATO E O PATO

                                                     Paulo Timm

 “A preferência pela ontologia junto a teoria do conhecimento faz ecoar o impasse da razão tecnológica (onde ressoa a barbárie), mas além do objetivismo-idealista, um pragmatismo-reificado termina por influenciar o senso da verdade racional de muitos. Ao evitar a precedência da ética na abordagem ontológica, ignora-se as razões das escolhas de objeto de pesquisa e o sentido do bem implicado no conhecimento produzido, para este ou aquele grupo. O sonho da solidez, da força e da certeza sempre atende aos poderes etnocêntricos, daqui e de lá. Hoje, mesmo nas ciências humanas, muitos buscam categorias fixas, em nome de determinada validade de pretensão universal, que todos sabemos, nunca se alcança, chegando no máximo à certas validades gerais. Penso que, se na prática as ciências e a filosofia não implicam a ética prioritariamente em suas escolhas, então, o que o conhecimento diz do ser é aquilo que convêm a poucos”

Felipe Lessa FACE BOOK

Dia da FILOSOFIA

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No último dia 16 celebrou-se o Dia Mundial da Filosofia, que foi lembrado pela ONU com uma mensagem na qual enaltece o papel deste campo do conhecimento como estímulo ao diálogo entre as culturas, além de outras virtudes:

 “Para a UNESCO, a filosofia também é o meio de liberar o potencial criativo da humanidade, e fazer emergir as novas ideias. A filosofia cria condições intelectuais para a mudança, o desenvolvimento sustentável e a paz.”

Em suporte ao ensino da Filosofia, cujo nascimento situamos no século de ouro da Grécia Antiga – Sec. V AC – a  Conferência Mundial das Humanidades, na Bélgica, em agosto de 2017, determinou as diretrizes para o ensino de humanidades e a  UNESCO se esforça para difundir esta visão.  A diretora-geral da UNESCO lembrou que, ainda hoje, a filosofia é um baluarte contra o estreitamento de opiniões, uma maneira de cultivar a distância crítica diante da saturação das informações, diante dos discursos simplistas que buscam colocar as culturas umas contra as outras. (UNESCO cit)

                                   Mensagem  UNESCO/ONU – 16 novembro 2017

 

 

Na verdade, a Filosofia trata da procura da verdade, o que exige que ela não só crie teorias, como, paralelamente, crie uma sintaxe própria. Tal como a Poesia, sua prima, a Filosofia nasce do espanto diante do mundo e repousa sobre dois grandes vértices de reflexão: (1) O Transcendentalismo que nos remete à  estrutura universal de como a realidade se apresenta para nós e que nos dão as  coordenadas da realidade, ou seja, como pensar, (2)Ontológico, que trata da  realidade em si , sua emergência e sua disposiçãp - quem sou - , esta , cada vez mais sequestrada pelas Ciências Naturais; neste campo a ideia o ente, dotado de consciência e capaz de decidir sobre seu destino, como um acidente do ser, ocupa um lugar central.

:
“ Desde sua própria origem a filosofia parece oscilar entre duas abordagens: a transcedental e a ontológica ou ôntica. A primeira se refere à estrutura universal de como a realidade se apresenta para nós. Que condições é preciso atender para que a percebamos uma coisa como realmente existente.? “Transcedental é o terreno técnico filosófico, para tal arcabouço, o qual define as coordenadas da realidade –por exemplo – a abordagem transcental nos torna conscientes de que para um naturalista científico, só os fundamentos materiais espaço temporais regulados pelas leis naturais realmente existem, enquanto para um tradicionalista pré-moderno, espíritos e signaficados também são partes da realidade, e não apenas projeções humanas. A abordagem ôntica, por outro lado, está preocupada com a realidade em si, com sua emergência e sua disposição como apareceu o universo. Será que ele tem um começo e um fim?Qual o nosso lugar nele? No século XX , a brecha entre esses dois métodos de pensamento se tornou mais acentuada: a abordagem transcedental alcançou seu apogeu com o filósofo alemão M.Heidegger (1889-1976), enquanto a ontológica parece , hoje, ter sido sequestrada pelas ciências naturais. – esperamos que a resposta a nossa pergunta sobre as origens do universo venha da cosmologia quântica, das ciências do cérebro e do evolucionismo.”

                                            (S.ZIZEK em ACONTECIMENTO, Ed. ZAHAR, pg. 09-10)

 

 

A Filosofia, entretanto, embora tenha sido o ponto de partida para o pensamento científico, tendo em Aristóteles, discípulo de Sócrates, o patrono da postura ordenadora e racionalista dos fatos observados, com vistas à sua “lei” de sua, não é normativa. Ela é especulativa. Não dá soluções. Formula indagações  sobre o que observa tratando  dar conta e razão de forma a criar uma certa e datada  inteligibilidade. No dizer de Roberto Gomes, irrecorrível, a “Filosofia é uma razão que se expressa”.

Da Filosofia, amiga do saber, não derivaram apenas as Ciências Naturais, mas também as Humanidades, a partir do Direito, seguindo-se, depois a Economia, a Sociologia, a Psicologia , a Política e suas amplas derivações. De todas elas o Direito foi o que mais preservou a tradição perquiritória da Filosofia, mesmo depois de enveredar nos tempos modernos, com Kelsen, para a positividade da norma. Mas a sociedade civilizada  se recusa a condenar alguém sem procedimento processual, o qual impõe não só os lados antagônicos da acusação e da defesa, como ainda a presença de um juíz que se interpela permanentemente à luz da hermenêutica, ou seja, da interpretação das leis. Não fora este fundamento filosófico e bastaria a Polícia para prender, processar e julgar os criminosos com base na no que está escrito na Lei. Mas isso não basta à Filosofia do Direito.

