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 Dezembro, 15

O Advento

Paulo Timm – Especial A FOLHA, Torres – Natal 2017

 

Todos os anos trago aos leitores de Torres e Passo de Torres,  na expectativa de ecoar por todas as curvas do Mampituba,  minha mensagem de BOAS FESTAS, através da lembrança do Advento. Neste ano que passou, marcado pela presença de sérios conflitos regionais no mundo, realçados pela  ameaça de uma hecatombe nuclear envolvendo a Coreia do Norte, além do agravamento da questão do clima, renovo meus votos na esperança de melhores dias.

O "advento" é o período, na tradição cristã,  de quatro semanas que antecedem o Natal. Ele se inicia no primeiro domingo deste interregno e vai até o dia 25 de dezembro. Trata-se de um período de reflexão e espera, na expectativa da “Boa Nova” do Mensageiro de Deus.  É um momento de preparação para a reunificação das famílias, dos homens de boa vontade e de todos os povos do mundo, sem rancores , sem preconceitos, sem outro sentimento que aquele ocupado pelo Amor ao Próximo.  Sim, porque a grande ceia da noite de Natal não é senão um artifício para a celebração  da concórdia entre todos nós. Confirmação do laço afetivo  num ritual simbólico, imaginário e de forte impacto real, depois que  centenas e até milhares de quilômetros foram tragados por ansiosos passos em direção ao abraço familiar. É para casa que voltamos sempre. É em casa, junto dos entes queridos, que renovamos as energias para enfrentar as adversidades de um ano novo que  logo se anunciará  na fatia dos tempos. Aproveitemos, pois, o Advento, para  meditar sobre o nosso  mundo – ocidental - : pluri-cultural, multi-étnico, democrático, laico,  embora  essencialmente cristão -, como síntese da razão helênica cevada na antiga Grécia e da fé de um homem simples que peregrinou pela Galileia e deixou seus rastros no Novo Testamento.

Vivemos, por certo,  há já décadas,  momentos difíceis de nossa História. Foi-se o sonho de uma noite de verão dos anos do pós-II Guerra. A razão e a liberdade, que pareciam sustentar a construção de um homem capaz de construir seu próprio destino e um novo horizonte para a humanidade, estão em cheque. As esperanças de um mundo melhor parecem soterradas. O Advento, porém, contribui para reforçar a persistência no bom caminho da iluminação. O homem, enfim, é o começo e o fim de tudo. Ainda há tempo, mas há que refletir. Pensar com coragem, determinação e prudência. Pensar e agir enquanto oramos,todos,  mesmo os que não sabem rezar, por um 2018 mais promissor. Para nós, brasileiros,  ele será decisivo para moldar um novo tempo.

 

 

 

Dezembro, 10 

O ATO, O FATO E O PATO

                                                     Paulo Timm

 “A preferência pela ontologia junto a teoria do conhecimento faz ecoar o impasse da razão tecnológica (onde ressoa a barbárie), mas além do objetivismo-idealista, um pragmatismo-reificado termina por influenciar o senso da verdade racional de muitos. Ao evitar a precedência da ética na abordagem ontológica, ignora-se as razões das escolhas de objeto de pesquisa e o sentido do bem implicado no conhecimento produzido, para este ou aquele grupo. O sonho da solidez, da força e da certeza sempre atende aos poderes etnocêntricos, daqui e de lá. Hoje, mesmo nas ciências humanas, muitos buscam categorias fixas, em nome de determinada validade de pretensão universal, que todos sabemos, nunca se alcança, chegando no máximo à certas validades gerais. Penso que, se na prática as ciências e a filosofia não implicam a ética prioritariamente em suas escolhas, então, o que o conhecimento diz do ser é aquilo que convêm a poucos”

Felipe Lessa FACE BOOK

Dia da FILOSOFIA

https://l.facebook.com/l.php?u=https%3A%2F%2Fwww.calendarr.com%2Fportugal%2Fdia-mundial-da-filosofia%2F&h=ATPx3x7BfB5g6YlXwiRrSaIwxwY307ImlnyuQc8fLfHW3N6zz33bthzEErCwTho8Ch1A_EU0EoPwfWldc9zY3Z14rC2tH4E_jy97D29bWKkTZeZTC2QyCpZxMH_-_BZn3UVzGar8Cp60bJApV9fWMRgSgGCmzEQGxfUsXe2xofJlgq8Rq0geUkrxDPHtJ76eNk_ePYC4XEPZpz41iWpnrbe1DUz3bQTOWfb1b4KKBw9dZcrE4LYFIuelDZkv1I0UJQxmtxAWmjlU8XHoQWF9O6cYwn_snb-QAw

No último dia 16 celebrou-se o Dia Mundial da Filosofia, que foi lembrado pela ONU com uma mensagem na qual enaltece o papel deste campo do conhecimento como estímulo ao diálogo entre as culturas, além de outras virtudes:

 “Para a UNESCO, a filosofia também é o meio de liberar o potencial criativo da humanidade, e fazer emergir as novas ideias. A filosofia cria condições intelectuais para a mudança, o desenvolvimento sustentável e a paz.”

Em suporte ao ensino da Filosofia, cujo nascimento situamos no século de ouro da Grécia Antiga – Sec. V AC – a  Conferência Mundial das Humanidades, na Bélgica, em agosto de 2017, determinou as diretrizes para o ensino de humanidades e a  UNESCO se esforça para difundir esta visão.  A diretora-geral da UNESCO lembrou que, ainda hoje, a filosofia é um baluarte contra o estreitamento de opiniões, uma maneira de cultivar a distância crítica diante da saturação das informações, diante dos discursos simplistas que buscam colocar as culturas umas contra as outras. (UNESCO cit)

                                   Mensagem  UNESCO/ONU – 16 novembro 2017

 

 

Na verdade, a Filosofia trata da procura da verdade, o que exige que ela não só crie teorias, como, paralelamente, crie uma sintaxe própria. Tal como a Poesia, sua prima, a Filosofia nasce do espanto diante do mundo e repousa sobre dois grandes vértices de reflexão: (1) O Transcendentalismo que nos remete à  estrutura universal de como a realidade se apresenta para nós e que nos dão as  coordenadas da realidade, ou seja, como pensar, (2)Ontológico, que trata da  realidade em si , sua emergência e sua disposiçãp - quem sou - , esta , cada vez mais sequestrada pelas Ciências Naturais; neste campo a ideia o ente, dotado de consciência e capaz de decidir sobre seu destino, como um acidente do ser, ocupa um lugar central.

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“ Desde sua própria origem a filosofia parece oscilar entre duas abordagens: a transcedental e a ontológica ou ôntica. A primeira se refere à estrutura universal de como a realidade se apresenta para nós. Que condições é preciso atender para que a percebamos uma coisa como realmente existente.? “Transcedental é o terreno técnico filosófico, para tal arcabouço, o qual define as coordenadas da realidade –por exemplo – a abordagem transcental nos torna conscientes de que para um naturalista científico, só os fundamentos materiais espaço temporais regulados pelas leis naturais realmente existem, enquanto para um tradicionalista pré-moderno, espíritos e signaficados também são partes da realidade, e não apenas projeções humanas. A abordagem ôntica, por outro lado, está preocupada com a realidade em si, com sua emergência e sua disposição como apareceu o universo. Será que ele tem um começo e um fim?Qual o nosso lugar nele? No século XX , a brecha entre esses dois métodos de pensamento se tornou mais acentuada: a abordagem transcedental alcançou seu apogeu com o filósofo alemão M.Heidegger (1889-1976), enquanto a ontológica parece , hoje, ter sido sequestrada pelas ciências naturais. – esperamos que a resposta a nossa pergunta sobre as origens do universo venha da cosmologia quântica, das ciências do cérebro e do evolucionismo.”

                                            (S.ZIZEK em ACONTECIMENTO, Ed. ZAHAR, pg. 09-10)

 

 

A Filosofia, entretanto, embora tenha sido o ponto de partida para o pensamento científico, tendo em Aristóteles, discípulo de Sócrates, o patrono da postura ordenadora e racionalista dos fatos observados, com vistas à sua “lei” de sua, não é normativa. Ela é especulativa. Não dá soluções. Formula indagações  sobre o que observa tratando  dar conta e razão de forma a criar uma certa e datada  inteligibilidade. No dizer de Roberto Gomes, irrecorrível, a “Filosofia é uma razão que se expressa”.

Da Filosofia, amiga do saber, não derivaram apenas as Ciências Naturais, mas também as Humanidades, a partir do Direito, seguindo-se, depois a Economia, a Sociologia, a Psicologia , a Política e suas amplas derivações. De todas elas o Direito foi o que mais preservou a tradição perquiritória da Filosofia, mesmo depois de enveredar nos tempos modernos, com Kelsen, para a positividade da norma. Mas a sociedade civilizada  se recusa a condenar alguém sem procedimento processual, o qual impõe não só os lados antagônicos da acusação e da defesa, como ainda a presença de um juíz que se interpela permanentemente à luz da hermenêutica, ou seja, da interpretação das leis. Não fora este fundamento filosófico e bastaria a Polícia para prender, processar e julgar os criminosos com base na no que está escrito na Lei. Mas isso não basta à Filosofia do Direito.

A Sociologia surgiu mais tarde, desmembrando-se da Filosofia na tentativa de melhor compreender os fenômenos que deram origem à modernidade. Émile Durkheim foi seu fundador e procurou definir e situar o fato social como objeto da nova disciplina. Ele estudou profundamente as relações entre o indivíduo e a sociedade, mostrando a inevitabilidade desta, com sua armadura legal e institucional,  na modelagem da cultura. Preocupava-o, sobretudo, a disfunção capaz de levar a situações de ruptura desta cadeia, a que deu o nome de anomia.

O conceito de anomia foi cunhado pelo sociólogo francês Émile Durkheim e quer dizer: ausência ou desintegração das normas sociais. O conceito surgiu com o objetivo de descrever as patologias sociais da sociedade ocidental moderna, racionalista e individualista

A organização dos homens em uma mesma sociedade, regulada pelas mesmas leis é o que permite a mediação de conflitos individuais e sociais: “A única força capaz de servir de moderadora para o egoísmo individual é a do grupo; a única que pode servir de moderadora para o egoísmo dos grupos é a de outro grupo que os englobe” (DURKHEIM, 2010, P. 428).

A anomia é definida pelo autor como a ausência dessa solidariedade, o desrespeito às regras comuns, às tradições e práticas.

Esta lembrança é oportuna à luz da questão, hoje candente, da prisão de parlamentares no Estado do Rio. Para muitos, decorrente, para muitos,  de uma certa confusão na interpretação da decisão do Supremo Tribunal Federal, depois que este transferiu ao Senado o caso Aécio Neves. Ora, talvez a questão não seja propriamente de confusão no campo do Direito, mas de um estado típico de anomia no âmbito do Estado brasileiro. Algo muito mais grave.Isso vem a ser admitido pela PGR que recorreu da decisão de soltura dos referidos deputados, que acabou devolvendo-os à prisão por decisão do TRF 2 , Rio de Janeiro, quando alegou que o Estado é “uma terra sei lei” - https://l.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Fpoder%2F2017%2F11%2F1937120-pgr-vai-ao-stf-contra-alerj-e-diz-que-rio-e-terra-sem-lei.shtml%3Futm_source%3Dfacebook%26utm_medium%3Dsocial%26utm_campaign%3Dcompfb&h=ATNbWwTwqLlnL67h2NSIa4L5IM1PdKX6a-R3xNOXjPOOtn5kaRZxxqSgGfrx-o619Wt4tjS0ewBDtA3meyEiU3hyuGXNE1oreuplM_359nKxP0vwpQDFWDHUtQ9L_8DvOFWQ3KgDVj3hoscP_3kPKww0M4317aQh3oNvCo_cz4RNQmttpe5GJrnw34o0Vw126P3lN3PfYCWWCGjVwudN4HYw7TpMhPG5O7GQdCSdPzWFvNKmjq1gqlyHmhhjY27hs6tvvKZrg-XJVlQ2nWZ6PWWts6cp28mXz3IuxGFk4Ru3EiQ

Oportuna também, a lembrança de Durkheim, para restaurar à Sociologia um mínimo de especulação que a impeça de virar uma mera técnica de ajustes sociais daquilo que se considere desviação da norma social. Hora, pois, de um pouco de hermenêutica de Sua Excelência imperial e brutal: O fato.

Jamais  se contente com ele como lhe parece ou aparece, mesmo à luz das mais sofisticadas ferramentas de observação. Nunca há, por exemplo, uma única percepção e  interpretação do visto ou medido. Basta ver o que diz cada uma das testemunhas de um acontecimento, mesmo sob o cuidado de separá.las antes da consulta. 
Pergunte-se, antes COMO estes supostos fatos ocorrem. E POR QUE?
Aí vai descobrir aquilo que os ÍDOLOS DA RAZÃO, no dizer de um dos pais da modernidade, um tal Lord Bacon, encobrem e que outros Cientista Sociais advertem sobre o descolamento do real, do imaginário e do simbólico. E descobrirá a diferença entre o que aí está, posto e disposto, com aquilo que poderia ser e que é, exatamente, o que move a consciência no mundo.

Isso posto,  começará a entender, graças à Filosofia e suas derivações no campo das Ciências Humanas , porque o Homem  é sempre um enigma,  refém de uma razão que sua própria razão desconhece. E nunca mais será  um pato…

 

DEZEMBRO, 07

ORA DIREIS OUVIR AS VAGAS ESTRELAS DA URSA

 

“Não se ama a pátria porque ela seja grande e poderosa, mas porque é a nossa pátria” , dizia  Sêneca. E o Poeta Maior da moderna idade lusitana (FP), sublinhava: “O rio que passa pela minha aldeia é o mais lindo do mundo porque é rio que passa pela minha aldeia”.

A vida é simples, embora breve, mas se  enobrece pela virtude, amante da verdade, e se imortaliza pela arte. Foi assim, desde as cavernas, passando pelas grandes civilizações do passado, até os tempos atuais.

Um momento mágico deste longo itinerário, foi o século de Péricles (V AC), em Atenas, coração da Grécia antiga, embora um pequeno ponto no vasto e grandioso Império Persa que a cercava e ameaçava. Mas Péricles não foi um homem só. Por trás dele descortinava-se a grandeza de Homero e as lições da Iliada e da Odisseia, fundamento da PAIDEIA, tal como a Bíblia o é para nós. Naquele tempo a Poesia era companheira inseparável da condição humana, tradição que o Irã e povos orientais cultivam até hoje para encanto dos viajantes. Nós a perdemos pelo caminho da racionalização do mundo. Urge reencontrá-la.

Enquanto isso, resta-nos a História.

Em sua obra “Paideia: a formação do homem grego”.  Werner Jaeger deixou-nos um legado para o dos ideais da educação da Grécia antiga. Lamentavelmente, perdi meu exemplar, devidamente assinalado. Foi-se com meu FIAT roubado há alguns anos, sem que o furtivo meliante percebesse a preciosidade que capturara. Onde terá ido o meu PAIDEIA? Mas ainda compro outro e, se der tempo, o relerei com todo o cuidado….

A Paideia tal qual os gregos entendiam, envolve o ensinamento do corpo e da mente. Poesia, teologia, filosofia, gramática, retórica, matemática, música e astronomia faziam parte da formação da alma do homem grego.Jaeger demonstra isso desde os tempos remotos da Hélade com a poesia de Homero. Como GiamBattista Vico havia percebido, toda grande civilização começa com os poetas-teólogos, que são aqueles que transmitem o mito fundador da nação para o povo. A poesia foi a primeira forma de preparação da mente de crianças e adultos para a compreensão do mundo. O Mythos é a pedagogia de Homero, porquanto os seus poemas reproduzem as estórias de deuses e homens que dão início à Paideia. Jaeger acredita que Homero produz um pensamento “filosófico” relativo às leis eternas que governam o mundo. Na Ilíada e na Odisseia, as paixões humanas e os elementos da tragédia grega que Aristóteles iria explicar de forma tão maravilhosa na poética já se fazem presentes.”

 

Felipe Pimenta, in Resenha -

https://felipepimenta.com/2014/03/13/resenha-paideia-de-werner-jaeger/

Da PAIDEIA, de Jaeger, retirei um ensinamento: a importância da educação na formação de um povo. Educação no sentido amplo, não como 2 mais 2 são 4, mas também 22 ou, quem sabe, até 5… A educação importa não porque entrega conhecimentos adicionais. Mas porque molda um caráter com base no culto da virtude e da beleza. O erro dos doutores é a vaidade que os  transforma num burro carregado de livros, esquecendo-se do encanto da pátria e do rio que passa pela aldeia.   Diderot sabia disso, como se observa de sua nota sobre outro livreto de Sêneca, “Vida Feliz”:

 “Para o ignorante não há ciência mais simples e evidente que a moral; o sábio, porém, a considera a mais espinhosa e obscura . Talvez a moral seja a única ciência da qual se extraem defuções das mais justas audazes e distantes antes eesmo que se definam princípios. Por que isso acontece? Porque heróis são heróis antes de serem pensadores. Pensadores são produtos do ócio; os heróis se forjam na circunstância. Forma-se um pnesador nas escolas, frutos tardios do tempo. Os heróis repousam entre perigos, presentes em todos os tempos No heróis verifica-se a moral em ação, da mesma maneira que nos poetas a moral está nos pensamentos.”

