ATENÇÃO:  SESSÕES DA CÂMARA DE VEREADORES DE TORRES - ASSISTA AQUI ON LINE - SEGUNDAS  FEIRAS - 16.00 h 

Estas sessões, gravadas, ficarão rodando na TV DIGITAL durante toda a semana e, posteriormente, arquivadas no ícone barra superior TORRES/Câmara de Vereadores

 

AGOSTO, 17

 

VER E VIVER EM PORTUGAL

Paulo Timm – Coletânea

Residente em Torres-RS/BR e Covilhã/PT

http://www.paulotimm.com.br/site/downloads/

lib/pastaup/Obras%20do%20Timm/170707101059VER_E_VIVER_EM_PORTUGAL_

Atual._Jul07.pdf

VIVER EM PORTUGAL

Meu ofício – todos têm o seu -  consiste em falar sobre a conjuntura nacional. Tenho-o feito regularmente já tendo, há tempo, esgotado meu manancial de títulos bombásticos para caracterizá-la. Não seria diferente hoje. Maldades políticas abundam no noticiário: rombo de R$ 159 bilhões no Orçamento da União para este e o próximo ano, sem qualquer folga para o pagamento dos vultosos juros devidos sobre uma dívida de R$ 4 trilhões a juros de 10%a.a., salário mínimo em 2018  dez reais abaixo do vigente no ano em curso, reforma política com direito a distritão financiado com R$ 3,6 bilhões de recursos públicos (inexistentes), record em homicídios e policiais mortos etc etc etc… Melhor parar por aí e deixar o itinerário do quinto dos infernos para semana que vem. Quem sabe  partir, hoje,   para os Campos Elísios, aquele lugar mítico da saga do Hades em que  virtuosos repousavam dignamente após a morte, rodeados por paisagens verdes e floridas, dançando e se divertindo noite e dia,  cercado por um muro gigantesco, parecido com o muro das lamentações, , protegido pelo justo Radamanto, e por onde corre o Rio Lete, do esquecimento… Uma espécie de Pasárgada, mas destinada apenas aos mortos. Tô fora! Vamos, então, a Portugal.

Há vários anos passo temporadas de verão na terrinha, hoje invadida por uma colônia de cerca de 200 mil brazucas, metade dos quais já fixada no país. Outros vão e voltam ao sabor das conjunturas aqui e acolá. No início da década de 1990 só Lisboa tinha 60 mil brasileiros. Com a bonança lulo-petista, metade voltou para o Brasil. Agora retornam aos montes. Parte são profissionais relativamente abastados da classe média em busca de qualidade melhor de vida, com maior segurança, num país europeu. Farão falta ao Brasil.  Outra parte, jovens em busca de realização social, boa parte dos quais estudantes. Os que veem trabalhar não têm muita ideia sobre o que vão aqui encontrar e levarão algum tempo até se estabilizarem, correndo riscos de não o conseguirem. O aperto à imigração ilegal está aumentando muito e todos os dias há notícias de brasileiros devolvidos.

A vida em Portugal é muito parecida ao do Rio Grande do Sul. Clima temperado com estações bem marcadas -um pouco mais frio no inverno- , geografia variada entre a costa e a serra correspondente a 1/3 do território gaúcho, embora mais homogênea do ponto de vista humano, com seus 11 milhões de habitantes,  e com maior sobrevivência de populações aldeãs, idêntico Indice de Desenvolvimento Humano, em torno de 0,8 (considerado alto), nível de vida equivalente – apesar  renda percapita distinta - , com excelente comida, farta em proteína animal, e excelentes frutas e vinhos. Mas há diferenças substanciais:

  1. Portugal foi um grande centro metropolitano, vanguarda da Idade Moderna, quando se construi como verdadeira Nação, e, embora decadente e isolado do mundo em quase todo o século XX, tem uma sociedade estável de classe média, com fortes raízes ainda no interior.
  2. Em consequência não acumulou no seu interior um passivo social, como nós, de grandes bolsões metropolitanos de miséria e degradação , muito embora, tal como no Brasil, tenha uma elite econômica muito restrita e que comanda os grandes negócios do país.
  3. Fruto, talvez, do conservadorismo de base rural e com pouca presença de fatores de desestabilização, Portugal é um dos países mais pacíficos do mundo e onde ainda se pode passear tranquilamente nas madrugadas. Mas vive-se uma vida regrada sem empregados domésticos, sem aqueles insidiosos vícios da classe media brasileira.
  4. Graças, ainda, a sua presença na União Europeia o país equilibrou-se, depois dos dias agitados da Revolução dos Cravos, entre as correntes conservadora, social-democrata e de esquerda, que se têm alternado sem grandes traumas no Poder, conseguindo, com isso, não apenas uma certa paz política interna, como uma continuidade no processo de formação da infra-estrutura física, social e cultural, comparável aos países mais avançados do continente.