A Sociologia surgiu mais tarde, desmembrando-se da Filosofia na tentativa de melhor compreender os fenômenos que deram origem à modernidade. Émile Durkheim foi seu fundador e procurou definir e situar o fato social como objeto da nova disciplina. Ele estudou profundamente as relações entre o indivíduo e a sociedade, mostrando a inevitabilidade desta, com sua armadura legal e institucional,  na modelagem da cultura. Preocupava-o, sobretudo, a disfunção capaz de levar a situações de ruptura desta cadeia, a que deu o nome de anomia.

O conceito de anomia foi cunhado pelo sociólogo francês Émile Durkheim e quer dizer: ausência ou desintegração das normas sociais. O conceito surgiu com o objetivo de descrever as patologias sociais da sociedade ocidental moderna, racionalista e individualista

A organização dos homens em uma mesma sociedade, regulada pelas mesmas leis é o que permite a mediação de conflitos individuais e sociais: “A única força capaz de servir de moderadora para o egoísmo individual é a do grupo; a única que pode servir de moderadora para o egoísmo dos grupos é a de outro grupo que os englobe” (DURKHEIM, 2010, P. 428).

A anomia é definida pelo autor como a ausência dessa solidariedade, o desrespeito às regras comuns, às tradições e práticas.

Esta lembrança é oportuna à luz da questão, hoje candente, da prisão de parlamentares no Estado do Rio. Para muitos, decorrente, para muitos,  de uma certa confusão na interpretação da decisão do Supremo Tribunal Federal, depois que este transferiu ao Senado o caso Aécio Neves. Ora, talvez a questão não seja propriamente de confusão no campo do Direito, mas de um estado típico de anomia no âmbito do Estado brasileiro. Algo muito mais grave.Isso vem a ser admitido pela PGR que recorreu da decisão de soltura dos referidos deputados, que acabou devolvendo-os à prisão por decisão do TRF 2 , Rio de Janeiro, quando alegou que o Estado é “uma terra sei lei” - https://l.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Fpoder%2F2017%2F11%2F1937120-pgr-vai-ao-stf-contra-alerj-e-diz-que-rio-e-terra-sem-lei.shtml%3Futm_source%3Dfacebook%26utm_medium%3Dsocial%26utm_campaign%3Dcompfb&h=ATNbWwTwqLlnL67h2NSIa4L5IM1PdKX6a-R3xNOXjPOOtn5kaRZxxqSgGfrx-o619Wt4tjS0ewBDtA3meyEiU3hyuGXNE1oreuplM_359nKxP0vwpQDFWDHUtQ9L_8DvOFWQ3KgDVj3hoscP_3kPKww0M4317aQh3oNvCo_cz4RNQmttpe5GJrnw34o0Vw126P3lN3PfYCWWCGjVwudN4HYw7TpMhPG5O7GQdCSdPzWFvNKmjq1gqlyHmhhjY27hs6tvvKZrg-XJVlQ2nWZ6PWWts6cp28mXz3IuxGFk4Ru3EiQ

Oportuna também, a lembrança de Durkheim, para restaurar à Sociologia um mínimo de especulação que a impeça de virar uma mera técnica de ajustes sociais daquilo que se considere desviação da norma social. Hora, pois, de um pouco de hermenêutica de Sua Excelência imperial e brutal: O fato.

Jamais  se contente com ele como lhe parece ou aparece, mesmo à luz das mais sofisticadas ferramentas de observação. Nunca há, por exemplo, uma única percepção e  interpretação do visto ou medido. Basta ver o que diz cada uma das testemunhas de um acontecimento, mesmo sob o cuidado de separá.las antes da consulta. 
Pergunte-se, antes COMO estes supostos fatos ocorrem. E POR QUE?
Aí vai descobrir aquilo que os ÍDOLOS DA RAZÃO, no dizer de um dos pais da modernidade, um tal Lord Bacon, encobrem e que outros Cientista Sociais advertem sobre o descolamento do real, do imaginário e do simbólico. E descobrirá a diferença entre o que aí está, posto e disposto, com aquilo que poderia ser e que é, exatamente, o que move a consciência no mundo.

Isso posto,  começará a entender, graças à Filosofia e suas derivações no campo das Ciências Humanas , porque o Homem  é sempre um enigma,  refém de uma razão que sua própria razão desconhece. E nunca mais será  um pato…

 

DEZEMBRO, 07

ORA DIREIS OUVIR AS VAGAS ESTRELAS DA URSA

 

“Não se ama a pátria porque ela seja grande e poderosa, mas porque é a nossa pátria” , dizia  Sêneca. E o Poeta Maior da moderna idade lusitana (FP), sublinhava: “O rio que passa pela minha aldeia é o mais lindo do mundo porque é rio que passa pela minha aldeia”.

A vida é simples, embora breve, mas se  enobrece pela virtude, amante da verdade, e se imortaliza pela arte. Foi assim, desde as cavernas, passando pelas grandes civilizações do passado, até os tempos atuais.

Um momento mágico deste longo itinerário, foi o século de Péricles (V AC), em Atenas, coração da Grécia antiga, embora um pequeno ponto no vasto e grandioso Império Persa que a cercava e ameaçava. Mas Péricles não foi um homem só. Por trás dele descortinava-se a grandeza de Homero e as lições da Iliada e da Odisseia, fundamento da PAIDEIA, tal como a Bíblia o é para nós. Naquele tempo a Poesia era companheira inseparável da condição humana, tradição que o Irã e povos orientais cultivam até hoje para encanto dos viajantes. Nós a perdemos pelo caminho da racionalização do mundo. Urge reencontrá-la.

Enquanto isso, resta-nos a História.