Na Grécia antiga, por exemplo,  as crianças eram mandadas à Escola para aprender Oratória e Retórica. A primeira era a arte do discurso; a segunda a arte da argumentação. Esta era decisiva porque eles acreditavam, seguindo os sofistas, dentre os quais Protágoras pontificava, que tudo no mundo continha o justo e o injusto e ambos eram igualmente justificáveis. Um cidadão, portanto, deveria saber comparecer à Agora, onde cevou-se a democracia,  provido deste instrumental na defesa de suas ideias e seus interesses.. 
Contra este tipo de pensamento insurgiram-se Sócrates e seus seguidores- Platão e Aristóteles, imediatamente - , dando a origem à Filosofia, no esforço de dar conta e razão das questões que os atormentavam em busca da VERDADE. Uma verdade e não muitas... Daí nasceu o LOGOS, que desembocaria na Ciência e teria seu leito de Procusto na raciolinazação instrumental da socedade tecnológica, a ÉTICA, cuja filha dileta seria a Política, e a ESTETICA, como culto da beleza. 
Tudo para soterrar as superstições que assombravam o pensamento humano e o sofismo, que tergiversava sobre a verdade.
Isso me ocorre agora quando ouço o derradeiro discurso do Governo , quase de misericórdia, em defesa da REFORMA DA PREVIDÊNCIA. Afirma com ares doutorais que, com a REFORMA, a ECONOMIA PODE VOLTAR A CRESCER. Sem a REFORMA ela volta a cair.
Primor de retórica sofista.Coisa de marqueteiro, não de gente iluminada com as luzes da PAIDEIA.

E há quem acredite...

Se a Reforma da Previdência é importante, basta revelá-la em sua verdade. Não só com os algarismos que enchem tabelas pré concebidas para justificar o próprio argumento, mas com os números, como dizia Pitágoras, que alimentam o espírito, sobretudo o espirito público.

 

 

 NOVEMBRO, 21

                O ATO, O FATO E O PATO

                                                                 Especial para A FOLHA, Torres . 

 

 “A preferência pela ontologia junto a teoria do conhecimento faz ecoar o impasse da razão tecnológica (onde ressoa a barbárie), mas além do objetivismo-idealista, um pragmatismo-reificado termina por influenciar o senso da verdade racional de muitos. Ao evitar a precedência da ética na abordagem ontológica, ignora-se as razões das escolhas de objeto de pesquisa e o sentido do bem implicado no conhecimento produzido, para este ou aquele grupo. O sonho da solidez, da força e da certeza sempre atende aos poderes etnocêntricos, daqui e de lá. Hoje, mesmo nas ciências humanas, muitos buscam categorias fixas, em nome de determinada validade de pretensão universal, que todos sabemos, nunca se alcança, chegando no máximo à certas validades gerais. Penso que, se na prática as ciências e a filosofia não implicam a ética prioritariamente em suas escolhas, então, o que o conhecimento diz do ser é aquilo que convêm a poucos”

Felipe Lessa FACE BOOK

 

                                                                *

 No último dia 16 celebrou-se o Dia Mundial da Filosofia, que foi lembrado pela ONU com uma mensagem na qual enaltece o papel deste campo do conhecimento como estímulo ao diálogo entre as culturas, além de outras virtudes:

Na verdade, a Filosofia trata da procura da verdade, o que exige que ela não só crie teorias, como, paralelamente, crie uma sintaxe própria. Tal como a Poesia, sua prima, a Filosofia nasce do espanto diante do mundo e repousa sobre dois grandes vértices de reflexão: (1) O Transcendentalismo que nos remete à  estrutura universal de como a realidade se apresenta para nós e que nos dão as  coordenadas da realidade, ou seja, como pensar, (2)Ontológico, que trata da  realidade em si , sua emergência e sua disposiçãp - quem sou - , esta , cada vez mais sequestrada pelas Ciências Naturais, particularmente Neurociências;

A Filosofia, entretanto, embora tenha sido o ponto de partida para o pensamento científico, tendo em Aristóteles, discípulo de Sócrates, o patrono da postura ordenadora e racionalista dos fatos observados, com vistas à sua “lei” , não é normativa. Ela é especulativa. Não dá soluções. Formula indagações  sobre o que observa tratando  dar conta e razão ao que vê. No dizer de Roberto Gomes, definitiva: A “Filosofia é uma razão que se expressa”.

Da Filosofia, amiga do saber, não derivaram apenas as Ciências Naturais, mas também as Humanidades, a partir do Direito, seguindo-se, depois a Economia, a Sociologia, a Psicologia , a Política e suas amplas derivações. De todas elas o Direito foi o que mais preservou a tradição perquiritória da Filosofia, mesmo depois de enveredar, nos tempos modernos, com Kelsen, para a positividade da norma. Não fora este fundamento filosófico e nos bastaria a Polícia para prender, processar e julgar os criminosos, com base na no que está escrito na Lei. Mas isso não basta à Filosofia do Direito. Ela exige o que chama de hermenêutica. Ainda bem...

A Sociologia surgiu mais tarde, desmembrando-se da Filosofia na tentativa de melhor compreender os fenômenos que deram origem à modernidade. Émile Durkheim foi seu fundador e procurou definir e situar o fato social como objeto da nova disciplina. Ele estudou  as relações entre o indivíduo e a sociedade, mostrando a inevitabilidade desta, com sua armadura legal e institucional,  na modelagem da cultura. Preocupava-o, sobretudo, a disfunção capaz de levar a situações de ruptura desta cadeia, a que deu o nome de anomia.

. O conceito surgiu com o objetivo de descrever as patologias sociais da sociedade ocidental moderna, racionalista e individualista.

A anomia é definida pelo autor como a ausência dessa solidariedade, o desrespeito às regras comuns, às tradições e práticas.

 

Esta lembrança é oportuna à luz da questão, hoje candente, da prisão de parlamentares no Estado do Rio. Para muitos, decorrente, de uma certa confusão na interpretação da decisão do Supremo Tribunal Federal, depois que este transferiu ao Senado o caso Aécio Neves. Ora, talvez a questão não seja propriamente de confusão no campo do Direito, mas de um estado típico de anomia no âmbito do Estado brasileiro. Algo muito mais grave… Isso vem a ser admitido pela PGR que recorreu da decisão de soltura dos referidos deputados, que acabou devolvendo-os à prisão por decisão do TRF 2 , Rio de Janeiro, quando alegou que o Estado é “uma terra sei lei” -

https://l.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Fpoder%2F2017%2F11%2F1937120-pgr-vai-ao-stf-contra-alerj-e-diz-que-rio-e-terra-sem-lei.shtml%3Futm_source%3Dfacebook%26utm_medium%3Dsocial%26utm_campaign%3Dcompfb&h=ATNbWwTwqLlnL67h2NSIa4L5IM1PdKX6a-R3xNOXjPOOtn5kaRZxxqSgGfrx-o619Wt4tjS0ewBDtA3meyEiU3hyuGXNE1oreuplM_359nKxP0vwpQDFWDHUtQ9L_8DvOFWQ3KgDVj3hoscP_3kPKww0M4317aQh3oNvCo_cz4RNQmttpe5GJrnw34o0Vw126P3lN3PfYCWWCGjVwudN4HYw7TpMhPG5O7GQdCSdPzWFvNKmjq1gqlyHmhhjY27hs6tvvKZrg-XJVlQ2nWZ6PWWts6cp28mXz3IuxGFk4Ru3EiQ

 

 Nem com a Filosofia, nem com a Sociologia, porém, você alcançará a sabedoria, mas  começará a entender,  porque o Homem  é sempre um enigma,  refém de uma razão que sua própria razão desconhece. E nunca mais dará uma de pato diante do fato…

 

 

 


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Novembro, 17
Angra 3: as propinas não são o único problema

Matérias de revistas, jornais e redes sociais indicadas em seguida me levaram a escrever o artigo abaixo, publicado na edição digital de hoje (16/11/2017) da Carta Capital (https://www.cartacapital.com.br/politica/angra-3-as-propinas-nao-sao-o-unico-problema). Ele é acima de tudo um alerta. Na esperança de que o bom senso possa ter vez no Brasil de hoje, antes que seja tarde demais.

(entrevistas do Almirante Othon da Silva, ex-Presidente da Eletronuclear, à Carta Capital de 25/10/2017, à Folha de São Paulo de 6/11/2107 e no Youtube ao deputado Federal Wadih Damous no dia 13/11 (https://www.ocafezinho.com/2017/11/13/), e artigo de Mathias Spektor na Folha de São Paulo de 9/11/2107, comentando afirmações do entrevistado à Folha).

 

Angra 3: as propinas não são o único problema

Chico Whitaker, membro da Comissão Brasileira Justiça e Paz

A terceira usina nuclear planejada pelo regime militar em Angra dos Reis transformou-se numa novela sem fim.  As obras, interrompidas nos anos 80, foram reiniciadas em 2010 e após vários percalços novamente interrompidas em 2016, por dificuldades financeiras do governo e pela descoberta de corrupção na Eletronuclear. Seu então Presidente, Almirante Othon Pinheiro da Silva, foi condenado a 43 anos de prisão, pena que por razões de idade e saúde está cumprindo em seu domicilio.

Tudo indica que vem aí um novo capítulo. Empresas russas e chinesas se oferecem para financiar a construção. E o Almirante ressurge com cores mais favoráveis, na imprensa e em redes sodais, como um herói nacional injustiçado, que teria sido derrubado em razão de suas atividades ligadas à soberania nacional (tecnologias estratégicas, submarinos nucleares e mesmo a bomba atômica sonhada pelos militares). Há até quem acredite que por trás da sua condenação estejam os mesmos interesses estrangeiros que ajudaram a derrubar Dilma Rousseff.

No entanto, é necessário mantermos os olhos bem abertos: não é possível aceitar uma simples retomada da obra de Angra 3. Seu projeto só foi autorizado, em 2010, graças a uma gravíssima irresponsabilidade funcional de nossas autoridades – entre as quais o Almirante, que criou um enorme risco para os moradores da região de Angra e das duas maiores capitais brasileiras. Mas muito pouca gente sabe disso.

Sejamos claros: trata-se da possibilidade de catástrofes que pesarão sobre muitas gerações. No momento em que alguns relativizam o histórico criminal do Almirante, temos o dever de relembrar fatos.  

Para a retomada da construção de Angra 3, no segundo governo Lula, era preciso um novo licenciamento. Os técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear-CNEN elaboraram então em torno de 90 pareceres sobre os diferentes aspectos a considerar.

Um desses pareceres levantava um problema: o projeto da usina fora elaborado na década de 70, anteriormente aos dois grandes acidentes nucleares de 1979, em Three Miles Island, Estados Unidos, e 1986, em Chernobyl, União Soviética, que revelaram deficiências nos projetos das usinas construídas até então. Segundo o parecer, o projeto de Angra 3 deveria passar pelo crivo das normas de segurança editadas pela Agencia Internacional de Energia Atômica após esses dois acidentes.  O parecer foi elaborado por um dos engenheiros de segurança da CNEN, revisado por um colega de mesmo escalão e especialidade - como é a norma - e aprovado pelo chefe de ambos.

As novas normas de segurança visavam evitar ou pelo menos mitigar os efeitos desses chamados “acidentes severos”, antes considerados impossíveis, os quais, provocados por “falhas múltiplas” encadeadas, podem levar à fusão do reator e à sua explosão, com disseminação de partículas radioativas no ambiente, e configurar uma verdadeira catástrofe social, econômica e ambiental, com efeitos danosos em grandes territórios, por décadas e mesmo séculos. Em Three Miles Island o reator não chegou a fundir inteiramente e explodir, mas no acidente de Chernobyl há estudos que contabilizam cerca de um milhão de vítimas ao longo dos anos seguintes. Entre outros devastadores efeitos, os 48.000 habitantes de Pripyat (hoje uma cidade-fantasma) tiveram que deixar às pressas, para sempre, suas casas e tudo o que possuíam; o território num raio de 30 km foi interditado por 300 anos; e a nuvem radioativa então expelida cobriu toda a Europa. O Brasil, inclusive, chegou a importar, sem o saber, leite radioativo da Irlanda!

Para avaliar o poder mortífero da disseminação radioativa, basta relembrar o “maior desastre radiológico do mundo com fontes radioativas” ocorrido em 1987 em Goiânia, no Brasil:  apenas 19 gramas de césio-137 (uma das partículas espalhadas pela nuvem de Chernobyl), retiradas de um aparelho de radioterapia abandonado, foram suficientes para matar 4 pessoas já nos primeiros dias e até hoje provocam amputações e mortes de pessoas contaminadas.

Ou seja: o bom senso exigiria levar aquele parecer em consideração, até para não duplicar o risco de Angra 2, construída com um projeto similar. Mas a revisão atrasaria a obra, poderia levar à rescisão do contrato por mudança de objeto e talvez à sua inviabilização, por aumento de custos. Vale recordar aqui que, naquele momento, a Andrade Gutierrez, contratada para a obra, já repassava recursos ao Almirante.

O que fez a CNEN? Engavetou o incômodo parecer. E a obra foi licenciada, para a alegria de muitos.

Claro, não foi assim tão simples. Segundo a “Isto é” de 11/06/2010 o clima dentro da CNEN passou a ser “de caça às bruxas”, e o tema, proibido. O Ministério Público Federal, em investigação aberta pelo Procurador de Angra em 30/09/2009 que chegou a 400 páginas, concluiu pela necessidade de revisão do projeto. Também suas determinações foram desconsideradas pela CNEN e pela Eletronuclear.

O autor do parecer, “encostado”, não tinha sienciado: em 05/02/2010 publicou um artigo no Jornal do Brasil, denunciando o “projeto anacrônico” de Angra 3; e outro em 31/03/2010, depois de uma réplica da CNEN, insistindo em seu caráter “obsoleto” – o que o levou inclusive a sofrer um processo administrativo, e foi o apoio da Associação de Fiscais da Energia Nuclear que o salvou da demissão.

Pouco depois, em 2011, um terceiro “acidente severo”, em Fukushima, no Japão, evidenciou novamente o perigo latente nas usinas nucleares. Três reatores fundiram e explodiram, em dias seguidos. Centenas de milhares de pessoas foram evacuadas num raio de 40 km – chegou-se a temer ser necessário evacuar Tóquio! – e a luta do Japão frente às consequências do acidente não está perto de terminar.

A Alemanha, depois de Fukushima, decidiu fechar suas usinas nucleares, iniciando com as de maior risco como a de Grafenrheinfeld, similar a Angra 2 e 3. No Brasil, ao contrário, o acidente não suscitou maiores questionamentos.

Segundo o Relatório Anual sobre o Estado da Indústria Nuclear de 2017, o aumento dos custos por exigências de segurança está levando essa indústria ao declínio. Atenção: como já não conseguem novos contratos nos países ricos, os abutres do lobby nuclear internacional vêm adotando a estratégia de associar-se a interesses de países do capitalismo periférico, para a continuidade do seu lucrativo negócio.

Nesse contexto, o processo do MP em Angra não mereceria uma urgente atenção de nossas instituições? Independentemente de opiniões sobre o uso da energia nuclear para produzir eletricidade, uma revisão do projeto de Angra 3, à luz dos novos conhecimentos sobre a segurança das instalações nucleares, seria um passo essencial frente ao incomensurável perigo dessa empreitada – e à angústia dos que dele têm consciência. 

15 de novembro de 2017

Novembro, 16

Pobres locos

Pero a veces basta con una mala decisión política que alienta la inseguridad o enciende un conflicto; con un giro inesperado de la vida económica; con un quiebro en la suerte o en la salud… Basta que la red que te protegía desde la infancia vaya desapareciendo. Que llegue la ruptura y la soledad. Esa es demasiadas veces la biografía de los que habitan a la intemperie.

Esta semana se ocuparon en el programa Hoy por Hoy de la Cadena Ser de los sin techo; hablaron de aquellos peatones, no muchos, que al pasar se detienen a mirarlos o a preguntar cómo están. Para informar de cuál es la situación en Madrid invitaron al psiquiatra Rafael Fernández, jefe del Equipo de Calle de Salud Mental del Hospital Clínico, uno de esos peatones que sí se detiene y pregunta. Unas 600 personas, contó él, se encuentran en tal situación en la capital de España, y especificó que antes eran 800. Algo va a mejor, parece ser. “Un 30% de estas personas”, añadió, “sufren un trastorno mental grave, pero si nos centramos en alcoholismo o adicciones que producen alteraciones de la conducta, entonces son ya el 80%”. Porcentajes varios sobre seres humanos tirados junto a nuestras casas, cual hojas de otoño, en parques, aceras o en esos rinconcitos bien resguardados que suelen cobijar los cajeros automáticos de los bancos. Algunos de esos 400 millones de personas clasificados como “con problemas neurológicos” por la Organización Mundial de la Salud, que tiene un plan hasta 2020, pero sin que se pueda especificar mucho más.

Tal referencia otoñal me hizo recordar Berlín, donde recorrí hace no mucho en bicicleta grandes áreas por motivos varios. Vi más sin techo que nunca. Hay un prototipo de vagabundo de larga duración, generalmente alcohólico, frecuente en las urbes alemanas. Pero no era el caso. Estos estaban sobrios. Como había que descartar el efecto últimos retazos de temperatura estival, regresé a los mismos lugares en horas distintas, e incluso al caer el sol (muchos homeless salen de los albergues temprano y regresan a la noche) y en días alternos. Y allí seguían. Saben en Berlín bien lo que está pasando: muchos son extranjeros, refugiados o inmigrantes varados. Ahí están, vestidos con mil prendas encima; gorros cubriendo los rostros y con todas sus pertenencias acumuladas en esos carritos metálicos de los supermercados que son como metáfora del consumo occidental de todo producto, incluida la pérdida de rumbo. Alemania recibió en los últimos dos años más de un millón de refugiados ante la crisis siria. Y se nota (sumado a la presión migratoria desde el Este). En España, sin embargo, país al que en el reparto europeo posterior le tocó asumir 17.337 apenas ha acogido a 2.190 según datos de anteayer mismo.