Todos estes fatores estimulam muito a presença cada vez maior aqui, de brasileiros. Eu, particularmente, não estimulo a emigração, salvo no caso de profissionais muito qualificados, em busca de maior tranquilidade, ou aposentados, com a ressalva, neste caso, de que no tocante à saúde sempre nos sentimos mais seguros no Brasil. Mas tenho acompanhado, aqui, os portais de apoio a brasileiros em Portugal e procuro, pelo menos, oferecer-lhes um nível maior de informação. Independente, porém, de viver em Portugal, ver este país é sempre um enorme prazer, além de um mergulho na nossa História profunda. Somos, enfim, filhos desta terra…

 

AGOSTO, 16

Ódio & Violência

Hora de reler "As origens do totalitarismo"-

http://www.cartacapital.com.br/revista/894/

a-atualidade-de-hannah-arendt

 

Diversas ONGs europeias, dentre elas Médicos Sem Fronteiras, anunciam que suspenderam suas operações de resgate de fugitivos no Mediterrâneo. Suas embarcações teriam sido bombardeadas pela Guarda Costeira da Líbia que se justifica dizendo que as operações salvadoras estimulam o tráfico ilegal. Mais de 20 mil pessoas morreram afogadas no mar no último, de um total de cerca de 600 mil salvas. Agora, o que esperar?

O mundo fecha os olhos para a barbárie reinante no norte e no centro da Africa, bem como no Oriente Médio. Trata-se da maior catástrofe humanitária da História, envolvendo milhões de pessoas. Só na República do Congo, mais de 86 milhões de almas se encontram em conflito em busca de um destino. A Síria, outrora país estável e centro de turismo cultural, esfacelou-se deixando mais de cinco milhões de habitantes ao relento.

É o curso do ódio e da violência, cuja base se encontra na intolerância ao outro, seja por razões politico - ideológicas, étnicas , religiosas ou nacionais. Nem os Estados Unidos escapa à sanha de conflitos. Um grave incidente no Estado de Virgínia confrontou abertos defensores da supremacia branca, de inspiração nazi, com facção liberal. Resultado: Uma mulher morta e dezenas de feridos, obrigando o Presidente Trump a um pronunciamento conciliador. Brasil e Estados Unidos, aliás, não conseguiram até hoje sanar as feridas de séculos de escravidão de povos africanos.

Mas o que é isso tudo?

Foi um ensaísta americana, John Chapman, um progressista defensor de direitos humanos, quem sintetizou a Política como violência: “A política é o ódio organizado que constitui a unidade” (S. Zizek in Acontecimento, pg.170). Outros autores, ao longo da História, também nos alertaram de que a Política nem sempre é um estuário de virtudes, para não dizer que é um valhacouto de vicissitudes humanas, longe daquilo que pretendia Rui Barbosa.

Talvez, então, tenhamos que voltar ao começo dos tempos quando aprendemos a estabelecer laços. Nossos laços, agora, já não podem se limitar à tribo ao à caverna. O aldeia é global e estamos condenados a conviver em liberdade com todos os nossos semelhantes, à base de princípios éticos e normas deles derivados. Aí não cabe mais lugar na Política ao ódio e à violência, muito menos à guerra como técnica de conquista e dominação. Hora, pois, de desarmar espíritos, antes que o holocausto geral se instaure. Hora de assistir aos necessitados de apoio humanitário onde quer que estejam.

  

 

AGOSTO, 13

Centenário de Fátima: Apelo à Paz.

P.Timm – Especial para REPORTER INDEPENDENTE, BSB

Agosto, 13 «2017 

 

“Ninguém nasce odiando a outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou sua religião”

Nelson Mandela

 

”Aparições de Fátima é a designação comum dada a um ciclo de aparições marianas que terá ocorrido durante o ano de 1917 na localidade de Fátima, em Portugal.