Em sua obra “Paideia: a formação do homem grego”.  Werner Jaeger deixou-nos um legado para o dos ideais da educação da Grécia antiga. Lamentavelmente, perdi meu exemplar, devidamente assinalado. Foi-se com meu FIAT roubado há alguns anos, sem que o furtivo meliante percebesse a preciosidade que capturara. Onde terá ido o meu PAIDEIA? Mas ainda compro outro e, se der tempo, o relerei com todo o cuidado….

A Paideia tal qual os gregos entendiam, envolve o ensinamento do corpo e da mente. Poesia, teologia, filosofia, gramática, retórica, matemática, música e astronomia faziam parte da formação da alma do homem grego.Jaeger demonstra isso desde os tempos remotos da Hélade com a poesia de Homero. Como GiamBattista Vico havia percebido, toda grande civilização começa com os poetas-teólogos, que são aqueles que transmitem o mito fundador da nação para o povo. A poesia foi a primeira forma de preparação da mente de crianças e adultos para a compreensão do mundo. O Mythos é a pedagogia de Homero, porquanto os seus poemas reproduzem as estórias de deuses e homens que dão início à Paideia. Jaeger acredita que Homero produz um pensamento “filosófico” relativo às leis eternas que governam o mundo. Na Ilíada e na Odisseia, as paixões humanas e os elementos da tragédia grega que Aristóteles iria explicar de forma tão maravilhosa na poética já se fazem presentes.”

 

Felipe Pimenta, in Resenha -

https://felipepimenta.com/2014/03/13/resenha-paideia-de-werner-jaeger/

Da PAIDEIA, de Jaeger, retirei um ensinamento: a importância da educação na formação de um povo. Educação no sentido amplo, não como 2 mais 2 são 4, mas também 22 ou, quem sabe, até 5… A educação importa não porque entrega conhecimentos adicionais. Mas porque molda um caráter com base no culto da virtude e da beleza. O erro dos doutores é a vaidade que os  transforma num burro carregado de livros, esquecendo-se do encanto da pátria e do rio que passa pela aldeia.   Diderot sabia disso, como se observa de sua nota sobre outro livreto de Sêneca, “Vida Feliz”:

 “Para o ignorante não há ciência mais simples e evidente que a moral; o sábio, porém, a considera a mais espinhosa e obscura . Talvez a moral seja a única ciência da qual se extraem defuções das mais justas audazes e distantes antes eesmo que se definam princípios. Por que isso acontece? Porque heróis são heróis antes de serem pensadores. Pensadores são produtos do ócio; os heróis se forjam na circunstância. Forma-se um pnesador nas escolas, frutos tardios do tempo. Os heróis repousam entre perigos, presentes em todos os tempos No heróis verifica-se a moral em ação, da mesma maneira que nos poetas a moral está nos pensamentos.”

Na Grécia antiga, por exemplo,  as crianças eram mandadas à Escola para aprender Oratória e Retórica. A primeira era a arte do discurso; a segunda a arte da argumentação. Esta era decisiva porque eles acreditavam, seguindo os sofistas, dentre os quais Protágoras pontificava, que tudo no mundo continha o justo e o injusto e ambos eram igualmente justificáveis. Um cidadão, portanto, deveria saber comparecer à Agora, onde cevou-se a democracia,  provido deste instrumental na defesa de suas ideias e seus interesses.. 
Contra este tipo de pensamento insurgiram-se Sócrates e seus seguidores- Platão e Aristóteles, imediatamente - , dando a origem à Filosofia, no esforço de dar conta e razão das questões que os atormentavam em busca da VERDADE. Uma verdade e não muitas... Daí nasceu o LOGOS, que desembocaria na Ciência e teria seu leito de Procusto na raciolinazação instrumental da socedade tecnológica, a ÉTICA, cuja filha dileta seria a Política, e a ESTETICA, como culto da beleza. 
Tudo para soterrar as superstições que assombravam o pensamento humano e o sofismo, que tergiversava sobre a verdade.
Isso me ocorre agora quando ouço o derradeiro discurso do Governo , quase de misericórdia, em defesa da REFORMA DA PREVIDÊNCIA. Afirma com ares doutorais que, com a REFORMA, a ECONOMIA PODE VOLTAR A CRESCER. Sem a REFORMA ela volta a cair.
Primor de retórica sofista.Coisa de marqueteiro, não de gente iluminada com as luzes da PAIDEIA.

E há quem acredite...

Se a Reforma da Previdência é importante, basta revelá-la em sua verdade. Não só com os algarismos que enchem tabelas pré concebidas para justificar o próprio argumento, mas com os números, como dizia Pitágoras, que alimentam o espírito, sobretudo o espirito público.

 

 

 NOVEMBRO, 21

                O ATO, O FATO E O PATO

                                                                 Especial para A FOLHA, Torres . 

 

 “A preferência pela ontologia junto a teoria do conhecimento faz ecoar o impasse da razão tecnológica (onde ressoa a barbárie), mas além do objetivismo-idealista, um pragmatismo-reificado termina por influenciar o senso da verdade racional de muitos. Ao evitar a precedência da ética na abordagem ontológica, ignora-se as razões das escolhas de objeto de pesquisa e o sentido do bem implicado no conhecimento produzido, para este ou aquele grupo. O sonho da solidez, da força e da certeza sempre atende aos poderes etnocêntricos, daqui e de lá. Hoje, mesmo nas ciências humanas, muitos buscam categorias fixas, em nome de determinada validade de pretensão universal, que todos sabemos, nunca se alcança, chegando no máximo à certas validades gerais. Penso que, se na prática as ciências e a filosofia não implicam a ética prioritariamente em suas escolhas, então, o que o conhecimento diz do ser é aquilo que convêm a poucos”

Felipe Lessa FACE BOOK

 