Escuchando al doctor Fernández en la SER recordé la sonrisa de uno de estos llamados “locos” en otro contexto. Uno, andando un día por el hermoso barrio de la Medina de Dakar (Senegal), transistor en mano, interpelando a voz en grito a todos los transeúntes. Un conocido grafitero de la ciudad, que nos acompañaba y participaba en un hermoso proyecto artístico en los muros del barrio, al verlo pasar, nos pidió a los periodistas occidentales que nos ocupáramos de ellos. “Son muchos en África. Son el último eslabón de la cadena, los restos, la basura…”, dijo. Lo anotamos en la agenda. Y ya. Los olvidados de los olvidados, así titulaba hace unos años el programa de La Noche Temática de La 2 un documental sobre el tema.


Como las calles del continente más pobre suelen estar, de por sí, repletas de todo tipo de enfermos, los neurológicos se deberían ver mucho menos en ese contexto. Muchos son maltratados, lo sabemos. Pero otras muchas veces no es así, y no lo contamos adecuadamente en los medios: muchas comunidades en África están cohesionadas y son muy solidarias y sí, suelen verlos, alimentarlos y atenderlos como quiera que sea y con lo poco que tengan. Obviamente esto no basta. Si hablar de salud mental en países desarrollados remite a tragedia, en los países en vías de desarrollo, que no tienen ni asegurada los servicios mínimos básicos de asistencia, remite a drama de tintes medievales.

Estos locos vagan (más los hombres que las mujeres; ellas se suelen aislar o refugiar) de un lado a otro, hablan sin parar un día y se quedan quietos y mudos otro, cuando la depresión arrecia. Enloquecen por enfermedad pero también de pena, de miedo, de desesperación o soledad… Sus miradas, sus cuerpos expresan lo mucho sufrido o visto, lo nunca contado. Vidas durísimas de principio a fin. Sabemos que unos 30 millones de africanos (muchos, ciudadanos de los países más pobres y conflictivos de la Tierra) sufren depresión y que reparar las mentes rotas no solo es costoso sino muchas veces imposible de practicar sin sistemas de salud adecuados, sin fondos. Y menos en zonas castigadas por conflictos, como sucede en el norte de Nigeria asoladas por el terrorismo de Boko Haram. O cómo sucedía en Sierra Leona, tras la guerra: seres desorientados por doquier, unos pocos hospitales o manicomios donde eran atendidas algunas víctimas: niños soldado obligados a asesinar a sus familias, niñas violentadas, mutiladas; mujeres y hombres con todo perdido.
Es un mal terrible perder la razón siendo pobre. Lo es, y muy frecuente, hacerlo tras vivir una desgracia, una catástrofe, una guerra. Pero también hay enfermos por la necesidad alimenticia crónica, por la violencia y los abusos constantes, por la pérdida de los seres queridos… Hace unos días publicamos en Planeta Futuro un artículo titulado Cómo abordar la salud mental de los refugiados al hilo de una reunión de psicólogos de emergencias celebrado en Serbia para tratar aquello, interno y devastador, que destroza el alma de tantas personas: huir, perderlo todo, quedar expuesto… Refugiados que abundan (más de 65 millones según ACNUR) hoy más que nunca desde el fin de la II Guerra Mundial. La paz garantiza muchas cosas, entre ellas, la salud mental comunitaria, ciudadana e individual.

Que no hay suficientes psicólogos a pie de calle o en pie de guerra (si se prefiere) fue la conclusión de unas jornadas celebradas hace unos meses por el Colegio de Psicólogos de Andalucía. La fragilidad, la vulnerabilidad es algo intrínseco a nuestro corazón y a nuestra mente. “Uno piensa que eso no te puede pasar a ti”, se oía en las ondas de la SER… Uno espera.

Pero a veces basta con una mala decisión política que alienta la inseguridad o enciende un conflicto; con un giro inesperado de la vida económica; con un quiebro en la suerte o en la salud… Basta que la red que te protegía desde la infancia vaya desapareciendo. Que llegue la ruptura y la soledad. Esa es demasiadas veces la biografía de los que habitan a la intemperie. El 10 de octubre pasado se celebró el Día Internacional de la Salud Mental, pero tampoco nos detuvimos mucho a mirar.

Fonte: EL PAÍS . http://saudepublicada.sul21.com.br/2017/11/14/pobres-loucos/
Por: Lola Huete Machado

 

Haja paciência para o pânico petista na internet
NOV 11, 2017
Por Bepe Damasco                                                                                                               
Há alguns dias machetes do Estadão e do Globo davam conta de que o PT negocia aliança com o PMDB em seis estados. 
Bastou para que uma onda de pânico por parte da militância petista invadisse as redes sociais. 
De minha parte, uma surpresa: não podia imaginar que esses jornalões, porta-vozes da burguesia mesquinha, golpista e escravocrata, merecessem tamanho crédito de petistas.
E pior: muitos na certa não se deram sequer ao trabalho de ler o conteúdo dessas notícias. 
Se o fizessem, teriam mais chances de escapar da armadilha dos veículos das famílias Marinho e Mesquita. 
Afora uma vaga alusão a uma entrevista do ex-prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, as matérias se escudam numa velha picaretagem na mídia monopolista brasileira, o off.
Elas são incapazes de identificar uma miserável fonte que seja, usando e abusando dos sujeitos ocultos ou indeterminados, tais como "segundo fontes próximas à direção do PT...", "de acordo com um dirigente petista...", "petistas do círculo de Lula dizem que...", e por aí vai. 
Foge do meu entendimento o fenômeno psíquico que leva até militantes veteranos a tomar como verdades absolutas lixos jornalísticos do gênero.
Tomados por uma estranha amnésia, ativistas e até dirigentes do partido resolveram ignorar a que interesses servem Estadão e Globo, velhos e tarimbados inimigos do BRASIL, do povo brasileiro e, claro, do Partido dos Trabalhadores. 
Teve até corrente interna do partido divulgando documento elaborado a partir das "preciosas' informações dos dois digníssimos representantes do PIG.
No mundo real, a história é outra. 
Pelo que se sabe, o partido ainda não deu início ao processo de discussões sobre a política de alianças para 2018. 
Se é verdade que informalmente existam quadros do PT defendendo alianças com dissidentes do golpismo, não faltam na militância os que preconizam a formação de uma frente puro sangue de esquerda, pelo menos no primeiro turno. 
Artigo interessante do jornalista Breno Altman que circula nas redes prega, por exemplo, frente de esquerda no primeiro turno e frente ampla no segundo.
Outra bobagem digna de nota é a comoção petista diante da fala de Lula, na caravana a Minas Gerais, na qual diz perdoar golpistas. 
Levar isso ao pé da letra é uma profunda injustiça com Lula. 
Quer dizer, então, que na visão dos que veem em tudo oportunidade para travar disputas internas falar em perdão significa que fará alianças?
Embora Lula seja uma gênio da comunicação de massas, é humanamente impossível evitar um ou outro escorregão retórico diante da maratona a que ele se submete nessas caravanas.
Em Minas, foram oito dias de périplo, com visitas a 12 municípios. Certamente, Lula não falou menos do que duas horas em cada um desses dias. 
São, então, 16 horas de discursos, e sempre de improviso como é sua característica marcante. 
É mais do que natural, portanto, uma ou outra frase fora do contexto, uma ou outra bola fora. 
Relembro que Lula é um senhor de 72 anos, que perdeu a companheira de uma vida inteira há poucos meses, sofre uma caçada judicial sórdida e ainda corre o riso de ser preso. Pinçar frases suas para fazer política só joga lenha no moinho da direita que está destruindo o Brasil.
Além de amplificar boatos e disseminar informações sem verificar a procedência, parte da militância virtual do campo da esquerda está se especializando em julgar e condenar de forma sumária. 
Quando a presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, soltou uma nota defendendo que a prerrogativa constitucional de cassar mandatos parlamentares pertence a deputados e senadores, e não ao STF, o mundo desabou sobre a direção do PT, acusada levianamente de defender Aécio Neves. 
Logo veio a votação no Senado, na qual toda a bancada do PT votou pelo afastamento do senador mineiro, cuja imagem hoje se confunde com o gangsterismo, o golpismo e a corrupção. Gente, sem um mínimo de prudência e cabeça fria, aonde vamos parar?
Novembro, 07 

Manifesto ao povo brasileiro

Arnaldo Mourthé

            A palavra que mais representa nosso estado de espírito atual é PERPLEXIDADE. Isso porque o que nos foi ensinado não corresponde mais, minimamente, à realidade que nos cerca. Vivíamos, e ainda vivemos em alguns aspectos, em um mundo de muitas concessões que produziram sociedades de desigualdades, muitas vezes desumanas. A história da humanidade nos relata isso. Os conflitos foram constantes ou ocasionais, mas resultaram em enfrentamentos sangrentos, em guerras e revoluções.

            Há muita apreensão a respeito de que um grande conflito possa nos alcançar em face do caos em que a humanidade está mergulhada, em graus diferentes para cada região, país ou circunstância. Os interesses de grupos econômicos e das grandes potências, quase todas com farto armamento nuclear, causam grande insegurança.

            Considerados os padrões ideológicos existentes e os interesses geoeconômicos, há campo para o pessimismo. Mas há solução para tudo isso, por mais que possa nos parecer improváveis. É disso que trataremos fundamentalmente neste Manifesto.

*

            Um produto de boa qualidade não pode ser construído com matérias primas de má qualidade. Uma boa construção exige material de qualidade, tanto melhor quanto for a qualidade requerida para ela. Isso vale para tudo, até para a sociedade. Um mau professor não é capaz de ensinar adequadamente o aluno. Um mau médico pode levar à morte seu paciente. Um mau engenheiro não garante uma construção segura, nem econômica. Um mau administrador não consegue levar um empreendimento ao sucesso. E um mau político não é capaz de defender os interesses daqueles que ele representa, muito menos de conduzir uma Nação.

            Os pensamentos errôneos são como o mau material, ou o mau profissional. Seus resultados são sempre negativos ou insuficientes. Esse é o grande problema que o Brasil atravessa. Se nossos representantes no poder são maus é porque nossos pensamentos errôneos os colocaram onde estão. Não há como culpar outros por nossos erros. É preciso corrigi-los. Tentemos fazê-lo.

            Venho há mais de dez anos me dedicando, a tempo integral, a compreender o momento histórico que atravessamos, e encontrar um meio para sua superação por nossa Nação, por nosso povo brasileiro. Esse esforço produziu uma editora e cinco livros: sobre a civilização, a crise, o poder, e o estado de perplexidade em que nos encontramos. Feito isso me sinto na obrigação de expor ao povo brasileiro meus pensamentos que vão além desses livros e que considero necessários à superação desse momento histórico, trágico, que estamos vivendo.

            Comecemos por uma verdade inquestionável, que tomamos como um postulado, como fez Euclides para desenvolver sua geometria. O dinheiro é apenas uma representação do valor de uma mercadoria. O valor do homem não pode ser medido pelo dinheiro, porque o ser humano não é mercadoria.

            A questão fundamental de nossa época é nosso conceito errôneo do ser humano. No Renascimento essa questão foi tratada, mas de forma viciosa. A liberdade concebida naquela época era a do indivíduo, não do ser humano, enquanto essência. Daí surgiu o individualismo  que gerou  o liberalismo, ideologia que sustentou o modo capitalista de produção e moldou nossa sociedade. Essa sociedade foi estruturada para satisfazer os interesses individuais dos burgueses capitalistas, cujo objetivo maior é o lucro. As necessidades humanas não foram consideradas, senão na medida do interesse capitalista na mão de obra para a produção de mercadorias e no consumidor desta para a realização de seu lucro.

            Esse sistema conduziu a humanidade a muitos conflitos. Entre pessoas e entre classes sociais, nas disputas existênciais ou por melhores condições de vida. Entre corporações por mercados e poder. Dos conflitos surgiram as ideologias, e uma variedade de concepções sobre a natureza da sociedade e do próprio homem. Os confrontos dessas ideologias e pensamentos divergentes geraram novos conflitos sociais, econômicos e políticos. Aqueles entre as próprias corporações capitalistas geraram uma concorrência feroz e a guerra entre nações, por mercados e para queimar os estoques provenientes da acumulação capitalista. Esse processo ficou expressamente claro, quando foram analisadas as razões das duas grandes guerras mundiais. Elas produziram várias dezenas de milhões de vítimas fatais, centenas de milhões de outras vítimas de toda natureza, como sequelas físicas,  fome,  doenças, migrações de refugiados e perdas materiais. Mas a burguesia capitalista continuou enriquecendo em um processo de acumulação de riqueza que só multiplicou.

            A astronômica concentração de capitais nas mãos de poucas pessoas fez nascer outro modelo de mundo, que alguns denominaram de globalização. Isso não aconteceu por acaso. Ele foi resultado da inviabilidade de sanear as contradições do capitalismo pelas guerras. Uma guerra, na dimensão necessária para resolver a atual crise do capitalismo, poria em confronto potências nucleares, o que levaria à destruição geral. Não sobraria pedra sobre pedra das grandes potências, enquanto a humanidade poderia desaparecer ou regredir ao primitivismo.

             Não havendo como investir os ganhos do capital, nem queimar estoques através da produção não destinada ao mercado, como obras públicas, armas de guerra ou a pesquisa espacial, o capitalismo criou uma economia fictícia.  Ela é embasada em dinheiro sem lastro, em lucros presumíveis e especialmente na dívida pública. Essa economia criou um mercado para a aplicação da fabulosa fortuna acumulada da exploração do petróleo e das tecnologias de ponta, que se substituem rapidamente parar gerar mercado para novos investimentos. O jogo do mercado financeiro produziu uma concentração brutal desses recursos no sistema financeiro. Para aplicar todo esse dinheiro fictício, foi preciso criar o endividamento público e ampliar o privado. Segundo o FMI, o total da dívida mundial no final de 2015 era de 2,55 vezes o PIB mundial. Esse valor só cresce, todos os dias, como a dívida pública brasileira. Quem serão os credores de tanto dinheiro? Como foi possível chegarmos a tal situação?

            Os controladores do sistema financeiro mundial dominam hoje toda a economia do mundo ocidental e parte da do mundo  oriental. Estão até na China, país com o qual têm uma associação para explorar o mercado mundial, que gera desemprego e baixos salários pelo mundo afora. Eles se sentem os “reis do mundo” e, de certa forma, o são, pois dominam os países através das suas dívidas públicas, usando-as para chantagear os governos, para conseguir deles todos os favores que se acham no direito de ter. Mas como puderam chegar até esse ponto?

            Pela corrupção, e pela chantagem do comércio e das armas. No Brasil, sofremos do mal da corrupção sistêmica dos políticos, pelo menos a partir da criação do IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) pelas forças conservadoras brasileiras e pelo capital estrangeiro. O objetivo do IBAD foi corromper, para eleger seus deputados e submeter a imprensa, no seu projeto de depor João Goulart da Presidência da República. Mas, na Nova República, esse processo foi intensificado para dominar os poderes Executivo e Legislativo da União. Assim conseguiram implantar no País uma política de demolição do Estado, que tem como principal instrumento a sangria financeira do Estado, através dos juros da dívida pública. O Estado foi levado a alienar seu patrimônio, a reduzir investimentos e serviços públicos, gerando o caos na nossa sociedade. A dívida pública não para de crescer, e o compromisso de pagá-la é usado para justificar a liquidação de direitos de cidadania, como a legislação trabalhista e a Previdência Social. Essa sangria degrada o serviço público. Os direitos à educação de qualidade, à saúde, à segurança e ao transporte de qualidade, vão sendo sistemàticamente reduzidos.

            Nesse processo a indústria brasileira foi desnacionalizada. O capital estrangeiro que detinha em torno de 25% dela no início dos anos 80, detém hoje mais de 70%. Todo o sistema financeiro é controlado por estrangeiros, mesmo os bancos que ainda são nacionais. Estes apoiam abertamente essa política de demolição da Nação brasileira. Mas, como tudo isso pode acontecer sem nosso conhecimento?

            A mídia não nos informou isso, porque ela é mercenária. Não divulga o que não é de interesse dos seus anunciantes. Ela molda a opinião pública. Cria na nossa mente um mundo de ilusões, que encobre a economia e as finanças fictícias. O Poder Executivo foi corrompido, assim com a maioria do Congresso Nacional. A Nação brasileira está pendurada no Poder Judiciário. Até quando ele resistirá ao ataque desse monstro - que mais parece a Besta do Apocalipse - se não contar com o apoio efetivo da nossa população.

            Essa, por sua vez, se sente incapacitada de agir por não confiar em nenhuma das supostas soluções que lhe são apresentadas. Nem nas lideranças que a decepcionou. Mas é preciso que ela seja despertada, pois somente ela tem condições de reverter esse quadro de horror a que nos submeteram. Mas temos que ser cautelosos. Nossa ação não pode comportar a violência, que é a arma mais efetiva dos dominadores. Nesse campo eles são imbatíveis. Nós precisamos desenvolver uma  estratégia pacífica. Muitos acreditam que isso não é possível. Mas eu digo que sim, é possível.

            Gandhi conseguiu derrotar o Império Britânico através de uma política de não violência e de apego à verdade. Mas como isso foi possível. Porque Gandhi desconsiderou o poder inglês, que era apenas aparente. Ele compreendeu que o único pensamento correto na política é a verdade. E também, que os homens não foram criados para guerrear entre si. Mas para viverem em harmonia e cooperação nas suas comunidades. Na família, nas aldeias, nas tribos, nas cidades, e nas nações. Também as nações não foram criadas para guerrear, mas para viver em harmonia e em colaboração, para manter um equilíbrio entre elas e permitir a evolução dos seres humanos. Nós podemos fazer o mesmo. Hoje a sociedade humana vive em dois mundos distintos, conforme o pensamento e a natureza de cada um de nós. Esses mundos são o do egoísmo e o da fraternidade.