No dia 13 de maio de 1917, três crianças, Lúcia dos Santos (10 anos), Francisco Marto (9 anos) e Jacinta Marto (7 anos), afirmaram terem visto "...uma senhora mais brilhante do que o Sol" sobre uma azinheira de um metro ou pouco mais de altura, quando apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, próximo da aldeia de Aljustrel. Lúcia via, ouvia e falava com a aparição, Jacinta via e ouvia e Francisco apenas via-a, mas não a ouvia.

A aparição mariana repetiu-se nos cinco meses seguintes e seria portadora de uma importante mensagem ao mundo. (…)

Estas aparições foram precedidas e seguidas por outros fenómenos, acontecimentos que foram relatados e redigidos pela vidente Lúcia a partir de 1935, em quatro manuscritos conhecidos por Memórias I, II, III e IV e transcritos com outras fontes neste artigo.[2]

                                     https://pt.wikipedia.org/wiki/Apari%C3%A7%C3%B5es_de_F%C3%A1tima)

 Não sendo religioso, nem crente, não me cabem considerações sobre os acontecimentos de Fátima. Posso dizer que, quando lá, estive, fiquei comovido com o mistério majestoso do lugar, apinhado de fiéis compungidos em orações. Desejo, apenas, neste ano do centenário da aparição de Fátima reiterar o que talvez tenha sido a principal mensagem ali contida: Paz! Naquela época o mundo vivia ainda sob os escombros da I Guerra Mundial, que completava seu terceiro ano de sofrimentos e mortes nas trincheiras da Europa. Foi nesta guerra que se desenvolveram enormemente os artefactos de morte coletiva com reflexos nefastos sobre populações civis: os blindados móveis, as metralhadoras , os aviões e os gases mortíferos. A II Guerra só fez intensificar esses horrores levando a um passivo de cerca de 100 milhões de mortos nestes conflitos mundiais, entre abatidos em combate e mortos civis, afetados por doenças infeciosas contraídas em sua decorrência. Depois disso, Einstein dizia que não sabia como seria a III Guerra Mundial mas tinha certeza de que a IV seria com paus e pedras…

Hoje o mundo se encontra numa redoma  de ódios organizados sob a véu da ideologia, tal como um já distante ensaísta americano, John Chapman advertia,  e de  guerras contidas. Os arsenais nucleares, se acionados, acabarão com as formas superiores de vida no planeta pondo fim à aventura civilizatória. Mas os exércitos e gastos com segurança continuam crescendo. Numa recente demonstração de força a China realizou, num ambiente puramente espectral, sem qualquer assistência, um desfile militar concelebrativo do aniversário da Revolução de 1949, quando instaurou o regime atual. Mais de 1 milhão de homens em armas! Ficou o registro da potência do Império do Leste. Seguem-se-lhe os outros dois maiores contingentes do mundo: Estados Unidos , Rússia e Coréia do Norte, para não falar do aparato da OTAN.  A isso os estrategas dão o nome regime de contenção. Contenção…? Dissuasão…?

Na verdade, estamos tão belicosos quanto estávamos nas guerras ancestrais. E nada nos garante a deflagração do holocausto final. Basta ver o bate-boca infantil nos últimos dias entre o dirigente americano e o da Coreia do Norte. Figuras caricatas. Nada nos garante que um deles, num ato desatinado, não aperte o botão fatal. O tempo adormece mas não morre. Resta-nos o apelo de Fátima: Proclamar o desarmamento de espíritos e defender a paz. Ser defensor da paz não é uma fuga no absoluto solipsista da contemplação inerte. Exige uma mobilização corajosa de corpos, almas e intelectos do mundo inteiro na defesa da tolerância e respeito à diversidade. A humanidade já superou tecnologicamente  os grandes desafios do enfrentamento com a natureza. A fome e o desabrigo subsistentes no mundo são incidentais, não  fatalidades. A humanidade só precisa aprender a conviver, para melhor gerir as conquistas feitas e se preparar ética e politicamente para enfrentar os novos desafios da   era do  homem criador, o Homo Deo do autor Yuri Harari. E não abrir mão de rezar para que o apocalipse não sobrevenha, mesmo aqueles, que, como eu não sabem rezar. A estes, a lembrança de um velho amigo, que nos deixou há  dez anos:

 

Oração dos que não sabem rezar

                                         Newton Rossi

Senhor!