                                                                *

 No último dia 16 celebrou-se o Dia Mundial da Filosofia, que foi lembrado pela ONU com uma mensagem na qual enaltece o papel deste campo do conhecimento como estímulo ao diálogo entre as culturas, além de outras virtudes:

Na verdade, a Filosofia trata da procura da verdade, o que exige que ela não só crie teorias, como, paralelamente, crie uma sintaxe própria. Tal como a Poesia, sua prima, a Filosofia nasce do espanto diante do mundo e repousa sobre dois grandes vértices de reflexão: (1) O Transcendentalismo que nos remete à  estrutura universal de como a realidade se apresenta para nós e que nos dão as  coordenadas da realidade, ou seja, como pensar, (2)Ontológico, que trata da  realidade em si , sua emergência e sua disposiçãp - quem sou - , esta , cada vez mais sequestrada pelas Ciências Naturais, particularmente Neurociências;

A Filosofia, entretanto, embora tenha sido o ponto de partida para o pensamento científico, tendo em Aristóteles, discípulo de Sócrates, o patrono da postura ordenadora e racionalista dos fatos observados, com vistas à sua “lei” , não é normativa. Ela é especulativa. Não dá soluções. Formula indagações  sobre o que observa tratando  dar conta e razão ao que vê. No dizer de Roberto Gomes, definitiva: A “Filosofia é uma razão que se expressa”.

Da Filosofia, amiga do saber, não derivaram apenas as Ciências Naturais, mas também as Humanidades, a partir do Direito, seguindo-se, depois a Economia, a Sociologia, a Psicologia , a Política e suas amplas derivações. De todas elas o Direito foi o que mais preservou a tradição perquiritória da Filosofia, mesmo depois de enveredar, nos tempos modernos, com Kelsen, para a positividade da norma. Não fora este fundamento filosófico e nos bastaria a Polícia para prender, processar e julgar os criminosos, com base na no que está escrito na Lei. Mas isso não basta à Filosofia do Direito. Ela exige o que chama de hermenêutica. Ainda bem...

A Sociologia surgiu mais tarde, desmembrando-se da Filosofia na tentativa de melhor compreender os fenômenos que deram origem à modernidade. Émile Durkheim foi seu fundador e procurou definir e situar o fato social como objeto da nova disciplina. Ele estudou  as relações entre o indivíduo e a sociedade, mostrando a inevitabilidade desta, com sua armadura legal e institucional,  na modelagem da cultura. Preocupava-o, sobretudo, a disfunção capaz de levar a situações de ruptura desta cadeia, a que deu o nome de anomia.

. O conceito surgiu com o objetivo de descrever as patologias sociais da sociedade ocidental moderna, racionalista e individualista.

A anomia é definida pelo autor como a ausência dessa solidariedade, o desrespeito às regras comuns, às tradições e práticas.

 

Esta lembrança é oportuna à luz da questão, hoje candente, da prisão de parlamentares no Estado do Rio. Para muitos, decorrente, de uma certa confusão na interpretação da decisão do Supremo Tribunal Federal, depois que este transferiu ao Senado o caso Aécio Neves. Ora, talvez a questão não seja propriamente de confusão no campo do Direito, mas de um estado típico de anomia no âmbito do Estado brasileiro. Algo muito mais grave… Isso vem a ser admitido pela PGR que recorreu da decisão de soltura dos referidos deputados, que acabou devolvendo-os à prisão por decisão do TRF 2 , Rio de Janeiro, quando alegou que o Estado é “uma terra sei lei” -

https://l.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Fpoder%2F2017%2F11%2F1937120-pgr-vai-ao-stf-contra-alerj-e-diz-que-rio-e-terra-sem-lei.shtml%3Futm_source%3Dfacebook%26utm_medium%3Dsocial%26utm_campaign%3Dcompfb&h=ATNbWwTwqLlnL67h2NSIa4L5IM1PdKX6a-R3xNOXjPOOtn5kaRZxxqSgGfrx-o619Wt4tjS0ewBDtA3meyEiU3hyuGXNE1oreuplM_359nKxP0vwpQDFWDHUtQ9L_8DvOFWQ3KgDVj3hoscP_3kPKww0M4317aQh3oNvCo_cz4RNQmttpe5GJrnw34o0Vw126P3lN3PfYCWWCGjVwudN4HYw7TpMhPG5O7GQdCSdPzWFvNKmjq1gqlyHmhhjY27hs6tvvKZrg-XJVlQ2nWZ6PWWts6cp28mXz3IuxGFk4Ru3EiQ

 

 Nem com a Filosofia, nem com a Sociologia, porém, você alcançará a sabedoria, mas  começará a entender,  porque o Homem  é sempre um enigma,  refém de uma razão que sua própria razão desconhece. E nunca mais dará uma de pato diante do fato…

 

 

 


Almanak do Timm
Almanak do Timm

 ALMANAK DIA 10 DE ABRIL , 2017

 

IMPRESSÕES

I – FHC e o candomblé

Diga-se o que se quiser sobre FHC, mas ele não é um débil mental. Dele, escuto, num documentário sobre DARCY RIBEIRO está pérola: "O Brasil não pode ser entendido exclusivamente sob a ótica ocidental. Precisa um pouco de candomblé. Darcy tinha um pouco mais do que eu..."

Isso serve para se compreender tudo; A PEC dos gastos, a Reforma da Previdência, a Era Lulo-Petista, o bolivarismo, o jihadismo, a Guerra Civil na Síria, o BREXIT, até o último ataque dos ESTADOS UNIDOS à base aérea do governo sírio...O candomblé não sucumbe ao confronto do bem contra o mal. Procura o terceiro elemento, onde se refugiam mais os sentimentos do que as razões...