            O mundo do egoísmo é o dominante. Não pelo número de pessoas que pertencem a ele, mas por sua força material. Considerados os padrões ideológicos existentes e os interesses geoeconômicos, há campo para o pessimismo. Mas há solução para tudo isso, por mais que possa nos parecer improvável. A maior força que sustenta esse mundo do egoísmo  não são seus poderes materiais, econômicos e bélicos. É a nossa omissão. Se ele dispõe do poder institucional é porque  nós o consentimos. Nesse campo, a sustentação deste poder se deve às nossas ilusões. Nós fomos e estamos sendo submetidos a um processo de alienação, de entendimento errôneo da realidade, que nos faz confundir realidade e ficção. Vamos a essa questão.

            De onde vem o poder de nossos governantes? Da eleição. Quem os elegeu? Fomos nós. Então, quem tem o poder somos nós, e não eles. Eles são apenas impostores. Eles se apossaram do poder como se fossem deles, mas ele é nosso. E o usam contra nós mesmos. Eles lá estão por nosso consentimento, e nossa ação de tê-los apoiado nas eleições, direta ou indiretamente. É fato que eles detêm o poder institucional, do Estado, por um período. Teoricamente eles têm o direito de fazer o que estão fazendo: legislar contra o povo, endividar o Estado, dar o dinheiro dos serviços públicos para os especuladores financeiros, alienar o patrimônio da Nação. Mas isso não é legítimo.  Eles não podem legislar ou tomar qualquer medida contra o interesse de seu Soberano, que é o povo que os elegeu. Esse é o princípio republicano capital. Mas como levar à prática uma política pacífica que seja vitoriosa?

            Cabe-nos, então, definir a força e a fraqueza dos adversários, como fez o famoso pensador e general chinês Sun Tzu, que disse: conheças o inimigo e a ti mesmo e travarás cem batalhas sem derrotas. Essa verdade não vale apenas para a guerra, mas para toda disputa. No esporte, no debate entre pessoas, na política, enquanto disputa de poder.

            Nós, até que conhecemos nossos adversários, mas apenas nos seus aspectos mais visíveis. Aqueles que enxergamos não são nada fortes. Eles são fracos, ignorantes, covardes, corruptos, mentirosos. Eles têm uma só força: o domínio de dois poderes da República, o Congresso, que faz as leis, e o Executivo, que as executa. A corrupção praticamente fundiu esses dois poderes, mas eles não podem tudo. Precisam de uma maioria, que provavelmente não têm, para aprovar reformas constitucionais. É preciso trabalhar para que não alcancem essa maioria. Nesse aspecto, os partidos da oposição são fundamentais, pois é preciso ter os votos contra eles que os  impeçam de ter a maioria necessária. Os parlamentares da oposição precisam de nosso apoio. Falar mal de político, sem precisar o que ele representa ou deixa de representar, é um erro. Devemos apoiar os parlamentares honestos e  bem intencionados. Nós precisamos deles. O Brasil precisa deles.

            Vimos o poder e a fraqueza dos nossos adversários no plano político. Mas, será que sabemos o suficiente sobre nós mesmos? Nossos pensamentos e nossas ações serão todos corretos? Há pessoas bem intencionadas que acreditam que são. Mas não serão nossos pensamentos influenciados pela propaganda enganosa que nos massacra todos os dias? São, sim, e muito. Eles são influenciados pelos veículos de comunicação controlados por nossos adversários, que são também inimigos da Nação brasileira, do povo brasileiro. É preciso, portanto, estarmos seguros que nossos pensamentos não nos traiam. Precisamos tomar consciência de nós mesmos e do mundo em que vivemos. Isso se chama conscientizar-se, conhecer as coisas como elas são. Não basta que algo possa parecer bom, ou do bem. É preciso que ele o seja.

            Isso nos obriga a um trabalho de conscientização. Não é fácil alcançar a verdade. A humanidade a busca incessantemente e nem sempre com êxito. Mas é precisa fazer um esforço, pelo menos agora que estamos atravessando momentos dolorosos.

            Empenhemo-nos na conscientização! Primeiro da nossa própria, depois daqueles que nos cercam, e daí para todos. É preciso conhecer a verdade. Uma das frases mais marcantes para esse momento que atravessamos foi dita a cerca de dois mil anos atrás. Quem a disse todos nós conhecemos: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Não acredite em tudo que dizem por aí, por mais interessante que seja, sem verificar sua veracidade. Querem nos dividir jogando-nos uns contra os outros. Além de conhecer a verdade, é preciso nossa unidade para vencer nossas dificuldades.

            Nós, povo brasileiro, precisamos nos unir. Para defender nossos direitos, para sermos o que somos, pois não somos nem melhor nem pior que nenhum outro povo. Devemos nos unir e lutar por um Brasil de Paz e Fraternidade.

            Mas, para isso, precisamos ter vontade! Tanto a Paz quanto a Fraternidade precisam estar dentro de nós mesmos. Não basta querer. É preciso construir o que queremos. Isso exige além da coragem, empenho e sinceridade. Só o amor constrói. O ódio destrói. A omissão nos neutraliza e nos deixa a mercê da sorte. A falsidade desmonta a unidade. Isso tudo implica que precisamos construir tudo a partir de nós mesmos. Da correção de nossos pensamentos e de nossas ações. Nosso exemplo atrairá apoios que nos fortalecerão. Porque forte já seremos se compreendermos que o poder está dentro de nós mesmos.

            Esse me parece o caminho correto para superarmos nossas dificuldades e construirmos o País que nós queremos. É o que esperam de nós nossos descendentes e todos os demais brasileiros.

Pensem nisso.

Rio de Janeiro, 07/11/2017

 

 

MATÉRIA EM DESTAQUE Outubro, 23

PEW RESEARCH

Pesquisa indica que 23% dos brasileiros apoiam governo ‘não-democrático’

Levantamento do Pew Research Center em 38 país indica que média gloval de apoio ao totalitarismo é de 13%

https://oglobo.globo.com/brasil/pesquisa-indica-que-23-dos-brasileiros-apoiam-governo-nao-democratico-21953316

 

POR HENRIQUE GOMES BATISTA, CORRESPONDENTE

16/10/2017 18:42 / atualizado 16/10/2017 21:38

Fachada do Congresso Nacional - Ailton de Freitas / O Globo - 01/02/2005

 

WASHINGTON - Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Pew Research Center aponta que 23% dos brasileiros apoiam formas “não-democráticas de governo”, como uma gestão militar, tecnocrata ou um “líder forte”. O resultado do país é pior que a média da pesquisa realizada em 38 países. A média do apoio a formas de governo não-democráticas chega a 13%.

 


Entretanto, o apoio do Brasil a alternativas à democracia é ligeralmente menor que a média da América Latina (24%) e inferior a outras nações da região consultadas, como Chile (24%), Colômbia (25%), México (27%) e Peru (28%), país onde este percentual é mais elevado. Por outro lado, há menos suporte ao totalitarismo na Argentina (18%) e na Venezuela (15%). Nos Estados Unidos, este percentual é de 7%, e o menor apoio foi registrado na Alemanha (5%).

A pesquisa, realizada de 16 de fevereiro a 18 de maio com consultas a 41.953 pessoas de 38 países ainda aponta que, quando questionado especificamente sobre a possibilidade, 38% dos brasileiros consideram que um governo militar pode ser uma boa opção, acima da média da América Latina(31%) e da média global (24%).

O levantamento aponta ainda que, entre as pessoas mais escolarizadas, 29% acreditam que um governo militar pode ser uma boa opção, enquanto que entre os menos escolarizados, este percentual vai a 45%.

O levantamento aponta ainda que um em cada três brasileiros considera ruim a democracia representativa atual, mesmo percentual da América Latina e muito acima da média mundial (17%) e dos EUA (13%). E o Brasil ainda aparece na lanterna do levantamento sobre confiança no governo federal: apenas 2% concordam que o governo “faz o certo para o país”, mesmo percentual de países como México, Líbano e Coreia do Sul, à frente de Grécia e Itália, países onde apenas um em cada cem habitantes concordam com esta afirmação.



Leia mais: https://oglobo.globo.com/brasil/pesquisa-indica-que-23-dos-brasileiros-apoiam-governo-nao-democratico-21953316#ixzz4wGMBi8WE 
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MATÉRIA EM DESTAQUE´08  OUTUBRO

Tendência para o autoritarismo é alta no Brasil, diz estudo


06/10/2017 MARCOS AUGUSTO GONÇALVES
DE SÃO PAULO

Lalo de Almeida/Folhapress

 

Os brasileiros têm alta propensão a apoiar teses autoritárias e essa tendência é reforçada pelo quadro ameaçador da segurança pública do país, que registra cerca de 60 mil mortes intencionais por ano e tem 50 milhões de adultos que declaram ter conhecido ao menos uma pessoa que foi assassinada. 

 

Esta é uma das conclusões do estudo "Medo da Violência e Autoritarismo no Brasil", realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), uma entidade sem fins lucrativos, que elaborou no país um inédito Índice de Propensão ao Apoio de Posições Autoritárias. 

 

Com base em pesquisa encomendada ao instituto Datafolha, a medição indica que, numa escala de zero a dez, a sociedade brasileira atinge o elevado índice de 8,1 na propensão a endossar posições autoritárias. 

 

A constatação mostra-se mais relevante quando os brasileiros começam a se preparar para a corrida eleitoral do próximo ano, num contexto político e social instável, em tese propício a aventuras populistas e autoritárias. 

 

"Estamos sob ataque de grupos que professam sua fé na violência como forma de governar e de, paradoxalmente, pacificar a sociedade, em uma espécie de vendeta moral e política que parece cada vez mais ganhar adeptos", diz Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do FBSP, para quem a ideia de que vivemos numa "terra devastada" favorece a exploração de supostas saídas de "cunho salvacionista". 

 

Um dos nomes que se apresentam com essas características no cenário da disputa presidencial é o deputado Jair Bolsonaro(PSC), que na pesquisa Datafolha de intenção de voto, publicada no último domingo, oscilou entre 15% e 19% nos diversos cenários propostos pelo instituto. 

 

As reais possibilidades de Bolsonaro, contudo, precisam ser relativizadas, tratando-se de sondagem realizada a um ano da data do pleito. 

 

Mauro Paulino, diretor do Datafolha, avalia que o potencial eleitoral do pré-candidato "só poderá ser confirmado no próximo ano, quando as demais candidaturas estiverem definidas, e em especial depois do início da propaganda eleitoral nos veículos de comunicação". 

 

 

Editoria de Arte/Folhapress

 
 
 

POBRES E JOVENS

 

O índice proposto pelo FBSP foi elaborado com base em tentativas de medição de tendências autoritárias na tradição das ciências sociais e da psicologia social. Tomou-se como referência inicial a escala psicométrica criada pelo sociólogo e filósofo alemão Theodor Adorno (1903-1969), no pós-Guerra, época em que trabalhou com um grupo de psicólogos sociais na Universidade da Califórnia, em Berkeley, com o objetivo de mensurar tendências antidemocráticas implícitas na personalidade de indivíduos. 

 

Numa versão mais sintética que a do alemão, o FBSP propôs 17 enunciados que foram submetidos a 2.087 entrevistados numa amostra representativa da população com 16 anos ou mais, em 130 municípios, entre os dias 7 e 11 de março deste ano.

Os enunciados se filiam a três categorias: "submissão à autoridade", "agressividade autoritária" e "convencionalismo". A que apresentou médias de propensão ao autoritarismo mais altas foi a primeira —"submissão à autoridade". O resultado pode ser relacionado a traços reconhecíveis da cultura política do país, como o prestígio de lideranças fortes e personalistas —à direita, mas também à esquerda, como ressalta Fernando Abrucio, professor da FGV

 

Na busca de um "salvador da pátria", a população poderia vê-lo no ex-presidente Lula (PT), "que tem um histórico de políticas sociais", ou em Bolsonaro. "Se isso leva à vitória eleitoral, é complicado dizer, porque há outras variáveis em jogo." 

 

A pesquisa foi decupada em algumas variáveis, como faixa etária, escolaridade, regiões, cor da pele, população dos municípios e classe social dos entrevistados. 

 

Verificou-se que a tendência autoritária é mais acentuada entre os menos escolarizados, os de menor renda, os mais velhos, os pardos, aqueles que habitam municípios menos populosos e os que vivem no Nordeste. 

 

Na curva etária, chama a atenção que a faixa de 16 a 24 anos se mostre mais inclinada ao autoritarismo do que as duas subsequentes (25 a 34 e 35 a 44 anos). 

 

Para Sérgio de Lima, tal inclinação justificaria o esforço nas redes sociais de grupos de jovens conservadores para exercer influência nas eleições de 2018. Quanto a classes e regiões, a maior adesão entre os de menor renda e no Nordeste sugere "um pedido de socorro". Os pobres estariam frustrados com recuos sociais e seriam mais reféns do medo da violência

 

ESPECIALISTAS COMENTAM ESTUDO

 

Os índices do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Datafolha serão apresentados nesta sexta (6), a partir das 15h30, no auditório do Instituto Unibanco (rua Padre João Manuel, 40). O evento é só para convidados. Renato Sérgio de Lima, secretário-geral do fórum, e Fernando Abrucio (FGV), entre outros, analisarão os dados. A pesquisa está disponível no site www.forumseguranca.org.br.

*

COMO FOI FEITA A PESQUISA
O índice foi construído pelo grau de concordância dos entrevistados frente às afirmações:

 

Convencionalismo
7,36
‣ "A maioria de nossos problemas sociais estaria resolvida se pudéssemos nos livrar das pessoas imorais, dos marginais e dos pervertidos"
‣ "Se falássemos menos e trabalhássemos mais, todos estaríamos melhor"
‣ "Deve-se castigar sempre todo insulto à nossa honra"
‣ "Os crimes sexuais tais como o estupro ou ataques a crianças merecem mais que prisão; quem comete esses crimes deveria receber punição física publicamente ou receber um castigo pior"
‣ "Os homossexuais são quase criminosos e deveriam receber um castigo severo"
‣ "Às vezes, os jovens têm ideias rebeldes que, com os anos, deverão superar para acalmar os seus pensamentos"
‣ "Hoje em dia, as pessoas se intrometem cada vez mais em assuntos que deveriam ser somente pessoais e privados"

 

Submissão a autoridades
8,08
‣ "A ciência tem o seu lugar, mas há muitas coisas importantes que a mente humana jamais poderá compreender"
"Os homens podem ser divididos em duas classes definidas: os fracos e os fortes"
‣ "Um indivíduo de más maneiras, maus costumes e má educação dificilmente pode fazer amizade com pessoas decentes"
‣ "Todos devemos ter fé absoluta em um poder sobrenatural, cujas decisões devemos acatar"
‣ "Pobreza é consequência da falta de vontade de trabalhar"

 

Agressividade autoritária
6,50
‣ "O que este país necessita, principalmente, antes de leis ou planos políticos, é de alguns líderes valentes, incansáveis e dedicados em quem o povo possa depositar a sua fé"
‣ "A obediência e o respeito à autoridade são as principais virtudes que devemos ensinar às nossas crianças"
‣ "Não há nada pior do que uma pessoa que não sente profundo amor, gratidão e respeito por seus pais"
‣ "Nenhuma pessoa decente, normal e em seu são juízo pensaria em ofender um amigo ou parente próximo"
‣ "O policial é um guerreiro de Deus para impor a ordem e proteger as pessoas de bem"

 

 

 

Pesquisa aponta que medo do crime ampara saída salvacionista no Brasil

FERNANDA MENA
DE SÃO PAULO

06/10/2017 02h00

Gabriel Paiva/Agência O Globo . http://m.folha.uol.com.br/poder/2017/10/1924785-pesquisa-aponta-que-medo-do-crime-ampara-saida-salvacionista-no-brasil.shtml

Moradores da Rocinha tentam se proteger de tiroteio em passarela durante operação de PM na favela

O medo é mau conselheiro, diz o ditado. E a insegurança que sempre caminha com ele, indica a história, tende a encorpar o apoio social a teses e medidas autoritárias na busca pela ordem.

De acordo com a pesquisa "Medo da Violência e Apoio ao Autoritarismo no Brasil", o país não foge à regra: quanto mais amedrontada a população, maior a sua propensão a apoiar o autoritarismo —que, vale lembrar, manifesta-se à direita e à esquerda.

 

CARIOCAS QUEREM DEIXAR O RIO –DATAFOLHA

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/10/1925156-7-em-10-moradores-do-rio-quererem-deixar-a-cidade-por-causa-da-violencia.shtml

MATÉRIA EM DESTAQUE 05 OUTUBRO

De Amaral Netto a Pedro Bial: as duas Globos

 Milton Saldanha - Jornal Dance, editor

De Amaral Netto a Pedro Bial: as duas Globos

Milton Saldanha,  jornalista

Erra quem diz que a Globo apoiou a ditadura. Foi muito mais do que isso: a ditadura montou a Globo. Inclusive, no governo Médici, com a liberação do contrabando. Médici queria TV a cores no Brasil e mandou a Receita Federal se fazer de morta. Podiam entrar todos os equipamentos, livres de impostos. E no menor prazo possível. Mas não foi só para a Globo. Liberou para todas.

Onde a prova disso? No livro de memórias de Walter Clark, que foi, naquele período, depois de Roberto Marinho, o homem mais poderoso da Globo, além de maior salário de executivo privado do País. Já aviso aos apressados: Clark não era e nunca foi de esquerda. Sua ideologia era a Globo, para a qual vivia em tempo integral. Por tabela, óbvio, era um homem do sistema. Logo, não existe nenhum motivo para duvidar ou colocar sob suspeita sua revelação.

A ditadura montou a Globo por vários motivos, com vista grossa ao acordo Time-Life, à margem da lei, que proibia veículos de comunicação de massa com investimento acionário estrangeiro. Entre os motivos, a Rede era parte da estratégia do projeto militar-civil do Brasil potência. E faria a consolidação da integração nacional, assentada na tecnologia que surgia com o uso do satélite, que revolucionou o sistema de comunicação e tornou obsoleto todo o resto. O satélite permitia a transmissão simultânea para todos os Estados, com possibilidade da entrada ao vivo de qualquer ponto do território. Marcou a grande mudança, e isso coincidiu com o projeto da ditadura.