Que estas palavras, que não dizem tudo

Possam chegar, um dia, aos teus ouvidos!

Chegar como quem chega sem bater à porte...

Sem roupa nova, sem nenhum requinte

E sem mesmo saber como chegou!

 

Que o ódio seja extinto pela Paz

Que haja compreensão e tolerância,

Que os povos se entendam, como irmãos,

E que, no coração da criatura humana,

Plano de equilíbrio e de harmonia,

Viceje a planta da Fraternidade!...

 

Senhor!

Que estas palavras , que não dizem tudo,

Possam transpor os mundos , no infinito,

Levando o apelo mudo dos aflitos,

Os gemidos de dor dês desgraçados,

O remorso dos maus, e , dos bons , o perdão...

E a ânsia, oculta da espécie humana,

De atingir, sem saber como, a perfeição!...

 

Escuta-as, Senhor!

São palavras que não foram decoradas,

Não foram feitas apenas para os lábios!

Mensagem de pureza que mais é um clamor,

Dos que não sabem dizer, dos que não podem falar,

Dos que só sabem sofrer, dos que só sabem sentir,

Dos que só sabem esperar...

Esta é a oração dos que não sabem rezar.

 

                       

 

 

 

 

AGOSTO,  11

A CRISE NO RIO GRANDE DO SUL (?)

Desde o início do GOVERNO SARTORI, em 2015, venho insistindo na tecla de que não há nenhuma grave crise econômica no Rio Grande do Sul. Houve, sim, uma queda da arrecadação estadual em decorrência da recessão econômica nacional mas que em nada justifica o discurso catastrofista do Governo. E há, sim, uma crescente perda econômica do Estado frente à outras unidades da federação, não só em decorrência da abertura de novas fronteiras no centro oeste, mas como resultado de dois processos institucionais: 1. A perda fiscal do Estado através do Fundo dos Estados e Municípios, num montante anual correspondente ao valor da dívida acumulada, em torno de R$ 50 bilhões, 2. Políticas Governamentais como câmbio e juros, que privilegiam outros Estados, e a Lei Kandir, num valor anual ainda não totalmente avaliado, mas que supera  R$ 10 bilhões anuais.

Mais informações_:

RS – Finanças Públicas – coletânea : http://www.paulotimm.com.br/site/downloads/lib/pastaup/Obras%20do%20Timm/170811073506Economia_RS_Financas_Publicas-.pdf

A propósito, comprovando o artigo abaixo:

                              Evolução do estoque da dívida do RS

Governo                   Ano         Dívida mil R$              Variação

      ------------------------------------------------------------------------------------

 Collares                 1994          R$ 22.                       23,5

Britto                     1998          R$ 50.222                   122,3

Olívio                     2002          R$ 50.091                    -0,3

Rigotto                   2006          R$ 51.012                     1,8

Yeda                      2010          R$ 50.507                    -1,0

Tarso                     2014          R$ 54.795                     8,5

          ---------------------------------------------------------------------------------

Fonte: Balanço Geral  RS – Publicado por Juremir, em O pulo do gato da dívida do RS  http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/

  

                    A verdade sobre a dívida do Rio Grande

https://www.sul21.com.br/jornal/verdade-sobre-divida-do-rio-grande-por-jeferson-fernandes/

                                                                         por Jeferson Fernandes

Publicado em: agosto 11, 2017

Na época, Britto pactuou com o governo federal (FHC) uma renegociação da dívida pública gaúcha que foi anunciada como a redenção do RS. (Foto: Arquivo AL/RS)

Um conceito amplamente utilizado nos últimos tempos é o de pós-verdade. Segundo a universidade de Oxford, a palavra é um substantivo “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”.

Esse conceito tem sido utilizado pela coalizão que sustenta o governo Sartori para criar a versão fantasiosa de que o PT endividou e quebrou o Rio Grande. O Secretário da Fazenda, Giovane Feltes (PMDB), chegou a afirmar que “temos que vender até o futuro para pagar o passado”. No entanto, para além dos ornamentos retóricos usados para justificar as opções pelo desmonte do serviço público via privatizações e ataque aos direitos básicos dos servidores (como receber salário em dia), existe a verdade dos fatos. E eles são irrefutáveis.