 

II                                                            - Razão e sensibilidade

Nossa razão, sobre o bombardeio americano  é que, enfim, o mocinho ocidental castigou o vilão matador de criancinhas. O dito vilão e seus “despóticos” aliados russos, chineses e iranianos – estes dois últimos berços da civilização - , replicam: “É um ato de agressão unilateral, sem qualquer prova, nem apoio de instituição internacional”. A ONU, na verdade, é cada vez mais um quadro com uma bela paisagem pendurada nas paredes do globo. Na verdade, o ato americano, verdadeiro golpe publicitário de um Presidente condenado por todo mundo decente, marca o retorno do Irmão do Norte à política do big stick (cacete) que sempre acompanhou aquele país em seu “Destino Manifesto”, de inspiração religiosa,  como protetora do mundo. Lamentável, independentemente das evidências sobre a existência de mocinhos e bandidos de um e outro lado. Ficamos nós, mortais, na expectativa de que um leve roçar de asas de aviões russos e americanos nos céus do Oriente Médio acabe pressionando os botões da guerra nuclear. Aí, kaputtt, fim de linha...

III - Meirelles Kaput –

Outro que parece liquidado é o Ministro Meirelles. A insuspeita Globonews o fulminou com o que  denominou, embora en passand, como gosta de dizer o Lula,  em comentário de Flavia Oliveira, como “incompetência”, diante do rombo do ORÇAMENTO DA UNIÃO em 2018 de R$ 129 bilhões. Ou seja, a equipe econômica, que acusou Dilma de irresponsabilidade fiscal, e que aí está para arrumar a casa, só piora as coisas. Nem me estendo sobre o déficit como questão, pois não acredito que seja o problema fundamental da crise. Apenas registro que Meirelles falhou. Não tem mais nada a fazer neste ou em qualquer outro governo. É e sempre foi um blefe. Um gerente de banco preocupado com os devedores inadimplentes. Longe de léguas de Lucas Lopes, Roberto Campos, Simonses, Delfim e Malan, ex Ministros da Fazenda. Vai pra casa, Meirelles, em Boston...

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IV -ALLES KAPUT, Tudo perdido.

Isso é o que também pensa um dos líderes parlamentares do neoconservadorismo brasileiro, Onyx Lorenzoni – DEM/RS .  Ele, depois que o Renan Calheiros assumiu o lugar de líder da Oposição ao antigo aliado Temer (entenda-se!), resolveu defender a cassação da chapa Dilma/Temer e  diz, no Congresso em Foco,  que o Governo não terá força para aprovar reforma nenhuma, elogia Bolsonaro e chama Henrique Meirelles de “incompetente” http://bit.ly/2nW8PeS. E fica comprovado: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena...” e tudo se perde quando ela se amesquinha...

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ALMANAK- DIA 07 de abril, 2017

RISCO DE ESCALA DE GUERRA NO MUNDO

Paulo Timm – Abril, 07

O anúncio de que os Estados Unidos bombardearam uma base aérea do Governo Sírio está chocando o mundo, justo quando o Presidente americana prometera deixar o Presidente daquele país em paz e dar prioridade aos assuntos internos dos Estados Unidos. A desculpa é a mesma da época da invasão do Iraque: a posse e uso de armas químicas de destruição em massa colocam em cheque a segurança americana.

O ataque é condenável por inúmeras razões:

  1. Retoma o caráter belicoso da intervenção americana nos assuntos internacionais, cuja memória ainda nos reporta à Guerra Suja do Vietname nos anos 60-70.
  2. Antecipa-se às investigações internacionais sobre a verdadeira responsabilidade sobre o ataque com o gás sarin no íncio da semana numa cidade síria.
  3. Não responde à nenhuma determinação das Nações Unidas, consistindo numa ação de responsabilidade exclusiva do Governo dos Estados Unidos.
  4. Desconhece o fato de que as Nações Unidas em relatório de 2015 reconheceu que tanto o Governo de Baschar Al Assad como os rebeldes possuíam armas químicas e que ambos deveriam ser responsabilizados pelos ataques com armas químicas em 2013
  5. Ignora o fato de que seria estupidez do governo sírio usar armas químicas numa conjuntura de sucessivas vitórias sobre forças rebeldes no terreno e de que teve seu arsenal com estas armas neutralizado em 2015 por ação do Presidente Obama.

 

O ataque americana confronta não só o Governo Sírio, mas a estabilidade mundial, ao se converter numa ação unilateral de alto poder ofensivo contra uma nação organizada, com o agravante de que pode trazer uma irritação adicional pela presença dos russos na região. Corremos o risco de ver as duas maiores potências nucleares do globo se confrontarem, sem qualquer possibilidade de mediação.

 Anexos:

Acusações infundadas: quem realmente utiliza armas químicas na Síria? 

5 abr 2017 | "Mudança de Regime"

                                    

Oposicionistas sírios acusaram o exército nacional da utilização de armas químicas não apresentando nenhumas provas disso. Mas será que os países ocidentais não necessitam de provas?

O exército nacional sírio nunca utilizou e não vai utilizar substâncias tóxicas, segundo diz o texto do comunicado do comando militar sobre as acusações por parte da oposição armada de utilização das armas químicas na província de Idlib. O comando do exército sírio lembrou que os grupos terroristas armados acusam Damasco da utilização de armas químicas quando não conseguem alcançar objetivos “no terreno”.

Mas será que existe alguém que acredita na informação de Damasco no Ocidente? Paris, logo após ter ouvido sobre o ataque da oposição síria, começou exigindo uma reunião urgente do Conselho da Segurança da ONU, que foi como resultado marcada para o dia 5 de abril. O secretariado da organização internacional expressou inquietação, mas eles ainda não conseguiram verificar a informação e perceber se houve realmente um ataque, comunicou sobre isso o representante do secretário-geral.