O homem da ditadura dentro da Globo se chamou Amaral Netto, o repórter, nome do seu programa nas noites de domingo, quando exaltava os feitos do regime e mostrava ao povo o Brasil das grande fábricas, da Pororoca,  das colossais hidrelétricas, e vai por aí. A TV, agora a cores, dava ao monumental press release  eletrônico chapa branca toda a beleza que não teria se a TV ainda fosse em preto e branco. 

Amaral Netto, que os opositores chamavam de amoral nato, logo encontrou um parceiro, só que em outra rede: Silvio Santos, que também idolatrou a ditadura, e todo mundo esqueceu. Mas ele tinha uma dívida a pagar, que foi a concessão do canal, disputadíssimo.

“Não gosto de ser surpreendido”

Quem dizia essa frase, dentro da Globo, era Roberto Marinho, referindo-se às notícias de impacto nos seus telejornais. A frase resume a pessoa: autoridade suprema. Tudo, na Globo, foi como ele quis, até o dia da sua morte.

Isso para mim ficou mais do que evidente no dia a dia, quando lá trabalhei, anos 1980, na chefia de reportagem e edição. Não tinha essa de delegação a diretores nas questões cruciais. Quem decidia era ele. O maior exemplo foi na campanha das Diretas Já. A Globo demorou muito a começar a cobrir, e quando começou foi com timidez, por ordem de Marinho. Ele tinha lealdade aos militares que possibilitaram a edificação do seu império. Goste-se ou não, e olhando-se pelo prisma dele, isso foi decente.

A maior prova foi o grande comício da Candelária, no Rio. A TV Manchete transmitiu ao vivo, enquanto a Globo exibia sua novela das seis da tarde. E nós, na redação, vendo aquilo de mãos amarradas, loucos para estar lá com as câmeras e microfones.

 Onde quero chegar: a Globo tem que ser entendida e interpretada com dois momentos: antes e depois de Roberto Marinho.

Foi só depois da sua morte que a organização pediu desculpas ao povo brasileiro por ter apoiado a ditadura.

Momento didático de extrema importância histórica, que a esquerda burra não entendeu, não captou e não explorou,  recolhida em seus ressentimentos mesquinhos pelo passado. Sem ver a curva da História.

Hoje, quando analfabetos políticos  pedem regime militar, nada melhor do que apontar-lhes esse gesto magnífico da insuspeita Globo, que diz tudo. Porque foi a própria filha daquele regime falando.

A esquerda burra continua caindo de pau na Globo e não percebe que Amaral Netto hoje sequer é lembrado, enquanto desponta essa figura de jornalista exemplar que tem sido Pedro Bial, que já suplantou o antecessor Jô Soares, que teve o seu tempo, e a quem devemos respeito.

Não dá para entender que os tempos são outros?

Vejam a equipe formidável da Globo News. Restrições pessoais são direito de cada pessoa, refiro-me ao conjunto do grupo. Estão fazendo jornalismo critico da melhor qualidade. Idem na emissora mãe, sobretudo nos telejornais matutinos.

“Ah, mas ferraram o PT”, vai dizer algum ressentido. Não foi a Globo que ferrou o PT.  Foi o PT que ferrou-se a si próprio, com seus erros, a começar pelo esquecimento do seu ideário original. E por ter insistido na figura do velho caudilho, nele tudo apostando, navegando na tradição populista, quando o mundo moderno sugere pluralidade de lideranças e pede projetos reformistas de qualidade, e não arranjos de compadres que conciliam interesses das suas turmas.

Houve uma época em que se gritava “Fora Globo”.

Tive o desconforto de ouvir isso quando estava nos comícios das Diretas Já, como produtor, acompanhando equipes. Eles, que gritavam, não sabiam que quase todos das nossas equipes eram de esquerda, e obviamente a favor das Diretas Já.

E não entendiam que a presença ali da maior máquina de propaganda do regime que começava a cair era a prova da vitória democrática.

Quando o coração ocupa o lugar do cérebro dá nisso.  

 

MATERIA EM DESTAQUE 03 OUTUBRO

Freud disse que saúde mental é bem amar e bem trabalhar?

Eduardo Lucas Andrade  FBOOK 03 outubro


Essa poética compartilhada sem maiores críticas reafirma o mal entendido acerca da obra freudiana. Guiado pelos conceitos em alemão utilizados por Freud percebemos que a raiz deste mal entendido aponta​ como meta do tratamento a restauração prática do enfermo em sua capacidade de realizar (Leistung) e gozar (Genuss).
Mas o que realizar e gozar tem a ver com amar e trabalhar? Certamente quase nada. Qual distorção este mal entendido coloca? Coloca que quando Freud fala de realizar ele diz do desejo e este não é a coisa bela que temos maquiada pela consciência, é uma realização, uma potência psíquica. Se fosse sinônimo de trabalho seria trabalho psíquico e não este trabalho de noção capitalista que temos a pronta entrega na interpretação. A moeda corrente do neurótico é, por excelência, sua libido, Freud mesmo já postulava. E quando aponta o gozar, Freud reafirma que temos que nos virarmos com o pulsional narcísico de vida e de morte, e com o pulsional frente à sua inesgotável satisfação. Ainda que fosse amar. Ainda que fosse. O amor em psicanálise, o amor psíquico, não é o amor de construção social romântico, é narcísico, é destrutivo, é salve-se quem puder tendo o outro como suporte. Ainda diferente de amor, Freud usa o equivalente a gozo. Gozo é diferente de amor. Ô se é.
Quanto ao começo da frase o conceito saúde mental, que não é psicanalítico, sequer aparece na frase, mas se assim aparecesse teríamos uma complicação, pois o pulsional é psicopatológico por excelência. Assim sendo não teríamos, conceitualmente em Freud, esse tal de bem amar e bem trabalhar (este bem veio de bônus ao mal entendido, julgo consciente), teríamos a capacidade de estabelecer a potência para realizar (produzir algo criativamente) e gozar em seu amplo sentido de fruição.
Com esta crítica, do social capitalista e romantizado voltamos ao legado freudiano da capacidade psíquica e seu universo pulsional onde somos, sendo humanos, lobos dos humanos.

MATERIA EM DESTAQUE 29 SETEMBRO
Wanderley Diniz   FACEBOOK

""New York Times" e "Wall Street Journal" noticiaram a venda de reservas de petróleo com títulos como "atrai interesse" e se torna "o leilão mais bem-sucedido do país".

Para o "WSJ", a venda "marca a volta da Exxon", maior petroleira americana, que se associou à Petrobras para derrotar a chinesa Cnooc e outras, adquirindo blocos do pré-sal por mais de US$ 1 bilhão.

O jornal destacou que o presidente da estatal, Pedro Parente, afirmou que "a Petrobras é a empresa que tem o maior corpo de informação sobre o mar brasileiro, portanto, vocês podem imaginar que não pagaríamos o quanto pagamos se não tivéssemos informação de que valia".

O "NYT" destacou declaração do hoje consultor Adriano Pires, ex-assessor da Agência Nacional de Petróleo, para quem "o significado [do leilão] é o retorno da Exxon".

CHINA QUER OI

A Cnooc perdeu, mas o site de notícias da chinesa "Sina" deu que a China Telecom contratou o Goldman Sachs como consultor para comprar "o controle de todos os negócios" da telefônica brasileira Oi.

BOLSONARO VS. CHINA

O pré-candidato Jair Bolsonaro deu entrevista à Reuters, sob o título de que "pretende ser o Trump do Brasil". Em relações internacionais, sua "prioridade seria estreitar os laços" com os EUA, que voltariam a ser o maior parceiro comercial, no lugar da China, cujas aquisições seriam barradas:

— A China está tomando conta do Brasil.

BATALHA

Na nova "Economist", a "batalha dos conservadores sociais" latino-americanos contra direitos de mulheres e homossexuais. Suas campanhas vêm obtendo vitórias em países como Peru e Colômbia, onde derrubaram as ministras de educação, e no México.

E ameaçam os "avanços incompletos" no Brasil, por exemplo, onde "cresce o assassinato de homossexuais".

NA JUSTIÇA

Ecoou na quinta, via Associated Press, que a "Suprema Corte do Brasil permite ensino religioso em escolas públicas".

Mas a repercussão maior, sobre a batalha na Justiça, ainda é do juiz que quer permitir que psicólogos "tratem" homossexuais, no título do "Le Monde", o que causa "revolta", segundo a "Der Spiegel". O caso é explorado por tabloides como o "New York Post".

MATERIA EM DESTAQUE 07 SETEMBRO

Geração smartphone faz menos e sexo e não está preparada para a vida adulta

Geração smartphone bebe menos álcool, faz menos sexo, trabalha menos e não está preparada para a vida adulta, revela pesquisa da Universidade Estadual de San Diego31 ago

A chamada “geração smartphone”, daqueles que nasceram após 1995, vem amadurecendo mais lentamente que as anteriores.

Eles são menos propensos a dirigir, trabalhar, fazer sexo, sair e beber álcool, de acordo com Jean Twenge, professora de psicologia da Universidade Estadual de San Diego, nos Estados Unidos.

Suas conclusões estão no recém-publicado livro iGen: Why Today’s Super-Connected Kids are Growing up Less Rebellious, More Tolerant, Less Happy – and Completely Unprepared for Adulthood (iGen: Por que as crianças superconectadas estão crescendo menos rebeldes, mais tolerantes, menos felizes – e completamente despreparadas para a vida adulta, em tradução livre), com os resultados de uma investigação baseada em pesquisas com 11 milhões de jovens americanos e entrevistas em profundidade.

Em entrevista à BBC Mundo, Twenge explicou que esses jovens cresceram em um ambiente mais seguro e se expõem menos a situações de risco.

Mas, por outro lado, chegam à universidade e ao mundo do trabalho com menos experiências, mais dependentes e com dificuldade de tomar decisões.

Os de 18 anos agem como se tivessem 15 em gerações anteriores”, comenta Twenge.

Ela diz que isto tem relação com a superconectividade típica desta geração, que passa em média seis horas por dia conectado à internet, enviando mensagens e jogando jogos online.

Por conta disto, acabam passando menos tempo com amigos, o que pode afetar o desenvolvimento de suas habilidades sociais.

O estudo mostrou ainda que quanto mais tempo o jovem passa na frente do computador, maiores os níveis de infelicidade.

O que me impressionou na pesquisa foi que os adolescentes estavam bastante cientes dos efeitos negativos dos celulares”, comentou a pesquisadora.

E um estudo com 200 universitários que fizemos mostrou que quase todos prefeririam ver seus amigos pessoalmente”, continua.

Essa consciência, no entanto, não se traduz em prática.

A Geração Smartphone, segundo a pesquisa com base no universo americano, sofre com altos níveis de ansiedade, depressão e solidão.

A taxa de suicídio, por exemplo, triplicou na última década entre meninas de 12 a 14 anos.

Mas, ao mesmo tempo, trata-se de uma geração mais realista com o mercado de trabalho e mais disposta a trabalhar duro, o que Twenge vê como “boa notícia para empresas”.

Eles não têm grandes expectativas como as que tinham os millennials (a geração anterior, dos nascidos após 1980)”, compara. “Eles estão mais preocupados em estar física e emocionalmente seguros. Bebem menos e não gostam de riscos.”

Segundo o livro, por terem uma infância mais protegida, têm um crescimento mais lento. Para Twenge, “não gostam de fazer coisas nas quais não se sintam seguras, o que fazem é adiar os prazeres e as responsabilidades”.

Mas embora as principais conclusões pareçam acenar para um sinal de alerta, a pesquisadora comenta que a geração smartphone é tolerante com pessoas diferentes e ativa na defesa de direitos LGBT e da população.

E mais ainda que as gerações anteriores, eles acreditam que as pessoas devem ser o que são”, completa.

BBC

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"É muito mais difícil ser de esquerda", diz ex-militante de direita

"Ser de direita é muito fácil, afinal tudo se baseia em dizer que tudo é vitimismo, que é a favor da moral, da família tradicional e escrever 'Bolsonaro 2018' nas redes. Ser de esquerda não é fácil. Requer mente aberta, novas formas de pensar, leituras, empatia ao próximo, entre diversas outras coisas"

                                                                       Patrícia Lélis, Revista Fórum

Ser de direita é muito fácil, afinal tudo se baseia em propagar o ódio, dizer que tudo é vitimismo, sair dizendo que é a favor da moral, da família tradicional e dos bons costumes, e claro, escrever “Bolsonaro 2018” nas redes sociais. A direita não passa disso.

Ser de esquerda não é fácil. Requer mente aberta, novas formas de pensar, leituras, aulas de história, empatia ao próximo, entre diversas outras coisas. Dias atrás me peguei pensando em como o ódio é contagioso. E falo por experiência própria. Ao assistir meus antigos vídeos, me deparo com uma Patrícia que, aos 22 anos, contribui para a propagação do fascismo e do ódio a outras mulheres.

Por falar em mulheres, quero citar a querida ex-presidente, Dilma Rousseff. E, para começar a dizer qualquer coisa, tenho que pedir minhas mais sinceras desculpas. Fiz parte e fui cúmplice de um golpe. O Brasil deve um pedido de desculpas a ela.

Quem não se lembra da triste cena no estádio em que milhares de leigos brasileiros gritavam “Dilma, vai tomar no c•”. Ao assistir esse vídeo, hoje, me dói o coração por tamanha falta de respeito, sem falar do machismo. Desculpe-me por ter gritado contra você, e ter me calado perante um golpe.

O mais triste nessa história, com certeza, são as pessoas que ainda hoje, com o atual presidente Temer acabando com os direitos dos trabalhadores, vendendo tudo que temos, colocando a nossa linda e preciosa floresta amazônica em risco, e claro dizendo que mulher entende de economia, porque vai ao supermercado, ainda assim, vão contra o seu governo e, claro, a sua pessoa em particular.

Em pouco tempo na esquerda, aprendi o significado da palavra luta. Aprendo todos os dias que combater o ódio é cansativo, mas necessário. Hoje, eu entendo perfeitamente que você não fazia parte da turma dos piores bandidos, e que muitos ainda o apelidaram de “meu malvado favorito”, apenas por ter tirado de você o poder. Mais do que nunca entendo as razões pelas quais você não era capaz de negociar com Eduardo Cunha e seu congresso.

classe média direitista, que sempre é usada como massa de manobra, preferiu ver o Brasil, mais uma vez, entrar no mapa da fome do que ter uma mulher de esquerda no poder. Querida Dilma, hoje, mais do que nunca, eu entendo como é difícil ser mulher em um mundo que não suporta ver o nosso sucesso, e também entendo o quanto é difícil ser de esquerda em um pais que todos os dias regulariza e banaliza o discurso de ódio.

Eu só posso terminar esse texto dizendo: Que saudades do seu governo.

Leia também:
Patrícia Lélis revela como conheceu e namorou Eduardo Bolsonaro
De conservadora evangélica a feminista, o desabafo de Patrícia Lélis

https://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/08/dificil-ser-esquerda-militante-de-direita.html?utm_source=push&utm_medium=social&utm_campaign=artigos

 

O mundo dos paradoxos

 

O modo de vida e os direitos promovidos pelo liberalismo são consubstanciais a uma formidável extensão dos procedimentos de controle e dos mecanismos de vigilância por parte do Estado.

25 de agosto de 2017 - https://www.publico.pt/2017/08/25/culturaipsilon/noticia/o-mundo-dos-paradoxos-1782985

 

Jean Baudrillard, um sociólogo francês dado à heresia e muito pouco respeitador dos métodos e das fronteiras da sua disciplina, descobriu que naquele tempo em que se começava a usar uma nova categoria historiográfica, a pós-modernidade, as coisas tinham começado a proliferar sem medida e a tender para uma forma extrema, perdendo a sua finalidade imanente. Aquilo que se manifesta na sua “estratégia fatal” e vai para além dos seus fins entra numa lógica que Baudrillard designou com a palavra “hipertelia”. Hipertélica — o exemplo é do próprio Baudrillard — é a documentação que uma empresa americana apresentou na secção de finanças da cidade onde estava sediada, quando lhe foi exigido que justificasse a sua contabilidade: pela manhã, a empresa deixou um camião cheio de papéis à porta da secção de finanças local. Muito útil continua a ser esta ideia de que tudo passou a ser hipertélico, desenvolvendo assim uma nova forma de entropia. Vejamos alguns exemplos:

 

— Um espaço público alargado, acessível a um número cada vez maior de cidadãos, baseado no pressuposto de uma virtual transparência do mundo e anexando zonas cada vez maiores da esfera privada, cria a ilusão de que não há nada para além dele e de que tudo o que é bom aparece e tudo o que aparece é bom. Hipertélico é este excesso de comunicação e de transparência que produz uma falsa consciência iluminada.

— Os mecanismos imunitários (de prevenção e precaução) postos em prática para proteger o bem-estar e a vida dos cidadãos (e é hoje evidente que a política entrou de pleno direito no paradigma imunitário ao assumir a vida, na sua realidade biológica, como o seu objecto e o seu objectivo: é a isto que se chama biopolítica) acabam por ter um efeito de destruição da comunidade. Quem tem hoje mais de 40 anos e olha para trás com os óculos dos tempos de agora, vê-se no passado a atravessar todos os perigos e a correr todos os riscos que na altura eram quase desconhecidos, não porque não existissem, mas porque não estavam categorizados: o perigo dos pedófilos, dos psicopatas, dos assaltantes, dos colegas da escola que praticavam bullying, da própria escola que não tinha portões fechados nem seguranças à porta; o risco de comer bolas de Berlim fora do prazo de validade e não fiscalizadas pela ASAE. Hipertélico é este reino seguro do controle absoluto e da imunidade total. Nele, como já alguém disse, a política da vida, a biopolítica, torna-se uma política da morte, uma tanatopolítica.