De acordo com dados da Secretaria Estadual da Fazenda, da composição total da dívida em 2015, 26% foi gerada no período da ditadura civil-militar e 10% no governo de Jair Soares (PDS), representante das mesmas forças conservadoras que sustentaram o regime ditatorial. Mais da metade dessa dívida (53%) foi gerada no Governo de Antônio Britto (PMDB), que tinha como líder na Assembleia Legislativa ninguém menos que José Ivo Sartori (PMDB).

Na época, Britto pactuou com o governo federal (FHC) uma renegociação da dívida pública gaúcha que foi anunciada como a redenção do RS. Era o Programa de Apoio à Reestruturação e Ajuste Fiscal dos Estados. Nome pomposo para um pacote de privatizações, redução do serviço público, arrocho salarial aos servidores. A velha ladainha neoliberal, cujo resultado mais impactante foi o aumento de 6% para 13% do comprometimento da Receita Corrente Líquida para pagamento da dívida com a União.

Já no governo de Olívio Dutra (PT), a dívida diminuiu em 140 milhões, mesmo com o Governo do Estado fazendo exatamente ao contrário do que orientava a cartilha neoliberal. Ou seja, estancou as privatizações, valorizou salarialmente os servidores e criou instrumentos voltados para o desenvolvimento regional, como a UERGS.

No governo de Tarso Genro (PT), a dívida aumentou apenas 2%, embora tenham sido concedidos os maiores aumentos da história para os servidores, realizados investimentos volumosos em educação, aplicados de modo inédito 12% da receita na área da saúde e captados mais de R$ 4 bilhões para investimentos em infraestrutura.

Portanto, está comprovado que o PMDB é o grande responsável pelo endividamento do RS. Contudo, o inacreditável é que os responsáveis pela quebradeira do Estado no passado, apresentem a mesma receita como solução para o futuro. O Regime de Recuperação Fiscal que vem sendo pactuado pelos governos Temer e Sartori é uma versão piorada do Programa de Apoio à Reestruturação e Ajuste Fiscal dos Estados da época de FHC e Britto. Ao invés de propor alternativas estruturais para ampliar receitas, como estímulo ao desenvolvimento regional, combate à sonegação de impostos, revisão das renúncias fiscais concedidas aos grandes grupos econômicos, retoma o receituário das políticas de privatizações, congelamento de salários e redução de investimentos públicos. Essa é a verdade dos fatos.

(*) Deputado Estadual, presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do RS

                                     Desequilíbrio federativo

http://www.sul21.com.br/jornal/desequilibrio-federativo/

                                                                              Cecília Hoff

O governo federal finalmente enviou ao Congresso a nova lei de recuperação fiscal dos Estados. A primeira proposta já tinha sido aprovada no final de dezembro, em conjunto com a renegociação das dívidas estaduais, mas foi vetada pelo executivo, devido à exclusão, pelos deputados, das principais contrapartidas exigidas pela União. A nova lei prevê, além de três anos de carência nos pagamentos da dívida com a União, a flexibilização temporária dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), medida fundamental para que os Estados possam tomar novos financiamentos e regularizar as suas pendências com servidores e fornecedores, pelo menos até que o ritmo de crescimento das receitas se normalize. A exigência de contrapartidas faz parte do processo. É natural que a negociação em condições especiais tenha como condicionante a existência de um plano de equilíbrio de longo prazo, para que no futuro não haja a necessidade de novos socorros e para não gerar assimetrias e privilégios em relação aos Estados que não precisam de ajuda. O problema reside na definição dos limites aceitáveis para as contrapartidas. Como garantir o equilíbrio financeiro de longo prazo e ao mesmo tempo preservar a autonomia dos Estados na definição das suas prioridades? O presidente da Câmara já sinalizou que será difícil aprovar a proposta tal como está. A depender do teor das emendas, corre-se o risco de o projeto ser novamente vetado.