Fonte Sputnik

http://www.orientemidia.org/acusacoes-infundadas-quem-realmente-utiliza-armas-quimicas-na-siria/?utm_source=dlvr.it&utm_medium=facebook&utm_campaign=acusacoes-infundadas-quem-realmente-utiliza-armas-quimicas-na-siria

 

PREOCUPAÇÃO Cesar Benjamin

Entro na internet e vejo a notícia de que os Estados Unidos lançaram hoje cinquenta mísseis contra a Síria. A acusação de que o governo sirio teria usado armas químicas conta a população é pateticamente inverossímil. A Síria desativou há tempos seus arsenais de armas químicas e está vencendo a guerra no terreno, com amplo apoio de seu povo. Por isso, aliás, essa guerra saiu do noticiário.

O governo sírio afirma que atacou posições do chamado Estado Islâmico. Lá, além de armas convencionais, já identificadas, havia depósitos secretos de armas químicas, que vazaram.

O importante, agora, é saber como o Estado Islâmico obtém armas químicas.

Uma nova escalada na guerra da Síria, com Trump na presidência dos Estados Unidos, será um desastre.

 

 

 

 ALMANAK- DIA 05 de abril, 2017

 

RAIOU ABRIL E JÁ SE FALA EM SUCESSÃO

Paulo TImm – Especial para A FOLHA, 5 de abril.

 

Raiou abril que, para nós, nada tem de cruel, como o fora para T.S.Elliot, quando escreveu um dos mais belos poemas do século XX: “Terra Devastada.” Para nós, do lado de cá do Equador,  abril é doce. Encerra definitivamente os sufocantes verões aos quais se seguiram as águas copiosas de março, sempre incômodas. É um mês de noites  mais longas,  mas amenas, árvores suplicantes mas ainda viçosas e realização das promessas de fim de ano. Na Páscoa, daqui a pouco, tudo explode em chocolates e planos para o inverno.

Neste ano, o abril precipita a sucessão política. Ano que vem, eleições gerais para Presidente, Governador e renovação dos respectivos legislativos. A situação nacional é periclitante, mas, aos poucos Temer é visto como um mal menor e vai estendendo seu horizonte até seu sucessor. Os eleitores ainda dizem que odeiam a Política e os Políticos mas quando chega o dia de eleições torcem pelos seus candidatos como numa final de campeonato. Esquecem-se das mazelas com a mesma rapidez que se esquecerão do nome em quem votaram, sobretudo para as Assembléias. É o Brasil...

No plano nacional o cenário é confuso. Lula corre na frente nas pesquisas eleitorais  - apesar da alta rejeição - e não dá muita chance a seus eventuais contendores, dentre eles a eterna Marina Silva, pela Rede, o imprevisível  Ciro Gomes, pelo PDT, Bolsonaro, pela extrema direita e uma incógnita pelo centro direita, vez que os candidatos até agora os tucanos cotados atolam-se em denúncias - Aécio Neves, José Serra e o Governador Alkmin, de São Paulo-  abrindo campo para  a emergência do Prefeito de São Paulo , João Doria.  A grande dúvida neste cenário é Lula. Será realmente candidato? Seu último artigo na FSP  - “A sombra do estado de exceção se ergue sobre nós” /  29 março 2017 - mais se parece a uma Carta Testamento , de quem se despede da vida pública, do que o lançamento de candidatura. Mas, talvez, isso se explique pela sua delicada situação perante a Justiça. Um passo em falso e o que é uma conjectura de condenação em um dos processos  a que responde se desdobra como desacato. Mas ninguém exclui a possibilidade de uma grande novidade no pleito de 2018 , com um candidato que expresse uma postura mais construtiva a favor da reconstrução nacional, papel que exige uma centralidade do tipo desenvolvido pelo atual Prefeito do Rio de Janeiro. Ou, por outro lado, a emergência explosiva de algum populista de ocasião, tipo Collor. A questão central, entretanto, nem é quem ganha, mas o que poderá fazer neste cenário de descrédito do Estado e de manutenção do arcabouço geral do sistema político nacional, visivelmente viciado.

No âmbito estadual, já se fala na aspiração do Governador Ivo Sartori em concorrer à reeleição. Contra ele conspira a tradição da não reeleição de ocupantes do Piratini e a  tão visível baixa popularidade de seu nome que nem pesquisas são contratadas... Mas Sartori guarda consigo a esperteza atribuída aos velhos descendentes da colônia italiana. Tem na cartola o coelho da retomada dos gastos públicos, com convincentes aumentos salariais, no último ano de Governo, tal como o cumprimento do Piso Salarial dos Professores e novas incorporações na Brigada Militar, tudo acompanhado pelo discurso pré-elaborado desde o primeiro dia de seu governo: -“ Reorganizei as finanças destruídas do Estado”. Um trunfo, mesmo que pouco consistente. Na verdade, tenho sempre assinalado que faltou, tanto ao ex governador Tarso Genro como ao PT o vigor indispensável para enfrentar a sinistrose denunciada por Sartori. No caso de Tarso é evidente que deveria ter percorrido o Estado explicando-se. Argumentos não lhe faltariam, pois é evidente que ele não deixou o Estado em ruínas como alega seu sucessor. Pelo contrário, a economia do Rio Grande nos anos da administração petista comportaram-se até melhor do que a economia nacional e nenhum salto significativo na dívida do Estado justifica a sinistrose que nos equiparou ao Rio de Janeiro. O que ocorreu foi simplesmente uma perda conjuntural de receita, em decorrência da recessão econômica, algo que deveria ter sido enfrentado com competência de caixa e elegância republicana. Tudo indica, porém, que o PT e seus líderes foram imobilizados   para enfrentar o campo de batalha. Preferem as tribunas, enquanto a praça, onde mora o acontecimento, fica à deriva de oportunistas.