— O modo de vida e os direitos promovidos pelo liberalismo são consubstanciais a uma formidável extensão dos procedimentos de controle e dos mecanismos de vigilância por parte do Estado. De tal modo que, entre as inumeráveis mortes que foram sendo decretadas, a morte do liberalismo — enquanto forma de governo e não como doutrina económica — é talvez a mais paradoxal. A morte do liberalismo encontra alguma analogia com esse meio de transporte — o avião — que é hoje um exemplo absurdo de entropia: para uma viagem de duas ou três horas, precisamos — embarque e desembarque incluídos — quase de um dia inteiro desde que saímos do centro de uma cidade para chegar ao centro de outra cidade.

— O capitalismo e a globalização levaram tão longe o alargamento do mundo e a descoberta do exterior que acabaram por o abolir. Esta é, pelo menos, a tese de Peter Sloterdijk, quando introduziu a metáfora arquitectónica de “espaço interior do mundo” para mostrar que quanto mais o capitalismo se universaliza menos lhe interessa o exterior. E o exterior, que é cada vez maior, não é o que está para além: é o que está aqui mas é pobre e miserável.

 

 

MATÉRIA EM DESTAQUE NO F.BOOK 05 SETEMBRO
JC Zeca Barradas - Um belo texto do amigo e colega Eduardo KoitiHita, que merece ser compartilhado... Pediatras que somos, ver crianças morrerem assim é inadmissível....
            DESCULPA ARTHUR

Em meio a insensatez, Arthur nasceu de parto cesáreo emergencial. Sua mãe, grávida de 39 semanas, fora vítima de bala perdida que atingiu seu útero. A 634ª no Rio de Janeiro. O frágil corpo também vitimado pelo projétil, sofreu traumas severos. O óbito ocorreu em 30 dias. O episódio tornou-se emblemático. Não que as outras tantas ocorrências semelhantes sejam menos relevantes, mas porque aqui, a vida se desfez praticamente sem ter nascido. Uma cruel evidência da miséria social em que vivemos. 
No Brasil temos cerca de 60 mil assassinatos por ano. Um assombro. E não há esperança que vá arrefecer. 
O sociólogo Marcos Rolim, em tese de doutorado e agora publicado em livro, investigou as causas da violência extrema analisando dois grupos de jovens da periferia em situações semelhantes. Um vira matador, o outro trabalhador. Dentre as várias causas, dois preponderam: a evasão escolar e a aproximação com grupos armados. Nos que cumpriam pena, todos sem exceção, tinham abandonado a escola e mais da metade tinha contato com grupos que estimulavam os jovens a se tornarem violentos. 
Considerando os índices de evasão escolar, o Brasil é terreno fértil a violência extrema. Pesquisa do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) de 2013, apontou que 1 em cada 4 alunos que iniciam o ensino fundamental no país, abandona a escola antes de completar a última série. 
Em lugares civilizados, o que não é o nosso caso, a educação é reverenciada como uma fonte de bem estar e como tal, o poder público que é coletivo, não se furta em mantê-la em alto nível. Aqui, os três poderes vivem um conchavo particular eterno, que pouco ou nada acrescentam a evolução da nossa sociedade. E dane-se o cidadão.
Arthur e seus pares, aos milhares pelo Brasil afora, são vitimas inocentes de uma perversa armação patrocinada pelo descaso, corrupção, egoísmo, falta de ética e imoralidade. Este conjunto sim, qualidade dos verdadeiros assassinos.
Resta que, se seguisse o curso normal, o pequeno Arthur teria nascido e estaria vivendo. Não sabemos que rumo tomaria sua vida, mas a oportunidade que lhe foi tirada, é um preço alto demais pra ficar no descaso. Não é nada. Talvez um pequeno consolo em meio ao vazio, mas desculpa por ser assim.

MATERIAS EM DESTAQUE 25-27 AGOSTO

24/08/2017 4:30

Como seriam refugiados brasileiros?

Se os sírios são associados equivocadamente ao terrorismo, brasileiros no exterior seriam vistos como traficantes, estupradores e corruptos em caso de guerra civil

Refugiados lutam pela sobrevivência na rota da imigração - MARKO DJURICA / REUTERS

Muitos acham impossível haver guerra civil no Brasil. Também acho. Há, sim, violência urbana, com número de mortos similar ao do conflito na Síria. Mas não é guerra. Se estourasse uma guerra, muitos teriam de fugir para uma outra nação. Algo que nunca imaginamos e para que não nos preparamos. Tentarei fazer um exercício e mostrar como seria para um leitor do GLOBO do Rio ser refugiado.

Se o Brasil estivesse em guerra civil e houvesse milhões de refugiados, não interessaria para ninguém nas fronteiras europeias ou dos EUA que você tem um diploma de Direito ou de Medicina da UFRJ e seu marido ou mulher, um de Economia da PUC-Rio. Não interessaria que você nunca tenha cometido um crime. Você e um bandido seriam a mesma coisa — refugiados. Com o agravante de que tenderiam a generalizá-lo pelo bandido, não pelo médico honesto. Se os sírios são equivocadamente associados ao terrorismo, tenha certeza de que brasileiros seriam associados, na Europa e nos EUA, a assassinos, traficantes de drogas, estupradores e corruptos em caso de guerra civil.

“Brasileirofóbicos”, como seriam conhecidos os membros de movimentos contrários aos refugiados da suposta guerra civil brasileira, diriam que no Brasil morrem cerca de 60 mil pessoas assassinadas todos os anos. Mais do que em todo o Oriente Médio somado, tirando a Síria. Mais do que dez vezes o total de homicídios na União Europeia. Acrescentariam que a cada dia ocorrem dez estupros coletivos no Brasil. Falariam que partes das cidades brasileiras são controladas por organizações de narcotraficantes que queimam pessoas vivas. Diriam que crianças andam com fuzis em favelas. Contariam casos de decapitações em conflitos de gangues. Lembrariam que mais policiais foram mortos no Rio de Janeiro em seis meses do que o total de pessoas assassinadas em Londres ao longo de todo um ano. Descreveriam histórias de estrangeiros esfaqueados quando andavam de bicicleta na Lagoa Rodrigo de Freitas. Relatariam os arrastões no Leblon. Citariam os escândalos bilionários de corrupção.

Não se importariam que você estaria fugindo exatamente de assassinos, de traficantes e de estupradores. Sequer ouviriam que talvez você tenha tido um irmão assassinado ou uma filha estuprada. Os “brasileirofóbicos teriam medo de que você assassinasse os irmãos deles ou estuprasse as filhas. Como refugiado, você teria, ao conseguir refúgio em algum país da Europa, de ouvir gritos de “brasileiro assassino, traficante e estuprador, volte para a sua terra, nós não te queremos aqui!”. Saberia do risco de ser agredido por vender pão de queijo e coxinha como ambulante e ter o nome de José. Afinal, “são comidas brasileiras vendidas por um homem com nome brasileiro”. Logo, na visão dos brasileirofóbicos, deve ser “traficante, assassino, estuprador e corrupto”.

Todas as suas memórias não valeriam nada. Um europeu brasileirofóbico não estaria nem um pouco interessado em ouvir as músicas do Tom Jobim, em saber como era bom o banho de mar em Ipanema, de como foi o título brasileiro do Flamengo de 1992 no Maracanã lotado, de como a Portela merecia ter vencido o último carnaval e de como faz falta comer uma feijoada em um sábado de outono no Leblon. Dane-se que o Neymar é brasileiro. Zidane é muçulmano e ninguém está nem aí. Você não é o Neymar. O brasileirofóbico o xingaria em sueco, húngaro e grego caso você pedisse informação sobre onde se vende leite para o seu filho de 2 anos. Insisto, para ele, você seria apenas alguém que levaria a violência do Brasil para o país dele. Você, seus pais, seus filhos, seus irmãos e todos seus amigos de infância seriam potenciais criminosos. E, lógico, quando um bandido brasileiro assaltasse e matasse uma idosa em Paris, você seria o culpado. Afinal, assassinato é da “cultura brasileira”. Por que você não condenou? O assassino é brasileiro, como você. Se não tivesse “refugiados brasileiros” na Europa, diriam os brasileirofóbicos, “muitas meninas não seriam estupradas em Berlim ou Turim”.

A camisa amarela da seleção brasileira, o arroz com feijão, o hino do Botafogo, a pulseira do Bonfim e a sunga na praia seriam associados a uma cultura de “assassinos”. Você teria de falar português baixo para não assustar a mesa ao lado no restaurante em Amsterdã. E, se você abrisse O GLOBO no iPad no metrô de Paris, ao ver que o jornal era brasileiro, o francês ao seu lado no metrô em Londres se levantaria com medo de ser assaltado.



Leia mais: https://oglobo.globo.com/mundo/como-seriam-refugiados-brasileiros-21740441#ixzz4qqaGxCMs 
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                   A estranha geração dos adultos mimados

  •                                                                     Ruth Manus -19/8/2017 

 https://oglobo.globo.com/mundo/como-seriam-refugiados-brasileiros-21740441#ixzz4qfsglBYW

http://observador.pt/opiniao/a-estranha-geracao-dos-adultos-mimados/ 

O fato de termos sido criados com cuidado e afeto pelos nossos pais, começou a confundir-se com uma espécie de sensação de que todos devem nos tratar como eles nos trataram.

Tudo começou com uma colega minha de estágio, há mais de 10 anos, que pediu demissão por acreditar que “não foi criada para ficar carregando papel”. Sim, carregar papel fazia parte das nossas tarefas, enquanto ajudávamos o juiz e os demais servidores públicos com os processos do Tribunal. Acompanhávamos audiências, ajudávamos com os despachos e, sim, carregávamos papéis entre o segundo e o quarto andar do edifício.

Os pais da menina convenceram-na de que ela era boa demais para aquilo. Não importava que nós fôssemos meninas de 19 anos, no segundo ano da faculdade, sem qualquer experiência, buscando aprender alguma coisa e ganhar uns poucos reais para comer hamburguer nos finais de semana. Ela, que tinha a certeza de ser uma joia rara, foi embora, deixando sua vaga vazia no meio do semestre e sobrecarregando todos os demais, inclusive eu, sem nem se constranger com isso.

O tempo passou e, quando eu já era advogada, tive um estagiário de vinte e poucos anos que, três meses depois de ser contratado, solicitou dois meses de férias. Eu nem sequer entendi o pedido. Perguntei se ele estava doente ou se havia algum outro problema grave. Ele me respondeu que não, que simplesmente tinha decidido ir para a Califórnia passar dezembro e janeiro, pois a irmã estava morando lá e ele tinha casa de graça. Eu mal podia acreditar no que estava ouvindo. Deixei ele ir e pedi que não voltasse mais.

Alguns anos depois, ouvi um grande amigo me dizer que iria divorciar-se. Ele havia casado fazia menos de um ano, com direito a uma imensa festa, custeada pelos pais dos noivos. Mais uma vez perguntei se algo de grave tinha ocorrido. Ele me respondeu que “não estava dando certo”, discorrendo sobre problemas como “brigamos por causa da louça na pia”, “não tenho mais tempo para sair com meus amigos” e “acho que ainda tenho muito para curtir”. Me segurei para não dar um safanão na cabeça dele. Aos 34 anos ele falava como um garoto mimado de 16. Tentava explicar isso para ele, mas era como conversar com a parede.

Agora foi a vez de uma amiga minha, com seus quase 30 anos, que me disse que iria pedir demissão pois fora muito desrespeitada no trabalho. Como sou advogada trabalhista, logo me assustei, imaginando uma situação de assédio moral ou sexual. Foi quando ela explicou: meu chefe fez um comentário extremamente grosseiro no meu facebook. Suspirei e perguntei o que era, exatamente. Ela disse que postou uma foto na praia, num fim de tarde de quarta-feira, depois do expediente, e o chefe comentou “Espero que não esqueça que tem um prazo para me entregar amanhã cedo”. E isso foi suficiente para ela se sentir mal a ponto de querer pedir demissão de um bom emprego.

Eu não sei bem o que acontece com a minha geração. O fato de termos sido criados com cuidado e afeto pelos nossos pais, começou a confundir-se com uma espécie de sensação de que todos devem nos tratar como eles nos trataram. O chefe, o colega, o marido, a mulher, os amigos, ninguém pode nos tratar de igual para igual e muito menos numa hierarquia descendente. Se não for tratado a pão de ló, este jovem adulto surta, se julga injustiçado e vai embora.

Acho que o mundo evoluiu e as situações nas quais se tratava alguém com desrespeito são cada vez menos toleráveis, o que é ótimo. Também é ótimo o fato de sermos uma geração que busca felicidade e não apenas estabilidade financeira. É bom termos a coragem de mudar de carreira, de recomeçar, de priorizar as viagens e não a casa própria.

Mas nada disso justifica que a minha geração tenha comportamentos tão egoístas, agindo como verdadeiras crianças mimadas. E o grande perigo é que essas crianças mimadas têm belos diplomas e começam a ocupar cargos importantes nas empresas e no setor público. Vamos nos tornar um perigoso jardim de infância, no qual quem manda não pode ser contrariado e quem obedece também não. Isso não será uma tarefa fácil.

MATERIAS EM DESTAQUE NO MEU F.BOOK Agosto 24
 
1.  Lenda Tariana estava  se sentindo orgulhosa com Tatiana Valls  

Orgulho dessa equipe, orgulho desse escritório! Parabéns Amaury Nunes!

"Por unanimidade, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter a condenação do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, do plano de saúde Cassi e de dois anestesistas ao pagamento solidário de pensão vitalícia e de indenização por danos morais a uma paciente que ficou em estado vegetativo após receber anestesia em procedimento cirúrgico. A indenização também foi estendida às filhas da paciente".

http://www.stj.jus.br/…/STJ-mantém-indenização-a-paciente-q…

 
2. Marco Antonio Carvalho Teixeira . · São Paulo, Brasil · 

Reforma política cria candidato três (3) em (1) um. Em 2022, se vier o distrital misto, a proposta é que o mesmo candidato possa concorrer pelo distrito, pelo voto proporcional e um cargo no Executivo. Se vingar a reserva de mercado estará efetivada. Fonte: O Globo.

 
  1. Distorções no FIES

Mais da metade dos alunos oriundos do FIES concluíram  três cursos: Direito, Licenciatura e Administração, sendo que 1/3 neste último curso.

4. Isabel Pacheco - FBook

A proposta sem vergonha que a Câmara vai aprovar a toque de caixa libera o telemarketing eleitoral das 9 às 20h. Atenção, congressistas: EU NÃO AUTORIZO. Entenderam?

 
  1. Eudir Alberto Meirelles Nunes

Os aspectos principais em um ser humano, não são a beleza física, a posição social ou uma falsa delicadeza. Para sermos melhores, não precisamos camuflar ou aparentar o que não somos, mas, perceber o EU, crescer por dentro e sentir-se mais como “ser” e não como “ter”! Boa noite!

 

  1. Irineu Tamanini indaga_

Duas conversas reveladas na mídia de hoje. Cada um que faça a sua avaliação:

'Não quero perder meus dois filhos', diz Said Oukabir pai dos irmãos suspeitos de ataque em Barcelona que deixaram 14 mortos e mais de 120 feridos.

Conversa por whatsapp do empresário Jacob Barata Filho, chamado de rei do ônibus no Rio, em conversa com a sua filha Ana: Bia (Beatriz Perissé Barata) é que não está bem, vamos precisar apoiar pois está revivendo aquela manifestação do casamento achando que o mundo vai acabar, que vão bloquear todos os nossos recursos e das empresas e que ela vai ficar pobre

 
7. Eduardo Dutra Aydos compartilhou a publicação de Eduardo Graeff. - Face · 

JÁ ESTOU FORA, aliás, há muito tempo, mas como observador atento, penso que o caso PSDB é sintomático dos estertores do nosso sistema partidário. Matéria para um teoria política que o gênio da lâmpada talvez ainda possa postular, ao modismo dos tempos, como a teoria do presidencialismo-zumbi. Não sou vidente para prever o que virá na esteira dessa erosão profunda, mas tenho certeza que, se não houver uma reformulação drástica, profunda e consistente das nossas instituições políticas, não haverá espaço para a ruptura do ciclo vicioso em que elas se encontram atoladas.

 
8. Renato Janine Ribeiro - 3 min · São Paulo, Brasil · 

Roteiro para uma pesquisa essencial de História: saber como se montou o impeachment. Isso até agora não saiu.
Especificamente:
1) Em que momento Michel Temer decidiu que queria ser presidente? Foi antes de sua declaração (ago/2015) de que alguém precisava unificar o País? O que o levou a tomar essa decisão?
2) Quais grupos se formaram para articular o impeachment? Devem ter sido vários. Os principais protagonistas devem ter ficado longe das articulações, para não se exporem. Como isso se fez? (Único depoimento que conheço, o do deputado Heráclio Fortes, que disse que se reuniram durante um ano em sua casa vários articuladores).
3) Que tentativas houve de negociação entre PT e PSDB para evitar o impeachment? Quem quis negociar, quem não quis? Quais condições foram apresentadas de parte a parte?

Nada disso é para insultar ou xingar. São questões que precisarão ser apuradas para se fazer a história desse momento tão difícil do País.