Parte importante das contrapartidas exigidas na lei já foi adiantada pelo governo do Rio Grande do Sul, como a instituição de um fundo de previdência para os servidores estaduais, o aumento da contribuição previdenciária para 14%, o compromisso de não usar o crescimento futuro das receitas apenas com gastos de pessoal (Lei de Responsabilidade Fiscal Estadual). Vale notar que a extinção das fundações não faz parte das exigências e tampouco faz diferença em termos financeiros. O próprio governo reconheceu, quando enviou a proposta à Assembleia Legislativa, em dezembro do ano passado, que visava a “modernização” da gestão pública, e não necessariamente a economia de recursos. Ao que consta, o próprio Ministério da Fazenda recuou quanto à inclusão, entre as contrapartidas, da redução da carga horária e dos salários dos servidores, ou mesmo da demissão de concursados. Ainda que estejam previstas na LRF, caso os limites com gastos de pessoal sejam superados, essas medidas, além de altamente controversas, podem ser consideradas inconstitucionais. Também consta entre as contrapartidas a redução dos benefícios fiscais, em pelo menos 20%. Trata-se de uma medida importante, que pode ampliar as receitas dos Estados, mas que precisa ser feita após uma análise cuidadosa do custo-benefício, já que alguns incentivos podem se justificar. A exigência de privatizações e a proibição de realização de concursos e de reajustes nos salários dos servidores parecem, por fim, avançar em demasia sobre as prerrogativas locais. São, por isso mesmo, as contrapartidas mais polêmicas.

A situação é crítica e a negociação de condições especiais para a recuperação fiscal dos Estados é urgente, somente assim alguns poderão atravessar a crise e normalizar a prestação de serviços públicos. As receitas fiscais caíram brutalmente nos últimos dois anos, em função da recessão, que teve origem na condução da política econômica nacional, e isso acabou afetando com mais intensidade os Estados historicamente endividados e com maior parcela de despesas com pessoal, sobretudo inativos, em relação às receitas. Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais decretaram calamidade financeira, mas há pelo menos outros nove em situação pré-calamitosa. A crise é generalizada e soa simplista a afirmação de que os Estados hoje em dificuldade tenham chegado nesta situação por irresponsabilidade na gestão das suas contas. Mesmo que, em alguns casos, tenha havido problemas de gestão (e este parece ser o caso do Rio de Janeiro), a crise federativa é mais profunda e tem relação com a demanda crescente por serviços públicos, exigidos constitucionalmente aos Estados, e a margem reduzida para a administração de receitas, muitas vezes cadentes em função das desonerações, da guerra fiscal, da Lei Kandir, etc. Há algo muito desequilibrado na equação federativa brasileira, que se reproduz na baixa qualidade dos principais serviços de obrigação dos Estados (segurança e educação) e no desequilíbrio estrutural das suas finanças.

.oOo.

Cecília Hoff é doutora em economia pela UFRJ, economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE) e professora da FACE/PUCRS.

 

 

 Agosto, 10

 CASA QUE NÃO TEM PÃO NÃO TEM UNIÃO

” Ação não é atividade e atividade não é ação. Ação é quando a situação pede uma resposta e você age. Atividade é quando a situação não importa e o que surge não é uma resposta: você está tão irrequieto em seu interior que que a situação se torna apenas uma desculpa para se tornar ativo. A ação surge a partir de uma mente silenciosa – É a coisa mais bela do mundo. A atividade surge a partir de uma mente irrequieta – É a mais feia dascoisas. Ação é aquilo que possui relevância, enquanto a atividade é irrelevante. A ação se dá a cada momento de forma espontânea. A atividade traz o peso do passado. Não é uma resposta ao momento presente, mas algo que transborda de sua inquietude, algo que você traz do passado para o presente. A ação é criativa, mas a atividade é muito destrutiva: Ela pode destruir você, assim como destruir outras pessoas.” (Osho de A a Z – Um dicionário espiritual do aqui e agora)

OSHO  A diferença entre atividade e ação é…

 

Diz-se que o mundo gira, a Luzitana roda e sabedoria proverbial nunca perde assento. O homem é um animal social. Adora viver em bandos, contar histórias, falar mal da vida alheia, fazer artes e até grandes impérios. Mas é, sobretudo, um animal que precisa comer e proteger-se para garantir a espécie. Isso posto, ele cresce, desenvolve-se, procria e cumpre seu destino fatal: morrer. Mas quando a comida escasseia e bombas espoucam na sua cabeça, acaba-se a boa prosa e começam as guerras. O mundo está cheio delas e outras estão a ponto de eclodir, começando aqui pela vizinha Venezuela. Não só lá: a semana noticiou uma grande crise de fome na Argentina. Custa-me acreditar, eu que via a Argentina, quando ela me era mais próxima do que São Paulo ou Rio, há 60 anos, como um modelo de sociedade desenvolvida: nenhum analfabeto, gente bonita, bem falante e vestida como os ingleses. E não vamos longe: O Brasil  também está caminhando para uma vasta crise humanitária. A crise que estamos vivendo é inusitada e corre o risco de nos levar a situações inimagináveis. Partimos de uma herança histórica perversa, a escravidão, e sobre ela criamos  uma modernidade desequilibrada. Só para recordar, eis a  triste realidade social, que nem sempre aparece adequadamente nos gráficos mais sofisticados ou mesmo nos estudos sobre os 28 milhões de declarações de renda.