Sartori vai enfrentar dois novatos e, talvez, a Senadora Anamélia, que já falhou feio na primeira tentativa, em 2014: Jairo Jorge, ex-prefeito de Canoas, filiado ao PDT, com razoável penetração na Região metropolitana de Porto Alegre e o deputado Miguel Rosseto, do PT, de Caxias do Sul, ambos com pouca penetração no interior, onde o PMDB reina e o PP de Anamélia lhe segue de perto Rosseto, por enquanto, estaria na frente de Jairo Jorge, mas tem um discurso mais estreito do que ele, vez que expressivo da tendência Democracia Socialista, dominante no  PT gaúcho. Jairo, com origem no PT, tem a seu favor, em compensação, maior  experiência administrativa, relativamente exitosa como Prefeito de Canoas, segundo município em população no Estado.  Inexistem , ainda pesquisas de opinião sobre essas alternativas. mas tudo indica que será por aí que avançaremos. O momento, segundo especialistas, exigiria um concerto de fino jazz, na figura de concorrentes com perfil desassombrado e grande envergadura de atitudes, lembrando tipos como Pinheiro Machado, Getúlio ou mesmo Paulo Brossard, mas teremos que nos contentar com o “solo de clarinetas”...  Consta, enfim,  que Rosseto e Jairo Jorge já se movem com assessores e consultores vislumbrando o pleito que se aproxima. Uma boa opção seria uma soma dos dois, mas quem, se atreve colocar o guiso no gato...?  Até agora, pois, só especulações. Ninguém sabe o que proporão. Já Sartori tem um novo slogan: “Tapei o buraco, agora quero erguer  Um Castelo no Pampa.” , em alegoria a Assis Brasil...

 

 

ALMANAK DO TIMM - DIA 01 de abril de 2017

BRASILIA CAPITAL – Um bom debate

 

Renate Land – São Paulo , postou e comento

“O maior golpe foi Brasília e um Congresso distante do povo .  Volta pro povo Congresso. Vamos incendiar esta ideia.”

Paulo Timm - Lamento discordar. Fui um entusiasta da transferência da capital e morei em Brasília, onde fiz minha carreira e vida pública, por 35 anos. Há povo, sim, em Brasilia, apesar de que ela aparece sempre como o lugar dos ausentes, isto é, o GOVERNO. A Região Metropolitana de Brasília é uma das maiores do país, com 4 milhões de habitantes, extremamente informados por um número considerável de rádios, jornais e revistas locais, sindicatos e ONGs organizadas, bairros com sólida representação popular e sempre presente na PRAÇA DOS TRES PODERES nos momentos cruciais da vida nacional. Lembro, apenas, a grande mobilização da cidade na defesa das DIRETAS JÁ por ocasião da apreciação da EMENDA DANTE DE OLIVEIRA, em 1984. VIVA BRASILIA, símbolo dos ANOS DOURADOS no BRASIL e expressão do engenho e arte da civilização brasileira. Aliás, foi a direita furibunda e atrasada, sob a égide da UDN, que sempre condenou a construção de BRASÍLIA,

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Renate Land Querido, Brasília sem dúvida tem todo esse brilho, mas está numa redoma. Parece um país distante do Brasil e não temos como interferir a não ser fechando a Paulista. Queria ver se Congresso fosse numa grande capital. O q essa corja teria coragem de fazer?

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Paulo Timm Não é BRASÍLIA que está distante do BRASIL, são os políticos brasileiros...De resto, Brasília é uma grande capital, embora sem a pujança econômica de São Paulo ou com a tradição cultural do Rio de Janeiro. Mas, simbolicamente, é muito mais BRASIL do qu...Ver mais

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Renate Land Pois é...por isso defendo um Congresso mais central geograficamente. Seria muita economia de tanto deslocamento e serviços.Nao conheço a proporçao geografica de parlamentares, mas imagino uma reduçao violenta de custos, sem contar viagens de empresários e prestadores de serviço.
Sem contar q a participaçao na plenária seria muito concorrida.

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Paulo Timm Posso dizer que, do ponto de vista ORÇAMENTÁRIO a economia de viagens , é insignificante. De resto, BRASILIA é o grande HUB da aviação no país, pois é seu LUGAR CENTRAL. Esqueça. BRASILIA É A CAPITAL que melhor expressa o BRASIL. Levantem SÃO PAULO contra o esbulho que este GOVERNO represente e teremos uma nova política no país.

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Paulo Timm Mexeu com BRASÍLIA, mexeu com meus brios nativistas...kkk

 

Renate Land Kkkk....amo a cidade. M sinto muito bem lá, mas com os políticos aqui em sampa pra pularem miudinho.

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Paulo Timm Livrem-se primeiro do DORIA e do ALKMIN aí Depois deem palpita sobre BRASILIA CAPITAL...

 

 

 

ALMANAK DO TIMM – Dia 31 de março de 2017

Rafael Bicca Machado no FACE BOOK – Cobrança nos Pós das Universidades Federais

A rejeição do projeto pelo qual as universidades federais poderiam cobrar mensalidade na pós-graduação é prova clara de que esse país (esse Brasil, com esse tipo de mentalidade) não tem a menor chance de dar certo.

 

Comento:

Sei não. Assunto controverso.

 Na Alemanha, se não me engano, o Governo está no caminho da educação pública e gratuita em todos os níveis. De qualquer forma a questão chave seria: Quanto custa isso, relativamente ao auxílio moradia de juízes e procuradores., quanto às aposentadoriasespeciais  dos políticos, policiais e militares? Ou, se quisermos, relativamente ao Orçamento da Educação como um todo? Se for um valor comprometedor, até acho que tem sentido. Mas em abstrato, como princípio, sou pelo ENSINO UNIVERSAL PÚBLICO E GRATUITO EM TODOS OS NÍVIES, como nos legou a Revolução Francesa.