 
9. Isabel Pacheco

Em vez de conciliar e unir forças, permanecemos estáticos, transferindo uns para os outros a responsabilidade pela chegada de Temer à presidência da República. A rivalidade e o extremismo não deixam perceber que, por inanição, todos se tornam responsáveis pelo avanço acelerado da degradação generalizada que atravessamos. No dia de hoje, Temer entregou para mineração uma imensa área da Amazônia com extensão equivalente ao Espírito Santo. Parte da Amazônia foi, hoje, condenada à morte, mas ningúem se importa. As pessoas que duelam não se dão conta que, também hoje, mais um pedido de investigação de Temer, este protocolado pela OAB, foi defenestrado por Alexadre de Moraes, ministro do STF e do presidente. Não se importam que mais de 50 empresas públicas (até a Casa da Moeda) tenham sido incluídas, de forma atabalhoada, na lista de privatizações. Fase de liquidação. E não estão nem aí para a reforma eleitoral que os congressistas se apressam em remendar apenas para assegurar a reeleição. Todos esses senhores encastelados nos três poderes da República estão comprometidos com o curto prazo e o próprio futuro. Nada mais. E nós, vítimas dessa volúpia, permanecemos deitados em berço que nada tem de esplêndido. Não haverá reação nem se GM libertar Sergio Cabral. Mas quando Lula se tornar inelegível, talvez saiam da letargia para destilar o ódio uns contra os outros. O futuro ... ao centrão pertence.

 
  1. Renato Janine Ribeiro :Liberado o câncer

 Segundo o UOL, já está definido o resultado. Para barrar o amianto, seriam necessários seis votos contra ele. Haverá, no máximo, cinco. O câncer está liberado

STF suspende julgamento sem votos para barrar amianto no país

Com quatro votos a favor da lei federal que permite a…

https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2017/08/23/stf-analisa-possivel-proibicao-do-amianto-no-brasil.htm
MATERIAS EM DESTAQUE Agosto, 21.23

Porquê uma Comissão Mundial sobre o Futuro do Trabalho?

http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/convidados/interior/porque-uma-comissao-mundial-sobre-o-futuro-do-trabalho-8717789.html

Ameenah Gurib-Fakim é Presidente da República da Maurícia

Stefan Löfven é primeiro-ministro da Suécia

Acreditamos que o trabalho é a base do desenvolvimento de pessoas e sociedades. Quando fonte de rendimento digno, o trabalho prepara o caminho para o progresso social e económico, fortalecendo pessoas, respetivas famílias e comunidades.

A tecnologia, a demografia, as alterações climáticas e a globalização estão a transformar o trabalho com uma rapidez, uma profundidade e um alcance sem precedentes. Estas mudanças possuem enorme potencial mas encerram igualmente muitas incertezas sobre o futuro do trabalho. O receio de que uns beneficiem em grande medida com estas alterações e outros não converteu-se numa preocupação central, sobretudo num contexto em que muitos países enfrentam taxas de desemprego elevadas.

Se muitas pessoas se sentirem esquecidas e se as nossas sociedades já não forem capazes de introduzir mudanças positivas, será forte a probabilidade de forças disruptivas poderem prejudicar o crescimento e desestabilizar a harmonia social e política. Na verdade, a tendência atual de transição para um pensamento populista representa um dos principais desafios do nosso tempo.

Neste sentido, urge encorajar o potencial de criação de emprego resultante da transição para a sustentabilidade ambiental e para um sistema de comércio mundial justo e aberto, fundado em sólidos valores como direitos, liberdade e solidariedade. A globalização deve beneficiar todas as pessoas. Apenas quem se sente seguro na situação atual pode estar aberto a um futuro incerto.

Em vez de adotarmos uma abordagem de esperar para ver, temos de refletir seriamente sobre o futuro do trabalho que desejamos e como lá chegar. O futuro não está predefinido podendo ser influenciado pelas opções societais e políticas que adotarmos.

Com o objetivo de gerar ideias e soluções para abordar estes desafios fundamentais relacionados com o trabalho, aceitámos copresidir à nova Comissão Mundial sobre o Futuro do Trabalho, apresentada hoje pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Esta comissão, que integra a Iniciativa do Centenário da OIT sobre o Futuro do Trabalho, reúne eminentes pensadores e profissionais de todo o mundo. A comissão apresentará as suas recomendações aos Estados membros da OIT em 2019.

Esta iniciativa constitui sem dúvida um verdadeiro esforço global - mais de cem países organizaram diálogos nacionais tripartidos entre governos, empregadores e trabalhadores, a fim de refletirem sobre que abordagens permitirão fazer face aos desafios futuros no mercado de trabalho. A contribuição da comissão será igualmente um elemento importante no acompanhamento da emblemática Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Em particular, o objetivo 8 da agenda visa promover o crescimento económico inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho digno para todos.

Durante quase um século, a OIT contribuiu significativamente para tornar o mundo do trabalho um mundo melhor. Para o conseguir, reuniu representantes de governos, trabalhadores e empregadores na prossecução da justiça social.

Reconhecendo que a criação do futuro do trabalho está nas nossas mãos, não resultando da imposição de forças que não podemos controlar, estamos convictos de que o futuro nos reserva uma mensagem poderosa de esperança. Estamos empenhados em conduzir esta comissão mundial neste espírito, priorizando soluções concretas, aconselhamento sobre políticas e boas práticas, com o objetivo de garantir que o futuro do trabalho inclua todas as pessoas.

Ameenah Gurib-Fakim é Presidente da República da Maurícia

Stefan Löfven é primeiro-ministro da Suécia

 

Nas entrelinhas: A memética da Lava-Jato

http://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/nas-entrelinhas-memetica-da-lava-jato/

Publicado em 20/08/2017 - 07:24 Luiz Carlos AzedoCultura

Os fatos revelados pela Operação Lava-Jato são tão surpreendentes que parecem fugir à lógica do instinto de sobrevivência dos políticos. É como se uma epidemia tivesse tomado conta dos partidos

Para quem gosta de analogias para explicar o que está acontecendo no mundo da política, o livro Sapiens, uma breve história da humanidade, do israelense Yuval Noah Harari (L&PM), é um prato cheio. Uma das pérolas do livro é a referência à tese neodarwiniana de que, além dos genes replicadores das espécies responsáveis pela evolução orgânica da Terra, existiria um replicador responsável pela transmissão de informações culturais de uma geração para a outra: os “memes”.

Com base nela, alguns estudiosos já tratam a cultura como uma espécie de epidemia infecciosa, provocada por um parasita mental, sendo os homens seus hospedeiros voluntários. Harari entra nessa seara para explicar o que poderíamos classificar de “pós-fim da história”. Explico: quando acabou a União Soviética e o Leste europeu derivou de volta ao capitalismo, graças a um artigo de Francis Fukuyama (célebre economista e filósofo americano de origem japonesa, que foi um dos ideólogos de Ronald Reagan), que depois virou livro, a velha tese do “fim da História” de Hegel ressurgiu das cinzas. Harari vai além: defende que a História não é feita pelos e para os humanos.

Segundo ele, não há provas disso. O fio condutor do seu livro é a saga de uma das seis espécies de humanos que habitavam a Terra há 100 mil anos, os sapiens, que exterminaram os neandertais. Mas, entretanto, a História não atuaria em prol dos humanos. Ela não seria fruto de decisões de seus governantes e líderes, mas dos tais “memes”: “Os parasitas orgânicos, como os vírus, vivem dentro do corpo de seus hospedeiros. Eles se multiplicam e se espalham de um hospedeiro a outro, alimentando-se deles, enfraquecendo-os e, às vezes, até os matando. Contanto que os hospedeiros vivam o bastante para transmitir o parasita, este pouco se importa com a condição em que o seu hospedeiro se encontra”. Da mesma forma, as ideias culturais viveriam dentro da mente dos humanos. “Elas se multiplicam e se disseminam de um hospedeiro a outro, às vezes enfraquecendo os hospedeiros e até mesmo os matando.”

A tese exposta por Harari é perturbadora e nos remete aos conflitos religiosos e raciais e à crise humanitária do Mediterrâneo, berço da nossa civilização. Desde o fatídico 11 de setembro de 2001, dia do atentado às Torres Gêmeas de Nova York, as cidades mais cosmopolitas do mundo deixaram de ser lugares seguros para morar, trabalhar e visitar. “Uma ideia cultural — tal como a crença no paraíso cristão nos céus ou no paraíso comunista aqui na Terra — pode forçar um ser humano a dedicar sua vida a espalhá-la, às vezes tendo a morte como preço. O humano morre, mas a ideia se espalha.”

Narrativas
A memética é uma polêmica abordagem antropológica: “Culturas bem-sucedidas são aquelas que se sobressaem ao reproduzir seus memes, independentemente dos custos e benefícios aos hospedeiros humanos. Essa forma de abordagem é tratada como um amadorismo pela academia, que considera essa analogia muito tacanha. Mas, com a mais fina ironia, Harari situa o pós-modernismo acadêmico como uma espécie de irmão gêmeo da memética, pois seus defensores falam que os discursos, como os blocos construtores de cultura, também se propagam sozinhos. O nacionalismo e a guerra seriam frutos desse fenômeno. A pós-verdade estaria ainda mais associada ainda aos “memes” com suas “narrativas”.

Mas o que isso tem a ver com a crise ética, política e econômica que estamos vivendo? Ora, muita coisa. Os fatos revelados pela Operação Lava-Jato são tão surpreendentes que parecem fugir à lógica do instinto de sobrevivência dos políticos. É como se uma epidemia tivesse tomado conta dos partidos. Além da reprodução biológica facilmente constatável pelos velhos sobrenomes de batismo das oligarquias — a genealogia começa no Casa grande & senzala, de Gilberto Freyre —, a cultura do desvio de dinheiro público e do caixa dois tornou-se tão dominante na política que os investigados na Operação Lava-Jato, mesmo sabendo das quebras de sigilo bancário, das escutas telefônicas, das buscas e apreensões e prisões, não conseguem viver sem maços de dinheiro vivo guardados nos armários, caixas de joias, viagens de jatinho e contas bancárias milionárias.

A Operação Lava-Jato desencadeou uma espécie de guerra de “memes” entre políticos, magistrados, promotores, delegados, auditores e advogados, no qual duas grandes correntes se digladiam, uma quer nos livrar dos “memes” da corrupção, outra tenta nos salvar dos “memes” do autoritarismo. E bilhões de reais deixam de ser gastos em saúde e educação. Outra vez, a tese do Harari: a História não leva em conta a vida dos indivíduos. Bom domingo!

 

QUERO SER FELIZ (06/12/2010) . José Pedro Mattos Conceição

Confesso que tenho alguma restrição ao lema do “quero ser feliz” das gerações mais novas. Significa algo, tipo assim, "vim para curtir e o resto que se dane". A partir dessa ideia-força, muitos valores seculares referentes à família e à sociedade debilitaram-se e os compromissos éticos tradicionais transmudaram-se em regrinhas formais e anêmicas, que limitaram muito pouco, quando limitaram. Todos nascem para a felicidade, assim como para trabalhar, lutar, amar, gerar filhos, comer, beber, dormir, respirar e, por fim, morrer. A ênfase egocêntrica do lema é que me deixa intrigado, especialmente nestes tempos de lazer desenfreado e de consumo. Penso nos reflexos dessa ideologia entre os favelados das grandes cidades ou miseráveis do sertão. Penso nos povos desvalidos da África, nos guerrilheiros idealistas, nos perseguidos, nos doentes e, sobretudo, nos que têm uma grande causa. Penso nas gerações vitimadas pelas grandes guerras, que nos legaram o fruto da sua resistência; penso nos missionários, líderes e profetas, que se entregaram a lutas impossíveis, com sacrifício pessoal. Todos devem ser felizes, mas a felicidade é decorrência de uma vida construtiva e responsável. É possível, mas não provável, alguém ser feliz sem compromisso de qualquer ordem, circulando a toa em busca apenas do sentir-se bem. Afinal, obedecer é ruim, ceder, cumprir horários também, trabalhar e receber aquém do produzido é péssimo e a injustiça, tanto quanto a ingratidão, machuca, mas nada é capaz de desviar o caminho de quem cultiva metas e objetivos. Os mais velhos têm alguma culpa por terem sido, quem sabe, um tanto permissivos ou desatentos com relação à mudança dos usos e costumes. Os que fizeram a História, num ou noutro momento, renunciaram a um grande amor, à glória efêmera ou à fortuna, tudo por um ideal maior. Não somos heróis e nem queremos governar o mundo, mas, em nosso pequeno universo, temos certamente desafios, deveres e sacrifícios a fazer para construir uma vida razoável, individualmente e para os que nos são caros, com ética e esforço. Ora, também quero ser feliz, mas, antes de desejar o baile, o bom vinho e o beijo, tenho de arar o meu terreno, erguer com as próprias mãos as trincheiras para defender a mim e aos meus e, se possível, ajudar os vizinhos que necessitem de algum apoio. Também preciso cuidar do futuro, independentemente de ter 30 ou 70 anos. O baile acaba, o beijo é emoção fugaz, mas a minha história significa um passo na evolução do homem, um pequeno exemplo de coerência e sensatez, e isto me torna mais feliz e mais útil à sociedade.

  

As 8 virtudes das pessoas cultas, segundo Tchekhov

 Revista Pazes - http://www.revistapazes.com/as-8-virtudes-das-pessoas-cultas-segundo-tchekhov/ -

  

 Anton Tchekhov foi um dos maiores escritores da literatura russa. Seus contos, em particular, marcaram um antes e um depois em todos os países ocidentais. Sua maior virtude foi dar relevância ao comportamento dos seus personagens e à interação entre eles, no lugar do argumento da história em si.

Era, portanto, um grande observador do comportamento humano. Tinha a capacidade de capturar uma atmosfera com absoluto realismo e destacar esses detalhes que para outros autores passariam despercebidos. Sua intenção não era moralista, mas ainda assim, dentro do seu legado encontra-se uma carta que dirigiu ao seu irmão mais velho onde indicava uma série de conselhos.

A carta foi escrita durante uma de suas estadias em Moscou, e nela Tchekhov compila o que considera as características das pessoas verdadeiramente cultas. É também um texto que serve de orientação e guia sobre as virtudes mais elevadas do ser humano. Em seguida, mostraremos quais são esses conselhos e compartilharemos algumas partes do seu texto.

1 – A bondade, umas das virtudes valorizadas por Tchekhov

Para Tchekhov, as pessoas verdadeiramente cultas: “Respeitam a personalidade humana e, por isso, são sempre amáveis, gentis, educadas e dispostas a ceder diante dos outros. […] Se vivem com alguém que não consideram favorável e o deixam, não dizem “ninguém poderia viver com você”.

Uma característica distinta da cultura elevada é a consideração no trato com as outras pessoas. Por maiores que sejam as diferenças entre as pessoas, isso não é desculpa para iniciar um conflito ou incorrer em maus-tratos. Na verdade, é prudente evitar o conflito e se afastar no caso das contradições serem irreconhecíveis.

2 – Empatia com aqueles que sofrem

Tchekhov afirmava que as pessoas cultas: “Têm simpatia não apenas pelos mendigos e pelos gatos. Os seus corações doem por aquilo que seus olhos não veem”. Isso significa que são altamente sensíveis ao sofrimento dos outros, inclusive se não o expressam.

Um alto nível de cultura quer dizer um alto nível de compreensão pelas pessoas que sofrem. Inclusive a palavra “cultura” deriva do latim “cultus” e significa “cultivo do espírito humano”. Uma pessoa cultivada não é indiferente às dores dos seus semelhantes.

3 – Capricho na economia

A respeito dos bens materiais, Tchekhov afirma que as pessoas cultas “Respeitam a propriedade dos outros e, consequentemente, pagam suas dívidas”. No começo, adquirir uma dívida presume um pacto de boa fé. Uma pessoa empresta dinheiro a outra com a expectativa de que seja devolvido nas condições e no tempo acordado.

A forma como uma pessoa manuseia suas dívidas revela muito sobre sua personalidade. Adquirem-se como uma exceção e em função de uma necessidade real e são pagas religiosamente, porque no fundo o que está em jogo é a palavra.

4 – Rejeição às mentiras e ao fingimento

Sobre a mentira e o fingimento, as pessoas verdadeiramente cultas, segundo Tchekhov, possuem as seguintes características: “São sinceras e temem a mentira como ao fogo. Não mentem inclusive nas pequenas coisas. Uma mentira significa insultar quem a escuta e colocá-lo numa posição mais baixa aos olhos de quem fala.”

Não aparentam: comportam-se na rua como em casa e não julgam os seus amigos mais humildes. Não são suscetíveis ao burburinho, nem obrigam os outros a confidências impertinentes. Por respeito aos ouvidos dos outros, calam-se mais frequentemente do que falam.

As mentiras e o fingimento são uma forma de fraude com outras pessoas. A sinceridade, por seu lado, é uma maneira de expressar respeito pelo outro. A autenticidade, por sua vez, é um sinal de valorização própria e de dignidade. Mesmo assim, os rumores e a fofoca não devem estar na agenda de alguém culto, pois essas atitudes são uma forma de diminuir os outros.

5 – Rejeição ao vitimismo

Para Tchékhov, uma pessoa culta se afasta de comportamentos vitimistas, que também são uma face do engano. Com respeito a isso ele afirma: “Não se menosprezam por despertar compaixão. Não apertam o cordão do coração dos outros para que eles reclamem e façam algo (ou muitas coisas) por eles.”

Semear compaixão nos outros pode trazer alguns benefícios visíveis imediatamente. Mas, a longo prazo, revela-se como uma estratégia errada, que reflete apenas o pouco respeito que se tem por si mesmo e que alimenta a desconfiança nos outros.

6 – Rejeição à vaidade e a presunção

Tchekhov chama a atenção daqueles enganos que aparecem quando uma pessoa tem mais dinheiro ou poder que os outros. Sobre esse ponto, afirma: “Não têm vaidade supérflua. […] Se ganham uns centavos, não se pavoneam como se valessem centenas de rublos, e não ostentam o poder frequentar lugares onde outros não são aceitos”.

Deixar que aflore um sentimento de superioridade, por razões tão passageiras e arriscadas como o dinheiro ou os privilégios sociais, é apenas uma amostra de uma evolução pobre. Esse tipo de pessoa dá mais valor ao ter do que ao ser e depende inteiramente de fatores externos para valorizar a si mesmo.