50 milhões de brasileiros ganham até um salario mínimo, dos quais, 10 milhões ganham ZERO, havendo cerca de 110 mil vivendo nas ruas, número que vem crescendo com a crise,

50 milhões, aproximadamente, ganham um salário mínimo, metade dos quais como pensionistas que agora tiveram seus benefícios desvinculados pela PEC dos gastos públicos, com o risco de engrossarem a fila anterior,

30/40 milhões vivem com salários entre 1 e 5 salarios, fração que vem encolhendo com a crise, por ser aquela em que o achatamento salarial nominal pega mais forte

40 milhões constituem a classe média mais alta, com direito a TV a cabo com INTERNET em casa, carro novo na garagem, plano de saúde, filhos em boas escolas e com maiores chances de virem a ocupar as posições de maior prestígio e relevo na sociedade

Nem 1 milhão , correspondendo a um porcentagem inferior a 0,5% da população brasileira ~ e que já foi detectada pelo ATLAS SOCIAL ' constitui sua aristocracia proprietária, com níveis de riqueza e renda que lhes permite, inclusive morar no exterior. Eles não são apenas os proprietários da grandes negócios, como bancos, comércio e indústria de grande porte e negócios no agrobusiness, mas são os principais beneficiários dos juros pagos pelo Tesouro Nacional aos detentores de uma Dívida Pública que beira os R$ 4 trilhões, a juros médios anuais de 10% a. a. , o que corresponde a R$ 600 bilhões, equivalente à metade do que a UNIÃO arrecada em todos os impostos, taxas e contribuições

 

Manter este complexo corpo social amontoadO em cerca de dez grandes Regiões Metropolitana em equilíbrio é uma tarefa nada fácil, a cargo do Estado sob a égide da Política. . Daí porque termos atravessado, ao longo do último século, inúmeros solavancos institucionais num processo a que os analista classificam de democracia frágil, fugidia e muito difícil. E vamos levando, com taxas de crescimento demográfico surpreendentes, mudanças estruturais invejáveis, adaptações institucionais notáveis, como a vertebração nacional das Forças Armadas, sempre “unidas e coesas”, o sistema do Bancos públicos sempre atentos às necessidades dos setores produtivos, e uma rede de proteção social dos trabalhadores que, embora, falha, garante seguridade social, saúde básica e assistência social. Mas a crise atingiu justamente o suporte disso tudo: Estado e Política. Atravessamos a crise dos anos 50 com o advento dos Anos Dourados, cruzamos os Anos de Chumbo do autoritarismo, proclamamos a Constituição Cidadã em 1988, superamos os percalços econômicos das crises externas e da hiperinflação e consagramos Presidentes eleitos pelo voto direto, secreto e universal, tudo com o aparato da Revolução de 1930.

Mas daí, na última década, o  tsunami de aspirações sociais desencadeado pela redemocratização chegou ao   limite do esgotamento fiscal, exigindo uma rearticulação de lideranças  capaz de redefinir o Estado e a própria Política para o novo século, prenhe de desafios tais como a insegurança  econômica, estratégica, ambiental e social. Incapaz de fazê-lo, A saída de Dilma abriu caminho para Temer, que só piorou a situação, à vista de seus esforços maiores para permanecer no cargo, em vez de propiciar um clima de convergência nacional.

- A situação é tão dramática que já estão pensando em não conceder os irresponsáveis aumentos salariais futuros dos servidores públicos autorizados no início do mandato, mas que será impossível para um presidente com 5% de aprovação, e com isso o Brasil definitivamente explode.

- Crescimento real da dívida liquida da União em relação ao PIB de 19,62%.

- Crescimento real da dívida em poder do Banco Central (emissão de dinheiro falso) em relação ao PIB de 22,03%.