 Produtividade talvez seja a palavra chave sobre a qual nos deveríamos debruçar. E sobre ela há uma imensa discussão técnica e filosófica.

Mede-se sempre a produtividade com relação à alguma coisa. É uma medida relacional: Quantidade de sacos de milho por hectare; número de carros por operário empregado numa montadora.

 Quando vamos incorporando ao denominador variáveis mais complexas, como meio ambiente, distriibuição de renda, poder e prestígio, crescimento de medio e longo prazos, felicidade e bem estar, humanização da espécie, tudo vai se complicando, mas isso, claro, é um tipo de raciocínio renascentista. Só serve pra complicar mesmo as coisas. Melhor é segmentar, cortar, individualizar, daí tudo fica claro.

Daí porque não tem sentido a "discussão". Não existe diálogo na Filosofia ou entre Filosofias Políticas antagônicas.. O único que podemos e devemos é, talvez, aprender a conviver com as diferenças de opinião,  sob o controle social da guerra de todos contra todos, isto é, da Lei, sob a forma superior de Estado

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ALMANAK - Dia 30 de março/2017

QUE TAL COMEÇAR TUDO OUTRA VEZ?

Paulo Timm – março, 30 -2017

 

Hoje acordei cedo e me deparo com o desabafo da f@ce amiga Isabel Pacheco, que reproduzo e comento:

“Acordei com a notícia da operação Quinto dos Infernos (quero chamar assim). Conheço um dos presos, uma pessoa boa de conviver. Não fiquei surpresa, mas o fato mexeu comigo. Para que se meteu em encrenca? Será que não havia outro jeito? Quanto e por que roubaram durante tantos anos, se não precisavam disso?


O dia de trabalho corria difícil, pois tive que encarar desafios que não necessariamente me agradam. Era só mais um dia de suor para ter uma vida digna. Até que me procurou alguém que sempre esteve de bem com a vida, me falando dos planos de ir embora do país com a família. Apenas mais um entre milhares (eu, inclusive, tenho pensado nisso), mas desse eu não esperava o desânimo.

 
Encerrei o dia no supermercado, vazio de dar pena. Pelos cantos, os funcionários falavam da vida dura, do Fundo de Garantia, da jornada pesada para ganhar tostões. O gerente me disse que a crise do funcionalismo público provocou um baque nas vendas. O sistema de som anunciou que o mercado está recebendo currículos e finaliza: “Venha fazer parte desse time vencedor”. Nessa hora, percebi meus olhos marejados. 
 

Penso que falta muito para varrermos a corja escrota do poder. Que a maioria de nós, não poderosos, trabalha uma vida inteira para sobreviver e, se possível, ter espaço para pequenos prazeres. Nessa ralação de décadas, somos os otários que bancam os prazeres dos canalhas. Viagens, joias, carrões, iates, jatinhos, bebidas etc. Suamos para construir um futuro melhor para nossos filhos, enquanto os canalhas gargalham de nós. Mas é bom que as máscaras, uma a uma, estão caindo. Um dia, quem sabe, nossos filhos terão competência para transformar em realidade tudo aquilo que apenas sonhamos.
Amanhã o astral melhora. Ou não
.”

Comento:

Crônica antológica, que bem demonstra o estado de espírito dos brasileiros. mas ainda evasiva. De que adiante ir embora do Brasil? O homem emigra com sua concha.Levamos nossas cruzes conosco. Somos portadores de uma cultura plástica, mas muito original. Vivi no exterior na juventude e hoje passo um tempo do ano em Portugal. Sempre com o Brasil no corpo e na cabeça. Difícil. Não há adaptação ideal no exterior. Sempre seremos estrangeiros. O jeito é arrumar mesmo a casa, o que não é fácil. Mas não foi fácil para os europeus, para os chineses, para os próprios americanos. Temos que aprofundar o diagnóstico, reconhecendo que somos uma sociedade única no mundo que carrega um passivo de 400 anos de escravidão e ainda o monopólio da terra e ativos pela Casa Grande. Resultado: 100 milhões que ganham até um salário mínimo e vivem em periferias metropolitanas em condições indignas. Não obstante, já fomos piores. Fomos um fazendão do café e da cana.  Fomos, porém,  o fenômeno do século XX, crescendo e multiplicando-nos de forma invejável. Hoje exportamos aviões. Podemos retomar o caminho do mínimo de consenso nacional....Divididos, retrocedemos. Que tal...?

 

Que tal acabar com os Partidos Políticos e com o Fundo Partidário?

Que tal acabar com as coligações esdrúxulas?

Que tal acabar com o Senado Federal?

Que tal acabar com a Previdência privilegiada dos Políticos?

Que tal acabar com o monopólio da grande mídia sobre a imprensa alimentada por recursos públicos?

Que tal acabar logo com este anti-governo e convocar DIRETAS JÁ?

Que tal uma nova política com relação à dívida pública?

Que tal uma Revolução da Educação?

Que tal uma estatização provisória do sistema bancário com redução dos juros a zero?

Que tal mandar o Gilmar Mendes e o Janot calarem a boca?

Que tal resolver de vez o imbróglio do Renan Calheiros, do Jucá e do Padilha?

Que tal divulgar quem é mesmo, se houver,  o Rei da Cocada Preta?

Que tal começar tudo outra vez?

Eu e o Gonzaguinha, eterno, começaríamos, ao som do samba canção que nos junta.

Meu caminho é de pedra. Como posso chorar?

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