7 – Respeito pelo talento próprio

Cada pessoa no mundo tem um talento próprio. Boa parte da tarefa na vida reside em descobri-lo e cultivá-lo. Tchekhov afirmava que quem é culto: “Se têm um talento, o respeitam. Sacrificam o descanso, as mulheres, o vinho, a vaidade […] Sentem-se orgulhosos do seu talento”.

O talento é um dos grandes tesouros do ser humano. Não é preciso ser um artista célebre, nem um negociante de sucesso para dizer que possui um talento. Às vezes esse dom está nas coisas pequenas, como saber apreciar os outros ou ter facilidade para compreender ou ajudar. Quando se descobre o talento próprio, é necessário conferir-lhe um valor máximo e lutar para desenvolvê-lo.

8 – Controle e delicadeza em ações

Tchekhov afirmava que quem é culto: “Desenvolve para si a intuição estética […] Pretendem tanto quanto for possível conter e enobrecer o instinto sexual. […] Querem, especialmente se são artistas, frescura, elegância, humanidade e capacidade de maternidade. […] Não bebem vodka a todo momento, dia e noite, não cheiram os armários porque não são porcos e sabem que não são”.

Essas declarações são um chamado ao controle e uma voz de rejeição diante dos excessos físicos e biológicos. Os seres humanos não são organismos, mas sim pessoas que podem e devem dar sentido ao que fazem, inclusive às ações mais básicas.

 

***
MATÉRIA EM DESTAQUE NO MEU FACE Agosto 16.21 
 
1. Salo de Carvalho - · Rio de Janeiro, Brasil · 

Questão aos meus amigos petistas que recentemente descobriram que o sistema penal é seletivo: se o TRF4, em decisão pouco provável, reformar a sentença de Moro e absolver Lula, o Estado Democrático de Direito estaria recomposto?  Detalhe: a reversão da decisão de Moro é pouco provável. Pelo contrário, do que tenho estudado, analisando inúmeras sentenças da Lava Jato, em primeiro e segundo graus de jurisdição (e não apenas a decisão contra o ex-Presidente), a tendência é a de que o Tribunal não apenas mantenha a condenação, mas, aderindo ao apelo do MPF, aumente a pena aplicada.

 

  1. Assunto:Re: Loucura do Império aproxima Rússia e Alemanha [29/7/2017, Pepe Escobar, SputnikNews (traduzido) -  Tania Jamardo Faillace – P.Alegre

 

Vocês têm o costume de acreditar na democracia norteamericana e na pureza de seu presidencialismo.

 

Isso pode ter existido na geração de George Washington, mas no auge do desenvolvimento capitalista nos EUA (após a corrida do ouro, o abolicionismo de Lincoln, etc.) as instituições formais e o governo norte-americano sempre foi dirigido pelo Poder Econômico - como é de regra no mundo capitalista. Nos EUA, essa ingerência chegou ao ponto de formar o Estado Profundo, ou Deep State, cujo poder veio crescendo nos últimos vinte anos, em sintonia com o projeto do Governo Mundial e o Globalismo. Desde há várias gestões, é o Deep State que governa os EUA, usando o Partido Democrata como anteparo. 

 

Ao perder as últimas eleições, o Deep State (estreitamente ligado ao poder industrial-militar) perderam sua sutileza original, e "apelaram", apressando o processo que deve eliminar a política representativa não só daquele país, como do mundo ocidental em geral.

A pressa e a fúria é tanta, que também perderam a mão e o estilo em sua agressão contra a Venezuela, que nem mais procurar disfarçar ou justificar.

 

Chegou ao ponto de espalharem entre a direita não-hegemônica, que é a Russia que quer invadir a América do Sul, e até o Brasil!

 

O negócio está complicado, porque os brasileiros de nada sabem, pouco se importam, e aceitam tudo que a Rede Globo mana aceitar e acreditar. Têm c..., mas não têm c...lhões.

 

  1. Henrique Abel: Universidades privadas despedindo professores a rodo.

Universidades federais agonizando com falta de verbas.

Universidade Estadual do Rio de Janeiro encerrando o ano letivo de 2017 em pleno agosto, pois não paga professores há três meses.

Enquanto isso, o governo federal protagoniza a campanha de corrupção mais vasta, descarada e assumida da história da República, utilizando abertamente a máquina pública e recursos públicos para comprar apoio de congressistas e salvar o mandato criminoso do Não-Eleito, que ostenta o maior índice de rejeição popular já registrado no país.

Realmente, eu não sei como conseguem dormir à noite as pessoas que militaram pela ascensão de Temer à presidência com palavras de ordem do tipo "queremos mais educação"..

 

 

 

4. Pablo Ortellado

 

Nenhum ator importante quer o "Fora Temer". A direita diz que o "Fora Temer" é na verdade o "Volta Lula", mas a esquerda lulista diz que o "Fora Temer" não é estratégico e que o melhor, por ora, é o "Fica Temer" para preparar em 2018 o "Volta Lula". O problema é que 65% dos brasileiros querem que Temer saia. Por isso, à esquerda e à direita, todos fingem que também querem que Temer saia, mas, na prática, fazem corpo mole para que fique. Por isso, amanhã, ele vai ficar.

 

 

5.Este depoimento sobre a resistência negra é o momento mais emocionante da Flip

"Eu trabalhei duro desde os cinco anos. Sou neta de escravos. Aparentemente a gente teve uma libertação que não existe até hoje."

http://huffp.st/zbCTDB2  

6. Cesar Benjamin – Rio de Janeiro

Em continuidade ao meu post anterior sobre a profunda crise financeira da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Sejamos francos: o sistema político brasileiro faliu. Mantém aparências democráticas, mas há bastante tempo deixou de ser funcional às necessidades do país. Nenhum consórcio entre os partidos atuais resolverá a nossa crise.

A Nova República, inaugurada com a Constituição de 1988, acabou. Será preciso nova ruptura. Não me perguntem quando e como ela virá, nem se será bem comportada e positiva. Mas virá.

Se não vier, a alternativa é o afundamento da sociedade brasileira na barbárie cotidiana, sem horizontes e sem perspectivas. Este é o pior cenário, o cenário de uma rendição.

As sociedades são construções humanas. Como tal, surgem e se desenvolvem, mas também decaem e desaparecem. É nisso que ando pensando.

* * *

Em tempo: comecei a escrever este post sem pretender adicionar nada. Mas adiciono agora uma fala minha, feita de improviso em 2006. Foi transcrita e ficou sem título. Defendo ali que o Brasil estava se transformando no que chamei de "sociedade de vontade fraca" -- e que sociedades assim saem da história.

Isso foi durante o primeiro mandato do ex-presidente Lula. Meu amigo Marco Aurélio Garcia, recentemente falecido, estava na mesa, representando o PT. Ficou tão aborrecido que saiu sem me cumprimentar, ostensivamente. Nunca mais nos falamos. A fala está no link.

  http://www.contrapontoeditora.com.br/…/200711121837500

 

7,Cristovam Buarque

 

A situação fiscal que pesa hoje sobre as universidades não existiria se os governos anteriores não tivessem sido tão irresponsáveis com as contas públicas: só com a Copa do Mundo e as Olimpíadas foram gastos R$ 40 bilhões, o equivalente a 60 meses do então Ministério de Ciência e Tecnologia e a 150% dos gastos com as universidades federais.

Meu artigo publicado no Correio Braziliense de hoje: bit.ly/2tXg4Xf

 

8.MINICONTO

Janny Padilha Machado para APOIO para Brasileiros em Portugal

Estou muito irritada! 😡 😡 😡

Como existe gente sem noção!!! Porra!!! Eu fui esta manhã ao Continente, para comprar algumas coisas. Enquanto eu estava na fila da caixa, deixei cair uma nota de 20€ no chão... a mulher na minha frente pegou na nota e quando eu estendi a mão para ela me a dar e agradecer, olhou-me mortalmente nos meus olhos e disse "as coisas encontradas no chão são de quem as achou," colocou a nota na algibeira e foi embora. Fiquei espantada, assim como a operadora da caixa que parecia tão chocada e confusa quanto eu. Fui atrás e disse: " Desculpe mas são os meus 20€!!!" Esta senhora teve a coragem de me ignorar como se eu não tivesse dito uma palavra, como se ela não tivesse com os meus 20€ na sua algibeira!!! Claro, acabei por segui-la porque não conseguia acreditar no que tinha acabado de acontecer! Quando a filha da mãe (acreditem, essa não é a palavra que eu quero usar) chegou ao carro dela, colocou os sacos das compras no chão para abrir a porta do carro, eu fui atrás dela e peguei os sacos das compras e fui embora !! A mulher pediu-me para lhe devolver as coisas. Eu respondi na minha voz mais doce e sincera "as coisas encontradas no chão são de quem as achou!" Quando ela me seguiu gritando: "desgraçada, eu te apanho!!." entrei no meu carro, e fui embora rindo muito alto! De qualquer maneira... quando cheguei a casa, abri os sacos das compras e ..... Chocolate, bifes, batatas fritas, doces, uma boa garrafa de vinho, café, cerejas e algumas outras coisas!!!! Nada mal para uma nota de 20€ não é?!!  ☺ ☺ ☺ ........................................................... Com toda a seriedade - Isto é uma piada que li por aí..foi só para ver quem iria ler tudo... 😂 😂 😂 😂 Boa noitee fiquem bem!

8. 9.Renato Janine Ribeiro - 2 h · São Paulo, Brasil · 

Vc fala em prostituição e vêm te falar em Doria... As pessoas que desviam o foco sabem que na França e num país escandinavo que esqueci, está -se cogitando proibir a prostituição?? Dois argumentos: 1) Humilhante para quem se prostitui; 2) Destino, indesejado, de bom número de mulheres imigrantes. Uma sugestão nas discussões: menos provincianismo, por favor. O mundo é maior que os Jardins.

PS - Não tenho posição formada sobre o tema. Mas penso que vale a pena debater.

9. 10.Alessandro Galvão -  · Covilhã · Portugal

"Somos humanos, cumprimos com o nosso dever quando não é sacrifício. A honra não vem facilmente. Porém, mais cedo ou mais tarde na vida de todo homem, chega o dia em que ela não se torna fácil. O dia em que ele deve escolher. Essa escolha cabe a você fazer. E viver com ela até o resto de seus dias.  Como eu fiz.”

Meistre Aemon revela sua origem para Jon Snow

Meistre Aemon, da Patrulha da Noite, tenta convencer Jon Snow a não abandonar seus deveres de patrulheiro e para isso lhe conta a sua antiga identidade: Aemo...

 

11.Marco Antonio Carvalho Teixeira -

Parece que a reunião do conselhao em que Temer foi orientado a aproveitar sua baixa taxa de aprovação para implementar sua agenda tida como impopular foi o ponto de virada. Dali adiante o governo não apenas seguiu com sua agenda como passou a não dar a menor bola para a opinião pública uma vez que as manifestações populares contra o governo fracassaram. A partir daí parte significativa do Congresso se sentiu liberada para leiloar seu voto no momento em que podia ter afastado Temer e agora promove uma reforma política que visa sobretudo a sobrevivência dos próprios congressistas.

12. José Pedro Mattos Conceição – Porto Alegre RS : BONS AMIGOS

A gente luta, sofre e, finalmente, vence, no decurso de toda uma vida basicamente voltada a construir seu recanto de paz, com uma janela de felicidade. Para uns mais fácil, para outros mais difícil, é do jogo. Família sempre importante em tudo e seguidamente os amigos conferem decisivo apoio, de um jeito ou de outro. Mas este negócio de bom amigo tem de ser analisado com modos. Há parceiros, companheiros interessados, confidentes, divertidos, tudo muito bom, muito bem. Mas quantas pessoas você pode enumerar que, ao longo dos anos, estiveram efetivamente disponíveis, tanto ou mais que um irmão? Vou exemplificar. Se eu abro um negócio próspero, seguro e preciso de gente competente para me auxiliar, procuro um amigo, cujas qualidades reconheço, ou dou preferência a um parente próximo, que necessita de um empurrão, ou a uma namorada? Não vale aqui cogitar de aventura. É situação bem objetiva para avaliar a firmeza do vínculo supostamente fraternal. Se aparece oportunidade para adquirir bens bastante interessantes, a preços pra lá de bons ou para usufruir qualquer tipo de vantagem, priorizo parentes, colegas de trabalho, parceiros e afetos ocasionais, ou velhos amigos ainda em convívio? Uma afinidade circunstancial de hoje suplanta uma fidelidade de idos tempos? Eventualmente, pode ser difícil julgar, afinal, a vida é dinâmica, rica em diversidades e conveniências. Existem também amizades “adormecidas”. O relevante a concluir agora é que, se você precisa de um companheiro histórico e de fé, mas seu espaço junto a ele encolheu demais, amigo, amigo ele já deixou de ser. Quem sabe, uma boa recordação, mas cada um no seu quadrado. Em família, costuma-se ter mais atenção. Enfim, esta é uma consideração que não tem nada de pessoal, mas, acredito, merece reflexão, tantas queixas já ouvi.

MATÉRIA EM DESTAQUE Agosto 11-13

Pessoas que gostam de estar sozinhas possuem estes 6 traços especiais:

O Segredo • 10 de agosto de 2017 - https://osegredo.com.br/2017/08/pessoas-que-gostam-de-estar-sozinhas-possuem-estes-6-tracos-especiais/

 

Em termos de nossas personalidades e como nos aproximamos dos outros, muitas vezes, somos colocados em uma das duas categorias: Introvertido ou extrovertido.

É possível ser um pouco de ambos? Alguma vez você já se perguntou o que as qualidades compõem especificamente em cada um e o que elas indicam?

Neste artigo nós revelamos o que significa ser uma daquelas pessoas fascinantes que gostam de passar o tempo sozinhas e desafiar as percepções de que elas estão solitárias, deprimidas, e cheias de ansiedade.

Você tem um amigo que prefere ficar em casa e tomar um café com os amigos a comparecer ao maior festival de música do ano? Você gosta de ter seu próprio tempo, tanto que você vai viajar sozinho, sai para o jantar e tomar um copo de vinho sozinho, bem como assistir um filme, ocasionalmente, com ninguém ao seu lado?

Se assim for, eu estou lá com você, porque eu faço tudo isso, mas o problema é: as pessoas que gostam de passar o tempo sozinhas têm que se explicar, como se fosse contra uma expectativa social do que é normal e o que não é.

Aqui estão algumas grandes qualidades de pessoas que gostam de passar um tempo sozinhos:

  1. São pessoas extremamente leais

Muitas vezes eles não possuem um grande círculo social e, se tiverem, você não vai encontrá-los todas as noites da semana com grandes grupos, na fila da balada mais frequentada. Eles procuram amigos significativos e confiáveis, com quem se sintam confortáveis para estar junto e compartilhar detalhes de sua vida. Se você tem um amigo que gosta de passar tempo sozinho, você pode garantir que essa pessoa estará lá para você, na saúde e na doença.

  1. São abertos a novas ideias

Só porque eles apreciam o seu tempo de silêncio não significa que eles não vão fazer algo novo e emocionante. Eles só se certificam de ter o seu tempo de silêncio antes de mergulharem em uma atividade altamente social.

 

  1. Eles têm uma mente nivelada

Eles passam tanto tempo tranquilos por conta própria, navegando e contemplando situações, problemas, e realmente refletem sobre quem eles são e o que eles querem. Eles têm um forte senso de si e uma confiança que irradia de dentro. Quando eles estão se sentindo estressados ou o peso do mundo está esmagando-os, eles passam um tempo sozinhos para recarregar, em vez de encher seu dia com distrações.

  1. Eles são confortáveis com seus próprios pensamentos

Tenho certeza de que todos nós nos deparamos com alguém que não suporta ficar sozinho com seus próprios pensamentos. Pessoas que gostam de passar o tempo sozinhas, particularmente no silêncio, mostram uma consciência clara e não lutam contra seus pensamentos internos. Claro, todos nós podemos ter dias ruins, mas eles são capazes de levantar a cada queda.

  1. Eles entendem o valor do tempo. Seu e deles

Pessoas que passam tempo sozinhos entendem e apreciam seu valor. Eles colocam uma alta prioridade em fazer esse tempo disponível para que  funcionem em seu melhor nível; então, quando você está dando um pouco do seu tempo, eles entendem o que você deixou de fazer algo para estar com eles. Eles têm uma profunda sensação de se certificar de não fazer você perder seu tempo ou passar tempo com pessoas que os fazem desperdiçar o deles.

  1. Eles exercem limites fortes

Todo esse tempo sozinho dá a essas pessoas o espaço para pensar sobre o que os motiva, o que funciona e o que não, e como comunicar adequadamente isso. Você descobrirá que eles têm limites fortes e saudáveis e exercitam seu direito de comunicá-los de uma maneira realmente saudável e construtiva.

Suas percepções mudaram? Você pode ver alguma dessas qualidades em si mesmo ou em um amigo?

Todos nós temos uma abordagem diferente para a vida, celebrar nossas diferenças torna nossas vidas mais completas.

__________

Traduzido pela equipe de O Segredo  Fonte: Mystical Raven

 

 

Luiz Barradas

5 h · 

Em tempo de reminiscências... Imenso Quintana...

Havia um tempo de cadeiras na calçada. Era um tempo em que havia mais estrelas. Tempo em que as crianças brincavam sob a claraboia da lua. E o cachorro da casa era um grande personagem. E também o relógio da parede! Ele não media o tempo simplesmente: ele meditava o tempo.

Mário Quintana**

 

 

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 Revista Fevereiro

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 La ONDA DIGITAL - Montevidéu. 
http://www.laondadigital.uy/

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           Revista Lusofonia Blog dos Países de Língua Portuguesa

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 Revista Dialectus:  REVISTADIALECTUS.UFC.BR -  

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