- No acumulado em doze meses até junho de 2016, registrou-se deficit primário de R$ 151,2 bilhões (2,51% do PIB). No acumulado em doze meses até junho de 2017, registrou-se deficit primário de R$ 167,2 bilhões (2,62% do PIB). Aumento de déficit primário de 4,38% em relação ao PIB.

 

- Em doze meses até junho de 2016, os juros nominais totalizaram R$ 449,2 bilhões (7,45% do PIB). Em doze meses até junho 2017, os juros nominais alcançaram R$ 440,3 bilhões (6,89% do PIB). Redução dos gastos com juros de 7,52% em relação ao PIB.

 

- Em doze meses até junho de 2016, o deficit nominal alcançou R$ 600,4 bilhões (9,96% do PIB). Em doze meses até junho de 2017, o déficit nominal alcançou R$ 607,5 bilhões (9,50% do PIB). Redução de 4,62% em relação ao PIB. Nesse ritmo esse governo precisaria de 21,64 anos para controlar o déficit atual. Aguardem.

 

Essa foi a conquista do “salvador da pátria”

 

O mais triste é que todas essas informações são divulgadas pelo governo de plantão, mas cada um manipula da forma que deseja para enganar, pouco preocupado com o Brasil que vai explodir muito em breve. Uma  vergonha.

 

                     Fonte : Ricardo Bergamini -  www.ricardobergamini.com.br

  As contas públicas se deterioram cada vez mais, devendo a dívida chegar a 80% do PIB em 2018 ao se cumprir com rigor a previsão de deficit de R$ 159 bilhões fora juros, a economia rasteja derrubando por inércia a inflação e o emprego, o clima político e institucional se deteriora a olhos vistos tendendo a encontrar saídas de emergência como a Reforma Política que prevê mudanças que não farão senão manter as atuais oligarquias partidárias no comando do país, à custa de vultosos recursos extraídos da cidadania, ou o retorno do parlamentarismo.

 

EFEITOS DO DISTRITÃO –https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/07/19/Quais-os-efeitos-da-ado%C3%A7%C3%A3o-do-distrit%C3%A3o-segundo-este-cientista-pol%C3%ADtico?utm_source=socialbttns&utm_medium=article_share&utm_campaign=self

REFORMA POLITICA, DE ONDE VEM PARA ONDE VAI

https://www.nexojornal.com.br/especial/2017/06/24/Reforma-pol%C3%ADtica-de-onde-vem-esse-debate-e-para-onde-ele-vai

 

E o que é pior: desaparecem as chances de negociação para uma saída nacional, como observa Carlos Mello, o qual aponta que a polaridade PT X PSDB arrefecerá, sem favorecer uma terceira via: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/12/1845952-polaridade-pt-e-psdb-tende-a-acabar-mas-3-via-e-fragil-diz-especialista.shtml?cmpid=compfb

 O PMDB, que até aqui operou como colchão das divergências, estiola-se em denúncias e prebendas, ao tempo em que o PSDB definha à sombra de suas divisões internas, transformando-se num aglomerado de ressentidos.

 

Enquanto isso o PT sonha com o VOLTA LULA em 2018, sem se aperceber da gravidade da sua própria situação – “O ocaso do PT -

http://www.paulotimm.com.br/site/downloads/lib/pastaup/Obras%20do%20Timm/160509062915O_OCASO_DO_PT_2015_16-Atz.pdf ,

 Lépido e jovem, o Presidente da Câmara aproveita a confusão para tentar um próprio Partido, capaz de ocupar, com a elegância que o centrão dos pequenos partidos não têm, o lugar deixado pelo PMDB, tal como observa o Filósofo Político Marco Nobre em inédita entrevista: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2017/08/03/temer-acha-que-e-itamar-mas-e-sarney-diz-cientista-politico.htm?cmpid=copiaecola

 

Muito ativismo, enfim,  nervosamente intensificado pelo voluntarismo do Palácio do Planalto  recebendo  e atirando flechas para todos os lados. Porém. pouca ação e nenhum acontecimento relevante, capaz de apontar para a ruptura que todos desejam: Um novo Brasil, com um mínimo confraternização entre os brasileiros. Afinal: 

Se o irmão não abraça; A luz do Sol envolve a terra à roda, Raios do luar beijam os mares: — Mas toda esta ternura que me importa Se tu não me beijares?

                                      Shelley, in A Filosofia do Amor.

 

 

 

 

 

 



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